
Banco Central lança duplicata escritural, novo sistema digital que promete mais segurança e facilidade no acesso ao crédito para empresas | Foto: Adriano Machado/Reuters
30 de junho de 2026 – O mercado de crédito para empresas brasileiras passará por uma nova etapa de digitalização com o lançamento da duplicata escritural, apresentada oficialmente nesta terça-feira (30) pelo Banco Central (BC).
A ferramenta funciona como uma versão totalmente digital da duplicata tradicional, usada em vendas a prazo entre empresas. O sistema está em fase de testes e terá adoção gradual até junho de 2028.
Com o novo modelo, todo o ciclo do título — da emissão ao pagamento, negociação ou uso como garantia — poderá ser registrado eletronicamente em sistemas autorizados pelo Banco Central.
A mudança tem como objetivo tornar as operações mais seguras, reduzir fraudes e facilitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenas e médias empresas.
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A duplicata é um documento que representa uma dívida de uma empresa compradora com uma empresa vendedora. Ela costuma ser usada em operações comerciais com pagamento futuro.
Antes da digitalização, parte dessas transações dependia de documentos físicos, registros separados e processos manuais. Esse modelo aumentava o risco de informações desencontradas, duplicidade de recebíveis e dificuldades para comprovar a existência do crédito.
Com a duplicata escritural, os dados passam a ser registrados em ambiente eletrônico, permitindo acompanhar todo o histórico do título.
Na prática, o sistema deve oferecer mais transparência nas operações, rastreamento dos recebíveis, redução de fraudes, maior segurança para bancos e empresas e processos mais rápidos e organizados.
Para pequenas e médias empresas, a duplicata escritural pode melhorar as condições de acesso a financiamentos.
Ao apresentar recebíveis registrados digitalmente, as empresas poderão ter mais facilidade para antecipar valores que receberiam no futuro ou oferecer esses créditos como garantia em operações financeiras.
O novo sistema também tende a ajudar instituições financeiras a avaliar melhor os riscos, já que permitirá analisar com mais precisão a origem, a validade e a situação dos recebíveis.
Segundo os dados apresentados, o mercado envolvido nas operações com duplicatas é estimado em R$ 11 trilhões.
A expectativa é que cerca de 2 milhões de empresas emissoras de duplicatas sejam alcançadas pelo novo sistema.
Entre elas, estão aproximadamente 18 mil grandes empresas consideradas sacadoras.
Os números indicam o tamanho do impacto potencial da duplicata escritural na rotina financeira das empresas e no mercado de crédito brasileiro.
A adoção do novo sistema será feita em etapas. Antes da obrigatoriedade, haverá uma fase de testes para validar o funcionamento do ecossistema digital.
As empresas de grande porte terão adesão obrigatória a partir de junho de 2027.
As empresas médias deverão aderir até dezembro de 2027.
Já as pequenas empresas passarão a utilizar obrigatoriamente o sistema a partir de junho de 2028.
O Banco Central afirma que o novo modelo deve reduzir problemas comuns no mercado de recebíveis, como a negociação do mesmo crédito mais de uma vez ou a dificuldade para verificar se uma dívida realmente existe.
Com o registro digital, bancos, fundos e empresas poderão consultar informações sobre a situação de cada duplicata.
Apesar dos avanços, especialistas destacam que a tecnologia não elimina todos os riscos. As empresas continuarão precisando manter controles internos, documentos fiscais corretos e organização financeira.
A duplicata escritural exigirá integração entre áreas financeiras, fiscais, comerciais e jurídicas das empresas.
Será necessário garantir que notas fiscais, pagamentos, contratos e registros digitais estejam alinhados para evitar inconsistências e facilitar o uso dos recebíveis em operações de crédito.
A ferramenta representa mais um passo na modernização do sistema financeiro brasileiro e pode ampliar a concorrência entre financiadores.
Com mais transparência e segurança, a expectativa é que o mercado de crédito se torne mais acessível para empresas de diferentes portes, especialmente aquelas que dependem da antecipação de recebíveis para manter o fluxo de caixa.
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