

Com o crescimento das campanhas publicitárias nas redes sociais, contratos entre criadores, marcas e agências ganham importância para definir entregas, remuneração, uso de imagem, exclusividade e direitos sobre o conteúdo. | Foto: GettyImages
13 de setembro de 2026 – O Brasil reuniu 2,1 milhões de influenciadores digitais em 2025, segundo levantamento da plataforma Influency.me. O número representa a expansão de um mercado que deixou de ser associado apenas ao entretenimento e passou a ocupar espaço estratégico na comunicação e na publicidade de empresas. Em apenas um ano, aproximadamente 100 mil novos criadores de conteúdo entraram no segmento.
O crescimento do setor movimenta marcas, plataformas digitais, agências especializadas e investimentos em campanhas publicitárias. Ao aproximarem empresas de seus públicos e estabelecerem uma comunicação mais direta com as audiências, os influenciadores passaram a exercer papel relevante nas estratégias de marketing.
De acordo com a edição 2025 da pesquisa Data-Marketing Leaders, 75% das empresas já utilizam o marketing de influência em suas estratégias. O levantamento também aponta que parte das companhias pretende ampliar os investimentos no segmento nos próximos anos.
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Com a profissionalização do mercado de influência digital, a formalização das parcerias comerciais se tornou um dos pontos que exigem maior atenção dos criadores de conteúdo. O contrato pode estabelecer direitos, deveres e responsabilidades de influenciadores, marcas e agências, além de definir as condições da campanha.
Entre os itens que podem ser detalhados no documento estão entregas, prazos, remuneração, aprovação de conteúdo, uso de imagem e material produzido, exclusividade e condições para cancelamento.
“O contrato é importante porque transforma uma boa conversa em um compromisso claro para os dois lados. A confiança é essencial, mas não substitui a definição objetiva do que será entregue, em que prazo, por qual valor e de que maneira o conteúdo poderá ser utilizado. Para o criador, o contrato protege a remuneração, a autoria e o uso da própria imagem. Para a marca, garante clareza sobre entregas, prazos, aprovações e responsabilidades”, explica a advogada especialista em direito digital Filomena Maciel.
Segundo a especialista, a formalização também contribui para prevenir conflitos relacionados a pedidos extras, mudanças no conteúdo originalmente combinado, cláusulas de exclusividade, cancelamentos e utilização de campanhas depois do fim da parceria.
“Assinar um contrato não é sinal de desconfiança; é uma forma de preservar a relação e dar segurança para que todos cumpram exatamente o que foi combinado”, complementa.
Outro aspecto importante para os influenciadores é a autorização para utilização do conteúdo produzido durante uma campanha. Dependendo da negociação, marcas e agências podem solicitar permissão para reutilizar vídeos e imagens em anúncios, redes sociais, sites, materiais institucionais ou outras plataformas.
Por isso, a orientação é que o contrato estabeleça de forma objetiva onde o material poderá ser utilizado, por quanto tempo e em quais formatos. Quando aplicável, o documento também pode especificar permissões para impulsionamento de publicações, veiculação de anúncios, utilização em sites e materiais institucionais e compartilhamento com terceiros.
Filomena Maciel destaca que essa é uma das cláusulas que merecem atenção especial, já que o conteúdo e a imagem do influenciador podem continuar gerando valor para a empresa mesmo depois do encerramento da campanha.
“A marca poderá editar o conteúdo? Reutilizá-lo? Associá-lo a outras campanhas? Essas possibilidades precisam estar previstas. Cada uma delas pode representar uma extensão do uso inicialmente negociado e, consequentemente, exigir uma remuneração diferente”, destaca.
A advogada também recomenda que os criadores evitem autorizações genéricas, sem prazo determinado ou sem delimitação dos canais em que o material poderá ser utilizado. Na avaliação da especialista, cláusulas muito amplas podem permitir uma utilização maior do que aquela inicialmente prevista, sem uma remuneração proporcional.
Com a expansão do marketing de influência, compreender os aspectos jurídicos das parcerias comerciais passou a fazer parte da rotina profissional dos criadores de conteúdo.
A formalização dos acordos pode reduzir riscos de conflitos e estabelecer parâmetros mais claros para a relação entre influenciadores, marcas e agências. Além de definir as obrigações de cada parte, contratos bem estruturados ajudam a estabelecer limites para o uso da imagem e do conteúdo produzido.
Sobre Filomena Maciel
Filomena Maciel tem 29 anos de atuação na advocacia e é especialista em marketing digital. É membro atuante do BNI Ceará, sócia-fundadora do Maciel Advogados e host e criadora do podcast “Filomena Legalmente Digital”.
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