

Expansão de redes de alimentação para cidades médias e polos regionais acompanha mudanças no consumo e exige análise detalhada das características econômicas e comerciais de cada mercado | Foto: Imagem ilustrativa feita por IA
10 de setembro de 2026 – A interiorização ganhou espaço nas estratégias de expansão do foodservice brasileiro. No Giraffas, esse movimento faz parte da trajetória de crescimento da rede há mais de uma década e trouxe aprendizados importantes sobre o que realmente determina o potencial de uma cidade fora dos grandes centros.
Essa experiência nos mostrou que interiorizar uma operação não significa simplesmente levar para cidades menores o mesmo modelo desenvolvido para as capitais. É preciso compreender o que movimenta cada região, como os hábitos de consumo se transformaram e quais fatores podem sustentar uma operação no longo prazo.
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Um dos principais aprendizados é que o tamanho da população, sozinho, não determina o potencial de uma cidade. Universidades, hospitais, polos industriais, centros logísticos, turismo, comércio e serviços podem gerar um fluxo de pessoas muito maior do que os dados demográficos indicam.
Há também cidades que funcionam como polos para municípios próximos. Pessoas se deslocam para estudar, trabalhar, fazer compras, acessar serviços ou aproveitar opções de lazer. Esse movimento amplia o mercado consumidor e precisa entrar na análise de uma nova praça.
Na nossa experiência, também aprendemos a olhar para os vetores que impulsionam o desenvolvimento local. Em alguns mercados, a indústria é o principal motor. Em outros, o turismo, a atividade universitária ou a força do comércio regional.
Identificar essa vocação ajuda a entender não apenas o momento atual, mas também as perspectivas daquele mercado.
O consumidor também mudou. A digitalização aproximou hábitos e expectativas, permitindo que quem vive fora das capitais tenha acesso às mesmas marcas, tendências e informações disponíveis nos grandes centros.
Isso elevou também as expectativas em relação à qualidade, à conveniência, ao atendimento e à consistência da experiência.
Esse cenário abre espaço para redes estruturadas, mas exige adaptação. Uma marca pode manter sua identidade e, ao mesmo tempo, considerar as características de cada região.
A escolha do ponto, por exemplo, precisa levar em conta fluxo, acessibilidade, perfil do público e vocação comercial da área.
Essa é uma das principais lições que acumulamos: não existe uma fórmula única para crescer no interior. Cada mercado apresenta uma combinação própria de fatores e exige uma decisão de expansão baseada em dados, experiência e conhecimento local.
Hoje, mais da metade das unidades do Giraffas está fora das capitais, e cerca de 69% das inaugurações previstas para este ano acontecerão em municípios do interior ou em polos regionais.
Esses números refletem uma estratégia que vem sendo construída a partir da presença em diferentes mercados e do aprendizado obtido com cada nova praça.
Nesse cenário, o desafio é ir além da escolha de cidades com potencial aparente. É preciso avaliar o momento certo para entrar, compreender a dinâmica regional e construir uma operação que tenha aderência à realidade daquele público.
O foodservice continuará encontrando oportunidades nas grandes capitais, mas seu mapa de crescimento é hoje muito mais amplo. As cidades médias e os polos regionais já ocupam um espaço relevante nessa equação.
Depois de mais de uma década olhando para esses mercados, uma coisa ficou clara: expandir para o interior não significa simplesmente buscar cidades menores.
Significa compreender mercados cujo potencial de consumo, dinamismo e influência regional muitas vezes vão muito além do que os indicadores mais óbvios conseguem mostrar.
Por Eduardo Guerra, diretor de Expansão e Desenvolvimento do Giraffas
Eduardo Guerra conta com mais de 18 anos de experiência no varejo de alimentação e franchising. É bacharel em Direito pelo UniCEUB, Centro Universitário de Brasília. Construiu sua trajetória profissional dentro do Giraffas, onde já atuou nas áreas de operações, captação de investidores, fusões e aquisições de restaurantes. Ocupa posições estratégicas na companhia há mais de uma década e, atualmente, é responsável pelas áreas de Expansão e Desenvolvimento da marca. Nos últimos anos, conduziu o plano de crescimento da rede, liderando a negociação de mais de 200 novos contratos de franquias em diferentes estados brasileiros e fortalecendo o relacionamento com a cadeia de franqueados. Sua atuação contribuiu para a consolidação do Giraffas como uma das principais redes nacionais do setor, com mais de 400 unidades distribuídas em 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.

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