

Plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, durante sessão marcada por debates sobre as relações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos | Foto: REUTERS/Yves Herman/File Photo
21 de janeiro de 2026 — O Parlamento Europeu decidiu suspender a análise do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, em resposta direta às pressões do presidente norte-americano, Donald Trump, pela aquisição da Groenlândia e às ameaças de impor tarifas a países aliados que rejeitem o plano.
A assembleia europeia vinha debatendo propostas para reduzir ou eliminar tarifas de importação da UE sobre diversos produtos dos EUA, um dos pilares do acordo firmado em Turnberry, na Escócia, no fim de julho. Entre os pontos em discussão estavam a manutenção de tarifa zero para lagostas americanas, medida inicialmente acertada em 2020, ainda durante o primeiro mandato de Trump.
Para entrar em vigor, as propostas precisam da aprovação do Parlamento Europeu e dos governos dos países do bloco. No entanto, o avanço das negociações foi interrompido após novas ameaças tarifárias feitas pela Casa Branca, interpretadas por eurodeputados como uma quebra de confiança.
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Parlamentares europeus já vinham manifestando preocupação com o que consideram um acordo comercial desequilibrado. Pelo texto em debate, a UE reduziria a maior parte de suas tarifas, enquanto os Estados Unidos manteriam uma taxa ampla de cerca de 15% sobre produtos europeus.
Apesar das ressalvas, havia disposição para aprovar o pacto com salvaguardas, como uma cláusula de caducidade de 18 meses e mecanismos de resposta a eventuais aumentos abruptos das importações americanas. A escalada retórica de Trump, contudo, mudou o cenário político.
O Comitê de Comércio do Parlamento Europeu deveria definir sua posição em votações previstas para os dias 26 e 27 de janeiro, mas o cronograma foi adiado. Em coletiva de imprensa, o presidente do comitê, Bernd Lange, afirmou que as novas ameaças tarifárias “romperam o espírito do acordo de Turnberry”, levando à suspensão das tratativas por tempo indeterminado.
O congelamento do acordo pode irritar Washington e abrir caminho para tarifas mais elevadas por parte dos EUA. O governo Trump, por sua vez, já sinalizou que não fará concessões adicionais — como cortes tarifários sobre bebidas alcoólicas ou aço — antes que o acordo esteja plenamente em vigor.
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Tags: Parlamento Europeu, União Europeia, Estados Unidos, Donald Trump, Groenlândia, acordo comercial UE-EUA, tarifas de importação, política internacional, relações diplomáticas, comércio exterior, geopolítica, economia internacional, tensões comerciais, Estrasburgo, Reuters, Portal Terra Da Luz