

Investigação da Polícia Federal aponta supostas viagens internacionais pagas ao senador Ciro Nogueira pelo banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: imagem produzida com IA
09 de maio de 2026 – A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro teria financiado ao menos três viagens internacionais do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas. As informações fazem parte das investigações da Operação Compliance Zero, que apura supostos repasses de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e empresários ligados ao Banco Master.
Segundo a investigação, as viagens teriam ocorrido entre 2024 e 2025 e incluiriam hospedagens em hotéis de luxo, jantares em restaurantes de alto padrão e até despesas pessoais pagas pelo banqueiro.
A PF afirma ter reunido provas como registros de viagens, mensagens e comprovantes bancários após análise de celulares apreendidos na primeira fase da operação, realizada em novembro de 2025.
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De acordo com a Polícia Federal, uma das viagens ocorreu em abril de 2024, em Paris. Imagens da viagem foram publicadas nas redes sociais da filha do senador, Maria Eduarda Nogueira.
A investigação aponta ainda que, em maio do mesmo ano, Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro viajaram juntos para Nova York. Segundo os investigadores, despesas com hotel de luxo e jantares teriam sido custeadas pelo banqueiro.
Já em janeiro de 2025, os dois teriam viajado para Courchevel, nos Alpes Franceses. A PF suspeita que Vorcaro também tenha bancado roupas de frio utilizadas pelo senador durante a viagem.
Segundo os investigadores, os benefícios oferecidos ao senador teriam ocorrido em troca de atuação política favorável aos interesses do banqueiro no Congresso Nacional.
A investigação também envolve a empresa CNFL, administrada por Raimundo Neto Nogueira, irmão do senador. A filha de Ciro Nogueira, Maria Eduarda Nogueira, aparece como sócia da empresa.
Na quinta-feira (7), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão das atividades da empresa. Raimundo Neto Nogueira foi alvo de buscas e passou a usar tornozeleira eletrônica.
Segundo a PF, a empresa teria sido utilizada para lavagem de dinheiro e recebimento de repasses provenientes de empresas ligadas a Daniel Vorcaro.
Os investigadores afirmam que a CNFL teria recebido depósitos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil destinados ao senador.
Outro ponto investigado envolve depósitos em dinheiro vivo realizados por Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, funcionário ligado ao senador. Segundo a PF, foram identificados 265 depósitos em espécie, somando R$ 3,5 milhões, em contas de empresas relacionadas à família de Ciro Nogueira.
A defesa de Ciro Nogueira negou que Daniel Vorcaro tenha financiado viagens ou despesas pessoais do senador e de seus familiares.
Os advogados confirmaram apenas o encontro entre Ciro Nogueira e Vorcaro em Nova York, mas afirmaram que as despesas da viagem foram pagas pelo próprio senador.
Sobre os depósitos realizados por Bernardo Rodrigues, a defesa alegou que os valores seriam provenientes de vendas de uma loja de motos e que existem documentos capazes de comprovar a origem dos recursos.
Em nota, o senador afirmou que estaria sendo alvo de tentativa de perseguição política e declarou confiar no devido processo legal para comprovar sua inocência.
“Há uma tentativa de manchar minha honra pessoal”, afirmou Ciro Nogueira.
O caso também aumenta a pressão sobre uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, atualmente em análise pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo investigadores, a proposta apresentada até o momento não trouxe informações consideradas relevantes para o avanço das investigações.
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