

A Corte vai discutir os elementos reunidos pela Polícia Federal e os possíveis desdobramentos da investigação. | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
15 de setembro de 2026 – O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15), a partir das 10h, uma sessão para analisar as conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os ministros deverão avaliar se os elementos reunidos pela Polícia Federal (PF) justificam a abertura de uma investigação envolvendo Moraes.
A sessão será conduzida pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, e terá transmissão ao vivo pela TV Justiça e pelos canais oficiais da Corte na internet.
O caso chegou ao plenário após a análise de mensagens encontradas no celular de Vorcaro, que está preso no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
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De acordo com o rito definido por Fachin, a sessão terá início às 10h. Após a abertura, a secretária fará a leitura da ata da sessão anterior e o presidente da Corte cumprimentará os ministros.
Na sequência, Fachin chamará o processo para julgamento e fará a leitura do relatório. Depois, a palavra será concedida à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Após a manifestação da PGR, os ministros iniciarão a votação.
O STF ainda não confirmou se Alexandre de Moraes participará da sessão. A composição do plenário inclui Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.
A participação do ministro Dias Toffoli também não está confirmada. No início deste ano, Toffoli declarou-se impedido de participar de julgamentos relacionados ao caso Master após a divulgação de informações sobre um resort de sua propriedade que teria sido comprado por um fundo de investimentos ligado ao banco.
O julgamento poderá ser interrompido caso algum ministro apresente uma questão de ordem. Também poderá haver pedido de vista, o que suspenderia a análise do processo.
As suspeitas vieram a público em 1º de setembro, quando o então relator do caso, André Mendonça, retirou o sigilo da investigação e encaminhou as conversas para Edson Fachin.
Segundo as informações apresentadas no processo, Daniel Vorcaro teria trocado cerca de 50 mensagens com um número atribuído a Alexandre de Moraes antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025.
Moraes não é relator do caso Master no STF. O contato com Vorcaro ocorreu depois que o escritório de advocacia Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, passou a prestar serviços ao Banco Master.
Em uma mensagem enviada em 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações da Polícia Federal, que ainda tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília.
Na conversa, o ex-banqueiro citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu Vorcaro.
Apesar da referência aos dois nomes, não foram apontados indícios de que Gonet ou Andrei tenham interferido nas investigações.
No dia seguinte, Vorcaro mencionou o juiz Ricardo Leite, que era responsável pelo caso na Justiça Federal, e demonstrou preocupação com a possibilidade de ser preso.
“Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?”, questionou o ex-banqueiro.
Em 17 de novembro, Vorcaro foi preso por determinação de Ricardo Leite. Meses depois, as investigações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal.
Em manifestação encaminhada ao STF na segunda-feira (14), Alexandre de Moraes negou ter cometido irregularidades e afirmou que jamais favoreceu o Banco Master ou Daniel Vorcaro.
O ministro também classificou a investigação conduzida por André Mendonça como “inconstitucional e ilegal”. Segundo Moraes, a apuração teria sido aprofundada sem pedido da PGR, sem provocação da Polícia Federal e sem autorização prévia do plenário do Supremo.
“Na presente hipótese, de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte”, afirmou Moraes.
O ministro sustenta ainda que o relatório da PF não apresentou indícios de infração penal praticada por ele e questiona a utilização de anotações encontradas no celular de Vorcaro.
Moraes também nega ter tido conhecimento antecipado da Operação Compliance Zero, ter mantido contato com autoridades responsáveis pela investigação ou ter vazado informações sobre o procedimento.
Segundo o ministro, a prisão de Vorcaro e a apreensão de seu celular durante a operação enfraquecem a hipótese de vazamento de informações.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também aparece citado nas mensagens, defendeu durante a tramitação do caso a anulação do relatório produzido pela Polícia Federal.
Na manifestação encaminhada ao STF, Gonet afirmou que André Mendonça teria investigado Moraes de maneira ilegal ao determinar o aprofundamento das apurações para analisar as conversas entre o ministro e Vorcaro.
Segundo o entendimento apresentado pelo procurador-geral, o aprofundamento da investigação envolvendo um integrante do STF dependeria de autorização do plenário da Corte.
André Mendonça também apresentou manifestação ao presidente do STF para defender as providências tomadas durante a investigação.
O ministro afirmou que a intimação presencial dos delegados responsáveis pelo caso foi adotada por cautela, diante de referências ao diretor-geral da PF e ao procurador-geral da República em anotações atribuídas a Vorcaro.
“A intimação direta e presencial dos delegados indicados” ocorreu por cautela, afirmou Mendonça.
Segundo o ministro, a medida teve como objetivo preservar o andamento das investigações e garantir que as informações permanecessem restritas aos investigadores envolvidos no procedimento.
Mendonça sustenta ainda que a providência não significou a atribuição de suspeitas a qualquer autoridade e que foi adotada diante da necessidade de preservar o sigilo da investigação.
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