

Polícia investiga ONG ligada a Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do filme de Bolsonaro por suspeita de desvio em contrato de wi-fi com a Prefeitura de SP | Montagem/reprodução/redes sociais
01 de junho de 2026 – A Polícia Civil de São Paulo realiza, nesta segunda-feira (01/06), uma operação contra a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), suspeita de fraude em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi gratuito na cidade. O acordo inicial era de R$ 108 milhões, mas, segundo a investigação, subiu para R$ 157,1 milhões após aditivos.
O instituto pertence à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP Entertainment Ltd, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com a reportagem original, a ONG e a produtora funcionam no mesmo endereço.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A operação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Karina Ferreira da Gama e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, pasta responsável pelo contrato entre a gestão municipal e a ONG.
A investigação é conduzida pela 2ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), vinculada ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
Segundo o inquérito, pelo menos R$ 26 milhões teriam sido usados pela ONG sem a devida prestação do serviço à cidade de São Paulo, o que pode configurar desvio de recursos públicos.
O contrato com a Prefeitura de São Paulo previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito na periferia até junho de 2025. No entanto, segundo a investigação, apenas 3.200 pontos foram instalados até o momento citado pela reportagem.
A Polícia Civil aponta ainda que a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia teria repassado valores mensais à ONG sem a instalação integral dos pontos contratados. O inquérito afirma que houve antecipação de pagamentos de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação.
“Embora o cronograma original impusesse a entrega de 5.000 pontos de conectividade até o mês de junho de 2025, a entidade instalou apenas 3.200 pontos. Para ocultar a mora e legitimar o atraso reiterado, foram celebrados três termos aditivos em curtíssimos intervalos de dias”, afirma o documento da investigação.
O inquérito também levanta suspeitas sobre a origem da contratação. De acordo com a Polícia Civil, o Instituto Conhecer Brasil teria sido o único participante do chamamento público, apesar de não apresentar histórico de atuação no setor de telecomunicações.
“O primeiro elemento de suspeita reside no próprio direcionamento do chamamento público, o qual contou com a participação exclusiva do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que, conforme apurado, não ostentava qualquer histórico de atuação, experiência anterior ou capacidade técnica no setor de telecomunicações, limitando seu histórico operacional a feiras de livros e eventos de natureza literária ou religiosa”, diz o delegado responsável pela investigação.
A polícia também afirma que os valores cobrados pela ONG estavam acima dos praticados no mercado e em contratos anteriores da própria administração municipal.
“Evidenciou-se flagrante discrepância de valores em comparação com os parâmetros de mercado e contratações pretéritas. Enquanto a Prodam, empresa pública municipal de tecnologia de São Paulo, prestava serviços idênticos pelos custos de R$ 230,00 para implantação por ponto e R$ 306,00 para manutenção mensal por ponto, o acordo firmado com o Instituto Conhecer Brasil estipulou o pagamento fixo mensal de R$ 1.800,00 por ponto de internet instalado, gerando um custo injustificadamente superior para a municipalidade”, declarou.
Além da Polícia Civil, o Instituto Conhecer Brasil também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo. Reportagem do g1 apontou que a ONG teria apresentado ao menos R$ 4 milhões em notas fiscais canceladas ou emitidas para si própria para justificar despesas do contrato.
Um dos casos citados envolve uma nota fiscal de R$ 2 milhões emitida pela empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., contratada pela ONG. Segundo a apuração, o documento foi cancelado no mesmo dia em que foi emitido, mas teria sido incluído na prestação de contas apresentada à Prefeitura.
Por meio de nota, a Complexsys informou que acompanha a investigação com serenidade e que atua como prestadora de serviços do Instituto Conhecer Brasil. A empresa afirmou ainda que, até o momento, não há conclusões definitivas que justifiquem qualquer juízo de responsabilidade e que permanece à disposição das autoridades.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou, em mensagem enviada à GloboNews, que a gestão municipal está à disposição para auxiliar nas investigações.
“Não constatamos nada de irregular no processo, mas estamos a disposição para colaborar, como já vem sendo feito. Se por acaso tiver a identificação de alguma irregularidade obviamente tomaremos todas as providências de forma rigorosa”, afirmou o prefeito.
A Prefeitura de São Paulo já havia negado irregularidades no contrato e declarado que não há relação entre a contratação do Instituto Conhecer Brasil e a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A reportagem original informou que procurou a ONG para comentar a operação, mas não recebeu retorno até a última atualização.
Leia também | Petrobras reduz preço do diesel a partir desta segunda
Tags: Portal Terra Da Luz, Instituto Conhecer Brasil, Karina Ferreira da Gama, Go UP Entertainment, Dark Horse, Jair Bolsonaro, Prefeitura de São Paulo, Ricardo Nunes, Polícia Civil de São Paulo, Ministério Público de São Paulo, DPPC, DICCA, contrato público, wi-fi gratuito, fraude em contrato, desvio de recursos públicos, Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, Prodam, notas fiscais canceladas, prestação de contas, ONG, organização social, administração pública, corrupção, lavagem de dinheiro, busca e apreensão, Avenida Paulista, Hadock Lobo, São Paulo, política nacional, investigação policial, recursos públicos, contrato milionário, filme de Bolsonaro, CNN Brasil, g1, TV Globo, GloboNews