
Preço do petróleo Brent recua após trégua no Oriente Médio, mas riscos em Ormuz e no Mar Vermelho mantêm mercado em alerta | Foto: Reuters
27 de julho de 2026 – O preço do petróleo Brent caiu mais de 8% nesta segunda-feira (27) e voltou à faixa de US$ 89 por barril, depois de ter superado US$ 100 na semana passada.
Apesar do recuo expressivo, o movimento não significa que a crise de oferta esteja encerrada. O mercado retirou parte do chamado prêmio de guerra, mas ainda não há sinais consistentes de normalização dos fluxos marítimos em rotas estratégicas para o comércio global de petróleo.
A pausa nos ataques reduziu a percepção imediata de risco, mas o Estreito de Ormuz segue com restrições, enquanto o Mar Vermelho deixou de ser uma alternativa plenamente segura para embarcações.
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A queda do Brent foi influenciada pela interrupção dos ataques entre Estados Unidos e Irã.
Os Estados Unidos suspenderam os bombardeios após 13 noites consecutivas, enquanto o Irã afirmou que interromperia suas operações enquanto Washington mantivesse a trégua.
O cenário, no entanto, ainda é considerado frágil. Trata-se de uma interrupção recíproca e condicionada, não de um acordo de paz.
Por isso, analistas avaliam que o petróleo pode continuar sensível a qualquer novo sinal de escalada no Oriente Médio.
A frente diplomática também recomenda prudência.
O governo americano afirma ter aberto espaço para negociações, mas Teerã nega ter solicitado a retomada das conversas.
Omã atua como mediador nas tratativas relacionadas à navegação no Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo.
Há canais abertos, mas ainda não existe convergência suficiente para indicar uma normalização plena do fluxo de navios.
O principal indicador observado pelo mercado continua sendo o movimento das embarcações.
Segundo dados da Kpler, citados pela Reuters, menos de dez embarcações de commodities atravessaram o Estreito de Ormuz por dia durante o fim de semana. No domingo, foram apenas sete.
A redução do risco militar imediato não devolve automaticamente confiança a armadores, seguradoras e operadores logísticos.
Mesmo com a trégua, a previsibilidade da navegação permanece comprometida, o que mantém pressão sobre fretes, seguros e decisões de rota.
O problema ganhou nova dimensão porque o Mar Vermelho também deixou de funcionar como rota confiável.
Os Houthis reivindicaram ataques contra instalações da Saudi Aramco em Jizan e Yanbu, na Arábia Saudita.
Imagens verificadas indicaram fumaça em Jizan, enquanto os mísseis direcionados a Yanbu foram interceptados por uma bateria Patriot operada por militares gregos.
A ameaça atinge uma rota que ganhou importância como alternativa ao Estreito de Ormuz, ampliando a preocupação do mercado com riscos simultâneos em diferentes corredores marítimos.
A Kpler registrou apenas 11 embarcações de commodities em Bab el-Mandeb no domingo, o menor total diário em meses.
Embora a contagem possa variar entre empresas de rastreamento, a tendência apontada é de queda no tráfego justamente em uma rota estratégica para o escoamento de petróleo e derivados.
A redução do fluxo indica que o mercado ainda trata a situação como instável, mesmo após o recuo do Brent.
Yanbu recebe o oleoduto Leste-Oeste, que atravessa a Arábia Saudita e direciona petróleo ao Mar Vermelho.
Segundo a Agência Internacional de Energia, o sistema pode oferecer entre 3 milhões e 5 milhões de barris diários de capacidade ociosa, conforme as condições operacionais.
Essa alternativa, porém, perde valor quando o terminal e sua rota marítima também passam a ser ameaçados.
Na prática, o mercado passou a precificar riscos simultâneos em dois corredores fundamentais: Ormuz e Bab el-Mandeb.
Se a pausa nos ataques resistir e o tráfego marítimo se recuperar, o Brent poderá recuar ainda mais.
No entanto, se Ormuz permanecer restrito e Bab el-Mandeb continuar sob ameaça, os preços devem manter volatilidade elevada e prêmio geopolítico relevante.
O petróleo abaixo de US$ 90 representa alívio momentâneo, mas não elimina a incerteza sobre abastecimento, transporte e custos logísticos.
A leitura do mercado continuará dependendo menos dos discursos diplomáticos e mais da capacidade de navios atravessarem os estreitos com segurança.
Para o Brasil, a queda do Brent reduz parte da pressão sobre combustíveis e inflação.
Mesmo assim, o recuo do petróleo bruto não garante queda equivalente no preço do diesel.
A paridade de importação também considera margens de refino, frete, seguro marítimo e câmbio.
Em um cenário de crise logística, combustíveis podem permanecer caros mesmo quando o petróleo recua no mercado internacional.
Por isso, o alívio para consumidores, transportadores e cadeias produtivas pode ser limitado, especialmente se os custos de transporte e seguro continuarem pressionados.
O Brent abaixo de US$ 90 não representa o preço da paz.
A cotação atual reflete uma trégua provisória, em um mercado que continua atento à segurança das rotas marítimas, à posição dos países envolvidos e ao comportamento das embarcações nos principais corredores de energia do mundo.
Enquanto Ormuz e o Mar Vermelho permanecerem sob risco, o petróleo continuará sujeito a oscilações fortes e rápidas.
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