

Hospital Cura d’Ars, em Fortaleza, realizou a primeira cirurgia robótica para tratamento de endometriose pelo SUS no Ceará. | Foto: divulgação
14 de setembro de 2026 – O Ceará realizou a primeira cirurgia robótica para tratamento de endometriose pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento foi feito no Hospital Cura d’Ars, da Rede São Camilo, em Fortaleza, por meio de uma parceria com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
A iniciativa permitiu que uma paciente tivesse acesso ao procedimento pela rede pública, enquanto o hospital disponibilizou a estrutura, o centro cirúrgico e a plataforma robótica. A cirurgia foi conduzida pela equipe médica da Clínica Salvatta, especializada no tratamento da endometriose.
A realização do procedimento representa um avanço na oferta de tratamentos de alta complexidade pelo SUS no Ceará e amplia o acesso a uma tecnologia utilizada em cirurgias minimamente invasivas.
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Na cirurgia robótica, o médico permanece no comando de todas as etapas do procedimento. Por meio de um console, os movimentos realizados pelo cirurgião são transmitidos aos braços do equipamento, que utiliza instrumentos articulados para auxiliar a intervenção.
A plataforma também proporciona visão ampliada e tridimensional do campo cirúrgico. Esses recursos podem contribuir para maior precisão em procedimentos que exigem uma dissecção cuidadosa, especialmente quando há estruturas próximas às áreas afetadas pela doença.
No caso da endometriose, a tecnologia pode ser utilizada como ferramenta de apoio em procedimentos de maior complexidade, sempre de acordo com a avaliação da equipe médica e as características de cada paciente.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Em casos mais avançados, as lesões podem atingir estruturas como intestino, bexiga, ureteres e outros órgãos da região pélvica.
Entre os sintomas estão dores intensas, alterações intestinais e urinárias e, em alguns casos, dificuldades relacionadas à fertilidade. O tratamento depende da avaliação individual e da extensão da doença.
Segundo Kathiane Lustosa, cirurgiã ginecologista e CEO da Clínica Salvatta, a cirurgia robótica pode representar um recurso importante diante da complexidade de determinados casos.
“A tecnologia oferece ao cirurgião uma visão ampliada e instrumentos com maior capacidade de articulação, mas é importante destacar que o robô é uma ferramenta sob comando da equipe médica e que a indicação depende sempre da avaliação individual de cada paciente”, afirma.
A realização da cirurgia também evidencia a importância da integração entre o poder público e instituições hospitalares para ampliar o acesso da população a procedimentos de alta complexidade.
Nesse modelo, a Sesa viabiliza o atendimento pelo SUS, enquanto a estrutura hospitalar permite a realização da cirurgia com o uso da plataforma robótica e de uma equipe capacitada.
“A parceria permitiu unir a estrutura e a tecnologia disponíveis no hospital à assistência pública, oferecendo uma alternativa de tratamento que, até então, tinha acesso mais restrito”, disse Kathiane Lustosa.
A cirurgia robótica não substitui a atuação do médico e não é indicada para todos os casos de endometriose. A escolha da técnica considera fatores como localização e extensão das lesões, condições clínicas da paciente e avaliação da equipe responsável.
A indicação individualizada é fundamental para garantir a segurança e a adequação do tratamento. Com o procedimento, o Hospital Cura d’Ars reforça sua atuação em procedimentos de alta complexidade e no uso de tecnologia aplicada à assistência em saúde.
Inaugurado em 1972, o Hospital Cura d’Ars, da Rede São Camilo, atua na área da saúde no Ceará e reúne estrutura hospitalar, atendimento humanizado e recursos tecnológicos, incluindo a cirurgia robótica.
Com 24 mil metros quadrados e mais de 16 especialidades, a unidade possui certificação ONA Nível 3, voltada à excelência e à segurança assistencial.
Mais informações estão disponíveis em saocamilofortaleza.org.br.
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