

Pesquisadores da Embrapa desenvolvem protótipos de salmão, caviar e anéis de lula veganos impressos em 3D com ingredientes de base vegetal | Foto: divulgação/Embrapa
31 de maio de 2026 – Após 30 meses de pesquisa, o Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO), da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, desenvolveu protótipos de alimentos impressos em 3D com base vegetal que imitam filé de salmão, caviar e anéis de lula.
Além de reproduzir o formato dos alimentos de origem animal, os protótipos buscam apresentar sabor e características nutricionais semelhantes aos produtos originais. A iniciativa combina ciência, biotecnologia, impressão 3D e ingredientes vegetais para criar novas alternativas alimentares.
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Segundo a bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora bolsista no LNANO, um dos objetivos da pesquisa foi analisar a composição nutricional dos alimentos de origem animal para buscar equivalentes vegetais.
“Uma das coisas que buscamos foi avaliar o teor nutricional da carne animal em sua composição total. Atentos a três grupos principais – carboidratos, lipídeos e proteínas -, buscamos nos recursos vegetais ingredientes ou insumos que nos trazem a mesma quantidade em percentual de tecido animal”, explica.
A proposta é desenvolver alimentos de base vegetal com composição o mais próxima possível da encontrada em produtos animais, ampliando possibilidades para consumidores com restrições alimentares, vegetarianos, veganos e pessoas interessadas em novas alternativas de alimentação.
As amostras foram criadas a partir de tintas alimentícias compostas por proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, nanoingredientes, corantes naturais e espessantes. Esses componentes são utilizados para dar textura, cor, viscosidade e características nutricionais aos alimentos impressos.
De acordo com Cínthia Bonatto, os ingredientes utilizados são, em grande parte, semelhantes aos encontrados na culinária cotidiana.
As impressoras 3D da Embrapa permitem modelar os alimentos em formatos específicos, como filé de salmão, caviar e anéis de lula, ao mesmo tempo em que possibilitam ajustes na composição nutricional.
Parte dos insumos utilizados no desenvolvimento dos protótipos veio dos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, que reúnem material genético de milhares de plantas, microrganismos e animais em cerca de 140 acervos.
O pesquisador Luciano Paulino da Silva, coordenador de projetos de impressão de alimentos, compara esse repositório a uma espécie de “arca de Noé” da biodiversidade. Segundo ele, esse material permite elaborar alimentos de base vegetal com composição “o mais similar possível àquela encontrada nos animais”.
A biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz, também pesquisadora bolsista no LNANO, afirma que a tecnologia ainda permite o enriquecimento nutricional dos produtos impressos.
A impressão de alimentos pode ter aplicações importantes no futuro. Entre as possibilidades estão o desenvolvimento de produtos com maior valor nutricional, alternativas para pessoas com restrições alimentares, redução da dependência de produtos de origem animal e contribuição para o combate à fome e à subnutrição.
A tecnologia também pode ajudar a reduzir impactos ambientais associados à pesca predatória e ao abate de animais, além de abrir novas oportunidades para a indústria de alimentos plant-based.
Apesar do avanço, os alimentos desenvolvidos pela Embrapa ainda não têm data para chegar ao mercado. Os protótipos já foram experimentados por pessoas, após liberação de comissão de ética, e estão na fase de vitrine tecnológica da instituição.
O projeto foi financiado pelo Good Food Institute (GFI), organização global sem fins lucrativos que apoia pesquisas voltadas à criação de alimentos à base de plantas, produtos obtidos por fermentação com microrganismos e carne cultivada a partir de células animais em laboratório.
A exploração comercial dos alimentos impressos dependerá do modelo de negócios adotado. Entre as possibilidades estão impressoras domésticas, uso em restaurantes ou produção em escala industrial.
Alimentos impressos em 3D já são comercializados em países como Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura. No Brasil, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) também desenvolvem experimentos na área em parceria com a Escola de Medicina da Universidade Harvard e com a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura.
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