

Essa foi a primeira manifestação pública de Moraes desde o início da crise envolvendo suspeitas levantadas no âmbito das investigações sobre Vorcaro. | Foto: Gustavo Moreno/STF
15 de setembro de 2026 – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter cometido qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master ou ao banqueiro Daniel Vorcaro e classificou como “inconstitucional e ilegal” a investigação conduzida pelo ministro André Mendonça. A manifestação foi enviada nesta segunda-feira (14) ao presidente da Corte, Edson Fachin, na véspera do julgamento previsto para esta terça-feira (15).
É a primeira manifestação pública de Moraes desde o início da crise envolvendo suspeitas levantadas no âmbito das investigações sobre Vorcaro. No documento, o ministro afirma que jamais favoreceu o Banco Master ou o banqueiro e que nunca julgou processos envolvendo Vorcaro ou a instituição financeira.
Moraes também sustenta que não existem provas de que tenha cometido infração penal e critica a tentativa de responsabilizá-lo por anotações encontradas em blocos de notas no celular de Vorcaro.
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Na manifestação encaminhada ao STF, Moraes afirma que a investigação determinada por André Mendonça foi instaurada sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), sem provocação da Polícia Federal e sem autorização prévia do plenário da Corte.
“Na presente hipótese, de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte”, diz a manifestação.
Segundo Moraes, o relatório elaborado no caso não apresentou indícios de infração penal praticada por ele. O ministro afirma ainda que as suspeitas estão baseadas em anotações encontradas no celular de Vorcaro, sem comprovação de que os textos tenham sido efetivamente enviados a Moraes.
O ministro também nega ter tido conhecimento prévio da Operação Compliance, ter mantido contato com autoridades responsáveis pela investigação ou ter vazado informações sobre o procedimento.
Moraes afirma que nunca praticou qualquer ato para beneficiar o Banco Master ou Daniel Vorcaro. Ele também destaca que não participou de processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.
Um dos principais argumentos apresentados pelo ministro é relacionado à prisão de Vorcaro durante a Operação Compliance. Segundo Moraes, o banqueiro foi preso quando se preparava para embarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, portando passaporte verdadeiro e o telefone celular.
Para o ministro, o resultado da operação enfraquece a hipótese de que tenha ocorrido vazamento de informações sobre a investigação.
“Não é lógico, razoável e plausível” concluir que houve favorecimento ou vazamento de informações, afirma Moraes.
Na avaliação apresentada ao STF, o fato de Vorcaro ter sido preso e estar com o próprio celular indicaria que ele não tinha conhecimento prévio do mandado judicial contra si.
Outro ponto central da manifestação é a contestação das mensagens e anotações analisadas pela Polícia Federal.
Moraes afirma que o relatório não apresenta nenhuma mensagem de sua autoria que indique consultoria jurídica, favorecimento ao Banco Master ou conhecimento antecipado de operações policiais.
“Não há nenhuma, absolutamente nenhuma mensagem de autoria do ministro Alexandre de Moraes que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial.”
O ministro sustenta que a investigação atribui a ele responsabilidade por textos encontrados no celular de Vorcaro sem demonstrar que as anotações tenham sido encaminhadas a ele.
Moraes também questiona a metodologia empregada na elaboração do relatório da Polícia Federal. Segundo ele, as provas não teriam sido preservadas de maneira adequada e as conclusões teriam sido construídas a partir de recortes de mensagens e interpretações, sem uma perícia técnica capaz de comprovar as alegações.
Ao abordar as acusações, Moraes afirma que o caso estaria sendo utilizado para atacá-lo politicamente. O ministro classifica a ofensiva como de caráter “político-eleitoral” e menciona uma tentativa de “vingança”.
As afirmações constam da manifestação apresentada pelo próprio magistrado ao presidente do STF.
O documento foi encaminhado um dia antes da sessão em que o plenário da Corte deverá analisar o relatório produzido pela Polícia Federal sobre mensagens e anotações atribuídas a Daniel Vorcaro e discutir se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação envolvendo Moraes.
Também nesta segunda-feira (14), André Mendonça encaminhou manifestação à Presidência do STF para defender as medidas adotadas durante a condução da investigação.
Entre as providências questionadas está uma reunião presencial com delegados responsáveis pelo caso. Mendonça afirma que a medida foi adotada por cautela, diante de referências ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gustavo Gonet Branco, em anotações atribuídas a Daniel Vorcaro.
Segundo o ministro, a “intimação direta e presencial dos delegados indicados” teve como objetivo preservar o andamento das investigações.
Mendonça afirma que os nomes do diretor-geral da PF e do procurador-geral da República teriam sido mencionados em uma nota enviada por Vorcaro a um interlocutor não identificado. A Polícia Federal sustenta que esse interlocutor seria Alexandre de Moraes.
O ministro argumenta que a providência buscou garantir a integridade do procedimento e evitar riscos relacionados ao sigilo da investigação.
Mendonça também afirma que a medida não representou a atribuição de suspeitas a qualquer autoridade e que foi adotada para assegurar que as informações permanecessem restritas aos investigadores diretamente envolvidos no caso.
“Não por outro motivo, realça-se que em sua parte final, o referido Despacho consignou expressamente a necessidade de observância a tais parâmetros, bem como a forma pela qual seria realizada a sua intimação — precisamente diante das cautelas necessárias na espécie.”
A sessão do plenário do STF está marcada para esta terça-feira (15) e foi convocada por Edson Fachin. Os ministros deverão analisar os elementos reunidos pela Polícia Federal e discutir os desdobramentos do caso.
O julgamento ocorre em meio a questionamentos sobre a validade do relatório, a metodologia utilizada na análise do material e os limites da atuação dos ministros envolvidos direta ou indiretamente no caso.
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Tags: Alexandre de Moraes, André Mendonça, STF, Banco Master, Daniel Vorcaro, Polícia Federal, caso Master, Supremo Tribunal Federal, Portal Terra da Luz