

Pesquisadores investigam vestígios de uma moradia de aproximadamente 16.800 anos na caverna de La Garma, na Espanha. O desmoronamento de um antigo acesso ajudou a preservar ferramentas, ossos de animais, adornos e objetos do cotidiano de grupos de caçadores-coletores | Foto: Reprodução/Museo Arqueológico Nacional de España
27 de outubro de 2026 – Uma moradia construída há cerca de 16.800 anos permaneceu preservada no interior de uma caverna no norte da Espanha após um desmoronamento natural bloquear seu acesso. A descoberta, realizada no complexo arqueológico de La Garma, na região da Cantábria, permitiu aos pesquisadores identificar milhares de objetos utilizados por grupos de caçadores-coletores durante a Idade da Pedra.
Entre os vestígios encontrados estão ferramentas de pedra, ossos de animais, instrumentos de caça, agulhas, conchas marinhas e objetos de uso pessoal. O local também preservou uma pequena fogueira e a disposição de materiais deixados pelos antigos moradores.
Os resultados iniciais da investigação foram apresentados pela Universidade de Cantábria em dezembro de 2023. Em setembro de 2026, a instituição divulgou avanços nas técnicas de documentação e estudo do sítio arqueológico, que permitem examinar os objetos sem comprometer sua conservação.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A estrutura habitacional identificada na galeria inferior de La Garma possuía formato oval e ocupava uma área aproximada de cinco metros quadrados.
O espaço era delimitado por pedras e estalagmites, elementos que ajudavam a sustentar uma cobertura construída com madeira e peles de animais, apoiada na parede da caverna.
No centro da moradia, os pesquisadores identificaram vestígios de uma pequena fogueira, utilizada pelos habitantes durante a ocupação do abrigo.
A distribuição dos materiais encontrados ao redor indica que o local era utilizado para diferentes atividades cotidianas, como o processamento de animais caçados, a fabricação de ferramentas e o trabalho com peles.
Os arqueólogos documentaram 4.614 vestígios associados à moradia, formando um conjunto de informações sobre a vida dos grupos humanos que ocuparam a região há milhares de anos.
Entre os materiais identificados estão ossos de cervos, cavalos e bisões, além de aproximadamente 600 peças de sílex, uma rocha utilizada na fabricação de instrumentos cortantes.
Também foram encontrados utensílios de caça, agulhas e conchas marinhas, que ajudam a compreender as atividades desenvolvidas pelos antigos habitantes.
Um dos objetos que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi um osso de uro, espécie extinta de bovino selvagem, que apresenta gravuras representando o próprio animal e um rosto humano.
A presença de pingentes também indica que os moradores utilizavam adornos pessoais, além dos instrumentos necessários à sobrevivência.
A conservação dos materiais foi favorecida por um desmoronamento natural que bloqueou um dos antigos acessos à galeria inferior da caverna.
O isolamento restringiu a circulação de pessoas e animais, reduzindo as alterações que poderiam ocorrer no ambiente ao longo de milhares de anos.
Dessa forma, parte dos vestígios permaneceu praticamente na mesma disposição em que foi deixada pelos habitantes pré-históricos.
Essa característica torna o sítio especialmente importante para os estudos arqueológicos, porque permite analisar não apenas os objetos encontrados, mas também sua relação com os espaços utilizados pelos antigos moradores.
Desde a descoberta da galeria, em 1995, os pesquisadores utilizam métodos especiais para documentar os materiais preservados em La Garma.
Entre as técnicas empregadas estão fotografias de alta resolução e escaneamentos tridimensionais, que permitem registrar a posição dos objetos e produzir representações digitais do ambiente sem a necessidade de removê-los.
Em setembro de 2026, a Universidade de Cantábria informou que essas ferramentas possibilitaram documentar mais de 4.600 vestígios da estrutura habitacional durante 18 meses de trabalho.
Os procedimentos contribuem para ampliar o conhecimento sobre o sítio e, ao mesmo tempo, preservar os materiais arqueológicos para pesquisas futuras.
O complexo arqueológico de La Garma integra o Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Além da moradia pré-histórica, o local reúne pinturas rupestres e registros de diferentes períodos da ocupação humana.
Mais de 213 mil peças já foram inventariadas no sítio arqueológico, que continua sendo investigado por especialistas.
A preservação excepcional dos vestígios transforma La Garma em uma importante fonte de informações sobre os hábitos, as técnicas e a organização dos grupos humanos que viveram na Europa durante a Idade da Pedra.
Leia também | Enem 2026 divulga locais de prova; veja como consultar
Tags: Arqueologia, Descoberta arqueológica, La Garma, Caverna de La Garma, Espanha, Cantábria, Idade da Pedra, Pré-história, Moradia pré-histórica, Casa de 16 mil anos, Caçadores-coletores, Paleolítico, Paleolítico Superior, História da humanidade, História antiga, Desmoronamento natural, Preservação arqueológica, Vestígios arqueológicos, Ferramentas de pedra, Sílex, Ossos de animais, Cervos, Cavalos, Bisões, Uro, Arte pré-histórica, Gravuras antigas, Pinturas rupestres, Adornos pessoais, Pesquisa científica, Universidade de Cantábria, Unesco, Patrimônio Mundial, Patrimônio arqueológico, Tecnologia 3D, Escaneamento tridimensional, Fotografia de alta resolução, Conservação do patrimônio, Ciência, Pesquisa e Inovação, Descobertas científicas, Europa, Portal Terra Da Luz
O presidente Lula criticou a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota na eleição presidencial de 2026. Durante evento no Palácio da Alvorada, o petista classificou a atitude como vergonhosa e questionou o descumprimento da ordem judicial que determinou a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal | Foto: Adriano Machado e Brian Snyder/Reuters