

CCJ do Senado aprova PEC que amplia autonomia financeira do Banco Central e inclui proteção ao PIX na Constituição | Foto: Raphael Ribeiro/BCB
10 de junho de 2026 – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (10), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que amplia a autonomia financeira, orçamentária, administrativa e técnica do Banco Central. O texto foi aprovado em votação simbólica e ainda precisa ser analisado pelo plenário do Senado, em dois turnos, antes de seguir para a Câmara dos Deputados.
A proposta define o Banco Central como uma “entidade pública de natureza especial”, sem vinculação a ministério ou órgão da administração pública federal. Na prática, o texto busca retirar o BC do Orçamento da União e garantir orçamento próprio para a autoridade monetária.
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O principal ponto de divergência entre o governo e o relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), está na natureza jurídica do Banco Central. O parecer aprovado classifica a instituição como entidade pública de natureza especial.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apresentou emenda para manter o BC como autarquia federal de natureza especial, mas a sugestão foi rejeitada pelo relator.
“Eu não estou querendo colocar procrastinação. Eu trouxe uma demanda do próprio ministro da Fazenda. Ele me fez essa demanda e eu acho que a gente pode abrir esse espaço, uma vez votado e aprovado aqui”, afirmou Wagner.
A proposta relatada por Plínio Valério prevê que o Banco Central possa realizar concursos e contratações conforme suas necessidades, sob supervisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) e da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Outro ponto incluído no relatório é a proteção constitucional ao PIX. Atualmente, o sistema de pagamentos instantâneos é regulado por normas infralegais do Banco Central. O parecer aprovado prevê a gratuidade para pessoas físicas e proíbe privatização, concessão ou transferência da gestão do sistema a qualquer ente que não seja o próprio BC.
Plínio Valério defendeu a inclusão do mecanismo na Constituição como forma de garantir soberania e inclusão financeira.
“O PIX que é esse patrimônio histórico nacional vai estar contido na Constituição brasileira. Isso que a gente fez aqui é história. O cidadão comum tenha a certeza de que ele jamais será taxado”, afirmou o relator.
A aprovação da PEC dividiu entidades ligadas aos servidores do Banco Central. A Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB) avaliou que o avanço da proposta representa fortalecimento institucional da autoridade monetária.
“Quando fortalecemos institucionalmente o Banco Central, quem ganha é toda a sociedade. A proposta contribui para preservar serviços essenciais, estimular a inovação no sistema financeiro e criar condições para que a autoridade monetária continue cumprindo seu papel com excelência”, afirmou Thiago Cavalcanti, presidente da ANBCB.
Já o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) criticou o formato atual da PEC e defendeu a emenda apresentada pelo governo.
“A linha adotada pela governo na Emenda 26, do Senador Jaques Wagner, nos parece um bom caminho, mantém o BC como autarquia de direito público e soluciona os problemas de orçamento sem colocar o Banco Central em risco de captura por interesses privados e externos. A emenda do governo dá mais autonomia a instituição, sem colocá-la em risco. A maioria dos servidores do Banco Central é contra a mudança do regime jurídico da autoridade monetária”, afirmou o Sinal.
Gestores do Banco Central divulgaram carta aberta em apoio ao relatório de Plínio Valério. No documento, defendem que a instituição precisa de recursos humanos e orçamentários adequados para preservar serviços essenciais, incluindo o PIX.
Segundo dados citados no debate, o número de servidores do Banco Central caiu de 5.072 para 3.311 em 20 anos. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou em comissão no Senado que a redução ocorreu principalmente por aposentadorias.
O Congresso aprovou, em 2021, a autonomia operacional do Banco Central. Desde então, o presidente e os oito diretores da instituição passaram a ter mandatos fixos de quatro anos, com estabilidade contra demissões por motivações políticas.
A PEC 65/2023 trata de outra etapa: a autonomia financeira e orçamentária. Se aprovada em definitivo, a proposta cria um regime jurídico próprio para o Banco Central, com novas regras de orçamento, concursos, contratações e supervisão institucional.
A tramitação, no entanto, ainda não terminou. Após a aprovação na CCJ, o texto seguirá ao plenário do Senado, onde precisará ser aprovado em dois turnos. Em seguida, caso avance, será enviado à Câmara dos Deputados.
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