

Mortes violentas intencionais caíram no Brasil em 2025, mas dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam alta em sete estados. Maranguape, no Ceará, é lider na estatística | Foto: reprodução
23 de julho de 2026 – As mortes violentas intencionais caíram 8,2% no Brasil em 2025, na comparação com o ano anterior. Apesar da redução nacional, sete unidades da federação registraram aumento nesse tipo de ocorrência. O estado do Ceará tem 3 municípios na lista dos 10 mais violentos do país.
Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Ao longo de 2025, o país registrou 40.775 mortes violentas intencionais. A taxa nacional ficou em 19,1 mortes por 100 mil habitantes, o menor patamar em 13 anos.
A categoria reúne vítimas de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço ou fora dele.
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Além da redução de 8,2% em relação a 2024, o Brasil apresentou queda de 31% na comparação com 2012, primeiro ano da série histórica publicada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O recuo indica uma tendência nacional de diminuição da violência letal, embora o quadro ainda apresente fortes desigualdades regionais.
Mesmo com a melhora geral, o anuário mostra que a violência continua concentrada em determinados territórios, faixas etárias, perfis raciais e grupos sociais.
Apesar da queda nacional, sete unidades da federação registraram aumento nas taxas de mortes violentas intencionais em 2025.
São elas: Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
O maior crescimento ocorreu no Rio Grande do Norte, com alta de 19,6%. Em seguida aparecem Rondônia, com 7,5%; Acre, com 6,3%; Roraima e Distrito Federal, ambos com 5,8%; Mato Grosso do Sul, com 4,9%; e Rio de Janeiro, com 2,1%.
No Rio Grande do Norte, o avanço foi puxado principalmente pelo aumento dos homicídios dolosos, que passaram de 655 casos em 2024 para 843 em 2025.
Segundo o estudo, conflitos entre organizações criminosas, como Comando Vermelho, Sindicato do Crime e PCC, contribuíram para a elevação da violência no estado.
Ao analisar cada tipo criminal, o anuário aponta que o país registrou 32.914 homicídios dolosos em 2025.
A taxa nacional foi de 15,4 homicídios por 100 mil habitantes, com queda de 10% em relação a 2024.
Com esse resultado, o Brasil antecipou em dois anos o cumprimento da meta nacional de redução dos homicídios prevista na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para 2027.
O dado indica avanço no controle de homicídios, mas não elimina a necessidade de políticas públicas permanentes de prevenção, inteligência, investigação e redução das desigualdades.
Dentro da categoria de homicídios dolosos estão incluídos os feminicídios.
Em 2025, foram registradas 1.571 vítimas de feminicídio no Brasil, o que representa taxa de 1,4 caso por 100 mil mulheres.
O número cresceu 4% em relação ao ano anterior.
O dado chama atenção porque, mesmo em um cenário de queda das mortes violentas em geral, a violência letal contra mulheres apresentou aumento.
O crescimento reforça a necessidade de fortalecimento das políticas de prevenção, proteção, acolhimento e responsabilização nos casos de violência de gênero.
Algumas subcategorias também registraram queda entre 2024 e 2025.
Os latrocínios, roubos seguidos de morte, somaram 807 vítimas no ano passado, com taxa de 0,4 por 100 mil habitantes.
A redução foi de 17% em relação ao ano anterior.
Já os casos de lesão corporal seguida de morte totalizaram 659 vítimas, com taxa de 0,3 por 100 mil habitantes e queda de 15,2% na comparação com 2024.
Os números ajudam a compor o cenário de redução nacional da violência letal, embora o anuário aponte desafios persistentes em diferentes regiões do país.
O estudo também analisou a morte de policiais civis e militares em serviço ou fora dele.
Em 2025, foram registradas 139 mortes de policiais, com taxa de 0,27 caso para cada mil policiais da ativa.
O número representa queda de 3,5% em relação a 2024.
Por outro lado, as mortes decorrentes de intervenção policial, em serviço ou fora dele, somaram 6.602 registros no país.
Esse indicador apresentou aumento de 5,4% em relação ao ano anterior.
As mortes decorrentes de intervenção policial representaram 16,2% de todas as mortes violentas intencionais registradas no Brasil em 2025.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que a violência letal no Brasil tem alvos específicos.
Segundo os dados, 90% das vítimas de mortes violentas intencionais são homens.
Quando consideradas apenas as mortes decorrentes de intervenção policial, esse percentual sobe para 99,3%.
A violência também apresenta forte recorte racial. Pessoas negras representam 79,7% das vítimas de mortes violentas intencionais e 79,9% das vítimas de homicídio doloso.
Nas mortes decorrentes de intervenção policial, a proporção chega a 82% das vítimas.
A concentração das mortes violentas intencionais ocorre especialmente entre adolescentes, jovens e adultos jovens.
A faixa etária de 18 a 24 anos aparece como a mais afetada nas mortes violentas intencionais, nos homicídios dolosos e nas mortes decorrentes de intervenção policial.
Nesta última categoria, pessoas de 18 a 24 anos representam aproximadamente 36% das vítimas.
O dado reforça a importância de políticas públicas voltadas à juventude, com foco em educação, cultura, esporte, emprego, renda, mediação de conflitos e prevenção à violência.
Em Rondônia, o aumento das mortes violentas intencionais foi impulsionado principalmente pela letalidade policial.
As mortes decorrentes de intervenção policial saltaram de 8 ocorrências em 2024 para 47 em 2025.
O número representou 9,5% do total de mortes violentas intencionais no estado.
No Rio de Janeiro, a motivação para a alta também foi a letalidade policial, historicamente elevada.
Em 2025, as mortes decorrentes de intervenção policial chegaram a 20,5% de todas as mortes violentas intencionais do estado.
O ano foi marcado pela Operação Contenção, que deixou 122 mortos, sendo 117 civis e cinco agentes de segurança.
O anuário mostra que o Nordeste e o Norte continuam sendo as regiões com as maiores taxas de mortes violentas intencionais do país.
O Nordeste registrou taxa de 31,6 mortes por 100 mil habitantes, enquanto o Norte apresentou 25,3 por 100 mil habitantes.
Ambas as regiões ficaram acima da média nacional, de 19,1 mortes por 100 mil habitantes.
Além disso, o Nordeste concentra os dez municípios mais violentos do Brasil em 2025.
A Bahia aparece com cinco cidades no ranking. O Ceará tem três municípios, enquanto Pernambuco e Paraíba têm um município cada.
Entre os dez municípios mais violentos do Brasil em 2025 estão Maranguape, Maracanaú e Caucaia, todos no Ceará.
Também integram a lista Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro, na Bahia; Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco; e Santa Rita, na Paraíba.
A presença de três municípios cearenses no ranking reforça o desafio da segurança pública no Estado, especialmente em áreas metropolitanas e territórios marcados por disputas criminosas, vulnerabilidade social e circulação de armas.
A queda nacional das mortes violentas em 2025 representa um avanço importante, mas o cenário ainda exige atenção.
O aumento em sete estados, o crescimento dos feminicídios, a alta da letalidade policial e a concentração de vítimas entre homens jovens e pessoas negras mostram que a redução da violência depende de políticas integradas e contínuas.
O desafio envolve segurança pública, investigação criminal, controle de armas, prevenção social, proteção às mulheres, oportunidades para jovens e enfrentamento às desigualdades territoriais.
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