

Golpes ligados à Copa do Mundo 2026 crescem com uso de inteligência artificial, falsas promoções, Pix e venda irregular de ingressos e produtos oficiais | Foto: Reuters/Megan Varner
08 de junho de 2026 – As tentativas de fraude relacionadas ao futebol e à Copa do Mundo cresceram de forma expressiva no ciclo que antecede o Mundial de 2026, que começa nesta semana. Levantamento da NordVPN aponta que 34% dos brasileiros que usam internet relataram contato com golpes ligados ao tema em 2024 e 2025, quase o dobro dos 19% registrados antes da Copa de 2022.
O avanço ocorre em um cenário de maior sofisticação dos ataques digitais, impulsionados principalmente pelo uso de inteligência artificial generativa. A tecnologia reduziu o tempo necessário para a criação de páginas falsas, campanhas de phishing e abordagens personalizadas. Nos últimos três meses, as reclamações no Procon-SP relacionadas à Copa do Mundo cresceram oito vezes.
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A principal diferença entre os golpes de 2022 e os de 2026 está na velocidade de execução. Há quatro anos, criminosos precisavam de mais tempo e conhecimento técnico para montar sites fraudulentos e campanhas falsas. Agora, com ferramentas de inteligência artificial generativa acessíveis, esse processo pode ser feito em poucas horas.
“Hoje, com ferramentas de inteligência artificial generativa acessíveis a qualquer pessoa, esse ciclo caiu para poucas horas”, afirma Marcelo Souza, vice-presidente de Produto da Certta, empresa de verificação inteligente e soluções antifraude.
Além da rapidez, os golpes também ficaram mais personalizados. Criminosos utilizam dados vazados, como CPF, e-mail e histórico de compras, para criar abordagens direcionadas e aumentar a chance de enganar as vítimas.
Outra mudança importante está nos meios de pagamento. Se em 2022 cartões e boletos ainda predominavam, em 2026 o Pix passou a ocupar papel central nas fraudes relacionadas à Copa do Mundo.
Segundo Marcelo Souza, a instantaneidade das transferências dificulta a recuperação dos valores após a concretização do golpe.
“O Pix também muda a equação de forma bastante concreta. A instantaneidade e a irreversibilidade da transação eliminam a janela de reação”, destaca.
Os criminosos também criam marcas fictícias que se apresentam como parceiras oficiais do evento e se infiltram em grupos legítimos de colecionadores e torcedores para construir confiança antes de aplicar os golpes.
De acordo com a NordVPN, as redes sociais continuam sendo o principal caminho usado por golpistas para alcançar vítimas. O Instagram aparece em 51% dos casos, seguido por WhatsApp, com 48%; Facebook, com 35%; e TikTok, com 26%.
Entre as modalidades mais frequentes estão apostas ilegais, venda de ingressos falsos e comercialização de produtos falsificados. Também há registros de golpes envolvendo promoções falsas, sites clonados e ofertas com preços muito abaixo do mercado.
As fraudes relacionadas à Copa não se limitam ao ambiente digital. Segundo o Procon-SP, as reclamações específicas sobre figurinhas e álbuns do Mundial saltaram de zero em março para 34 em abril e 109 registros em maio.
Entre março e maio de 2026, o órgão registrou 238 reclamações relacionadas à Copa do Mundo. As principais ocorrências foram 115 casos de não entrega ou atraso, 34 casos de oferta não cumprida ou venda enganosa e 24 casos de produtos incompletos ou diferentes do anunciado.
As denúncias se concentram em anúncios enganosos, falsificações em marketplaces e negociações em grupos de mensagens.
Para Marcelo Souza, a popularização da inteligência artificial criou um novo desafio para consumidores e empresas: a dificuldade de distinguir conteúdos autênticos de materiais manipulados.
“Imagens, vídeos e documentos já não são sinônimo de verdade na internet, isso gera uma crise de confiança digital”, afirma.
Segundo ele, a proteção contra fraudes dependerá cada vez mais de sistemas avançados de autenticação, verificação de identidade e monitoramento de comportamento dos usuários.
“Se os cibercriminosos alteram suas táticas em questão de horas, por que muitas companhias ainda levam semanas ou meses para atualizar regras de prevenção?”, questiona.
“A confiança real se constrói na camada de identidade, no reconhecimento do usuário e na capacidade de reagir de forma proporcional quando algo foge do padrão”, conclui.
O Procon-SP recomenda que consumidores pesquisem a reputação da loja ou do vendedor antes de comprar, desconfiem de preços muito abaixo do mercado, verifiquem CNPJ, endereço e canais de atendimento, guardem anúncios, comprovantes e conversas, além de conferir prazo de entrega, política de troca e condições da oferta.
No caso de figurinhas e produtos colecionáveis, a orientação é verificar se o item é oficial e se há identificação clara do fornecedor. Em caso de problema, o consumidor deve registrar reclamação no Procon mais próximo.
Marcelo Souza também recomenda ignorar gatilhos de urgência, como contadores regressivos e promoções relâmpago, checar se o CNPJ do site condiz com o setor de varejo, verificar a data de criação do domínio e evitar páginas que aceitam apenas Pix como forma de pagamento.
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