

Operação Ouro Reverso 2 mira esquema suspeito de receptação, derretimento e revenda de joias de ouro roubadas em São Paulo | Foto: reprodução
24 de agosto de 2026 – A Polícia Civil de São Paulo realiza, nesta segunda-feira (24), uma operação contra uma rede suspeita de atuar no roubo, receptação, derretimento e reinserção de joias de ouro no mercado.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 34.682.364,90 em contas bancárias ligadas aos investigados.
A ação, chamada Operação Ouro Reverso 2, é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e cumpre mandados na capital paulista e em Guarulhos, na Grande São Paulo.
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Segundo a Polícia Civil, a operação cumpre quatro mandados de prisão e 28 mandados de busca e apreensão.
A ação é coordenada pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas, da Divisão de Investigações Gerais (DIG) do Deic.
Entre os locais fiscalizados está uma região do Centro de São Paulo apontada pelos investigadores como “círculo de fogo”, onde teriam sido identificadas empresas responsáveis por comprar joias roubadas e derreter o material.
De acordo com a investigação, o esquema funcionava como uma cadeia criminosa.
A estrutura começava com furtos e roubos de joias nas ruas, passava por intermediários, comerciantes e empresas responsáveis por receber e processar o ouro.
O objetivo seria eliminar a identificação das peças e permitir que o metal de origem criminosa voltasse ao mercado.
A Polícia Civil divide a estrutura investigada em três grupos: executores, processadores e financiadores.
Os executores seriam responsáveis diretamente pelos furtos e roubos de joias nas ruas, atuando sob coordenação de intermediários.
Os processadores seriam lojistas e receptadores que recebiam o material roubado e faziam o processamento inicial, incluindo o derretimento e a remanufatura das peças.
Já os financiadores seriam responsáveis pela lavagem do dinheiro obtido com o esquema.
Segundo a investigação, os financiadores utilizariam empresas de fachada e depósitos fracionados para ocultar a origem dos recursos e inserir o dinheiro no sistema financeiro.
O derretimento das joias é apontado pela polícia como um ponto central da estrutura criminosa.
A prática permitiria destruir evidências da origem das peças, dificultando a identificação dos verdadeiros donos e facilitando a revenda do ouro.
Para os investigadores, o dinheiro obtido com a comercialização do ouro voltava a financiar novos crimes.
Com isso, a rede formaria um ciclo que começava com o roubo das joias, passava pelo derretimento e pela lavagem dos recursos e terminava com o financiamento de novos furtos e roubos.
A segunda fase da operação busca atingir os demais elos dessa cadeia.
A Justiça determinou o bloqueio de 13 contas bancárias, que somam R$ 34.682.364,90.
Também foram autorizadas medidas de sequestro de bens, incluindo sete veículos e um imóvel.
A operação mobiliza 60 policiais civis do Deic, em 30 viaturas.
A ação também conta com o apoio de 21 auditores da Receita Estadual e três avaliadores da Caixa Econômica Federal.
Os auditores fiscais participam da operação para verificar a regularidade fiscal das empresas investigadas e cruzar documentos.
A Caixa Econômica Federal atua na avaliação e custódia de eventuais joias, objetos de valor e outros bens apreendidos durante o cumprimento dos mandados.
A atuação conjunta busca reforçar a apuração sobre a origem dos bens e a movimentação financeira dos investigados.
A investigação é um desdobramento da primeira fase da Operação Ouro Reverso, realizada em 7 de maio de 2025.
Na ocasião, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária.
A polícia informou ter recuperado cerca de R$ 2,7 milhões em ouro e joias, além de apreender R$ 157 mil em dinheiro.
Três CNPJs ligados a estabelecimentos clandestinos de derretimento também foram cassados.
A operação alcançou São Paulo, Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos, Mairiporã e Campinas.
Na primeira fase, também foi preso em Ferraz de Vasconcelos Rony Gonçalves, apontado pela polícia como o principal negociador de objetos de ouro roubados.
Segundo a investigação, ele integrava o esquema comandado por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como “Mainha do Ouro”, apontada como responsável por dar apoio a quadrilhas envolvidas nos crimes.
A análise do material apreendido a partir dessa prisão permitiu, segundo a Polícia Civil, mapear conexões entre assaltantes, comerciantes e operadores financeiros.
Com isso, os investigadores identificaram uma estrutura mais ampla de receptação e lavagem de dinheiro.
A segunda fase busca atingir lojistas, locais usados para derretimento do ouro e movimentações bancárias dos investigados.
A apuração tenta identificar como joias roubadas eram transformadas em metal sem identificação e reinseridas no mercado por meio de empresas e documentos fiscais.
A operação segue em andamento, com cumprimento de mandados e análise de materiais apreendidos.
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