

Especialistas alertam que renegociar dívidas sem mudar hábitos financeiros pode manter ciclo de endividamento. | Foto: Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
07 de maio de 2026 – O programa Desenrola Brasil voltou a abrir espaço para renegociação de dívidas de consumidores negativados com renda mensal de até cinco salários mínimos. A nova etapa contempla débitos contraídos até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 90 dias e dois anos.
Entre as dívidas incluídas estão cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e contratos ligados ao Fies. Os descontos variam conforme o tempo de atraso e o tipo de débito.
No rotativo do cartão e no cheque especial, os abatimentos começam em 40% para atrasos de até 120 dias e podem chegar a 90% em débitos superiores a um ano. Já no crédito pessoal, os descontos variam entre 30% e 80%.
Apesar do alívio financeiro oferecido pelo programa, especialistas alertam que renegociar dívidas sem mudar hábitos financeiros pode manter o consumidor preso ao ciclo do endividamento.
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Em entrevista ao InfoMoney, o planejador financeiro Carlos Castro afirmou que o principal problema está no uso frequente de linhas de crédito de curto prazo e juros elevados.
“Cartão de crédito e cheque especial são dívidas de curto prazo, com juros altos, que devem ser usados por um período muito curto”, explicou.
Segundo o especialista, quando o consumidor demora para quitar o saldo devedor, os juros compostos passam a aumentar rapidamente o valor da dívida.
“Quando os juros incidem sobre um saldo que não é liquidado, o valor cresce ao longo do tempo, ocupando espaço entre outras despesas. Sem uma visão clara do tamanho da dívida e do custo envolvido, o pagamento tende a se organizar apenas em torno da parcela”, afirmou Carlos Castro.
O especialista destaca que renegociar a dívida pode aliviar momentaneamente o orçamento, mas não resolve automaticamente os problemas financeiros estruturais do consumidor.
Para ele, a reorganização financeira começa pelo entendimento detalhado da situação das dívidas.
“É preciso fazer um levantamento do saldo devedor, entender quais são as linhas de crédito usadas, quais são as taxas e quando essas dívidas terminam”, orientou.
Carlos Castro também recomenda priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos e substituir modalidades mais caras por linhas de crédito mais baratas quando houver possibilidade.
Outro ponto destacado pelo planejador financeiro é a perda de percepção sobre os gastos no dia a dia, impulsionada pelo avanço dos pagamentos digitais e do crédito instantâneo.
Segundo ele, muitas pessoas acreditam ter controle financeiro, mas acabam consumindo acima da capacidade do orçamento.
Para evitar novos problemas, o especialista orienta dividir as despesas em categorias como gastos essenciais, sociais e de autorrealização.
A estratégia ajuda a identificar excessos, organizar o orçamento e criar uma reserva financeira para emergências.
O Desenrola Brasil busca reduzir o número de inadimplentes no país, mas especialistas reforçam que educação financeira continua sendo um dos principais desafios para evitar o retorno das dívidas.
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