

Investigação aponta irregularidades em clínicas que atendem crianças com autismo e levanta alerta sobre fraudes na saúde suplementar | Foto: reprodução/Fantástico/TV Globo
04 de maio de 2026 – Clínicas que oferecem terapias para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão no centro de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo por suspeita de fraude milionária contra planos de saúde. O prejuízo estimado pode chegar a R$ 60 milhões, segundo apuração revelada pelo programa Fantástico.
As investigações apontam que unidades especializadas teriam inflado a carga horária de atendimentos, superfaturado tratamentos e registrado sessões que nunca aconteceram. Documentos e gravações obtidos indicam divergências entre os serviços cobrados e os efetivamente prestados.
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Auditorias conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) revelaram discrepâncias alarmantes. Em alguns casos, clínicas teriam cobrado até 100 vezes mais sessões do que as realizadas. Em uma unidade investigada, 66% dos pacientes apareciam com mais de 80 horas mensais de terapia — número muito acima da média nacional, que não chega a 3% dos casos.
Um dos episódios analisados envolve uma criança de seis anos. A clínica informava ao plano de saúde que o paciente recebia 416 horas mensais de atendimento. No entanto, segundo o pai, o filho frequentava o local apenas uma vez por semana, com sessões de cerca de 50 minutos, totalizando aproximadamente 16 horas por mês.
Além das auditorias, depoimentos de pais reforçam as suspeitas. Uma mãe, que preferiu não se identificar, afirmou que era pressionada a assinar documentos indicando múltiplas sessões em um único dia.
“Eles dizem que, se for apenas uma sessão, o convênio paga pouco e não compensa manter o profissional. E acabam se aproveitando da fragilidade dos pais, que só querem garantir o tratamento dos filhos”, relatou.
Uma das clínicas citadas, localizada na Zona Oeste de São Paulo, nega irregularidades. Em nota, a defesa afirma que não houve falsificação de documentos e que todos os atendimentos seguem critérios auditáveis.
Casos semelhantes também foram identificados em Mogi das Cruzes. Registros apontavam que uma criança de oito anos teria recebido 200 horas de terapia em um mês, enquanto a mãe afirmou que o filho comparecia apenas duas vezes por semana.
Em outra unidade, ex-funcionários relataram à polícia o uso indevido de logins de pacientes para simular presença. Há ainda suspeitas de tentativa de burlar sistemas de reconhecimento facial com fotos das crianças.
Um dos casos mais extremos envolve uma profissional que teria registrado 706 horas de atendimento em um único mês, sendo 56 horas em apenas um único dia.
Segundo a Polícia Civil, os envolvidos podem responder por estelionato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a saúde pública.
Para especialistas, os impactos vão além do prejuízo financeiro. “As intervenções terapêuticas são fundamentais. Ter uma fraude envolvendo crianças, onde elas vão conseguir atingir todo o seu potencial, é particularmente cruel”, afirmou Cassio Ide Alves, diretor de Riscos e Fraudes da Associação de Planos.
A defesa do Espaço Singular informou que seus sócios “jamais compactuaram com qualquer prática em desacordo com a lei”.
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