

O equipamento reconhece odores suspeitos com base em inteligência artificial e promete precisão de 98% | Foto: divulgação/UFPE
20 de outubro de 2025 – Em meio ao aumento de casos de intoxicação por metanol devido a bebidas adulteradas, pesquisadores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) criaram um nariz eletrônico capaz de identificar a presença de substâncias tóxicas em bebidas alcoólicas. O equipamento reconhece odores suspeitos com base em inteligência artificial e promete precisão de 98%.
Com apenas uma gota da bebida, o dispositivo é capaz de transformar os aromas em dados, que alimentam um sistema de inteligência artificial (IA) treinado para reconhecer a “assinatura” olfativa de cada amostra. “O nariz eletrônico transforma aromas em dados. Esses dados alimentam a IA, que aprende a reconhecer o cheiro característico de cada bebida”, explica o professor Leandro Almeida, do Centro de Informática da UFPE.
O processo de calibração envolve apresentar ao sistema amostras autênticas de bebidas e, em seguida, versões adulteradas. A leitura dos aromas é feita em até 60 segundos, detectando não apenas metanol, mas qualquer tipo de adulteração — inclusive diluições em água.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A tecnologia nasceu originalmente para o setor de petróleo e gás, com o objetivo de avaliar o odorizante do gás natural — o cheiro adicionado ao gás de cozinha para detectar vazamentos. “Essa pesquisa começou há 10 anos para avaliar o odorizante do gás natural”, detalha Almeida.
Com o avanço das pesquisas, o nariz eletrônico mostrou potencial para aplicações muito além das bebidas. O dispositivo pode identificar adulterações em alimentos e até auxiliar hospitais na detecção de micro-organismos pelo cheiro. “É possível avaliar a qualidade de um café, de carnes ou pescados”, exemplifica o pesquisador. Indústrias alimentícias já estudam o uso do equipamento para verificar, por exemplo, a qualidade do óleo de soja utilizado na produção de margarinas.
A equipe da UFPE também busca tornar a tecnologia acessível ao público. Entre as ideias em estudo estão tótens instalados em bares, restaurantes e adegas, permitindo que os clientes testem as bebidas, e versões portáteis do equipamento para que os próprios fabricantes verifiquem a autenticidade dos produtos oferecidos ao consumidor.
Outra proposta é o desenvolvimento de uma “canetinha” eletrônica, voltada para o uso individual. “Já temos o desenho de um dispositivo portátil para que o próprio cliente possa consultar a autenticidade de sua bebida ou alimento”, revela Almeida.
Por enquanto, o nariz eletrônico foi testado apenas em laboratório. Para que possa chegar ao mercado, ainda são necessários testes em ambientes reais e um investimento estimado em R$ 10 milhões.
O projeto foi apresentado no Rec’n’Play 2025, festival de inovação e tecnologia realizado no Porto Digital, em Recife.
Leia também | Governo Federal anuncia investimento de R$ 108 milhões para fortalecer cursinhos populares em 2026
Tags: UFPE, inovação brasileira, tecnologia, bebidas adulteradas, metanol, segurança alimentar, inteligência artificial, pesquisa científica, Recife, Rec’n’Play, Universidade Federal de Pernambuco, nariz eletrônico, saúde pública, controle de qualidade, bebidas alcoólicas, alimentos, segurança do consumidor, tecnologia nacional, pesquisa universitária, engenharia eletrônica, IA aplicada, ciência e inovação, startups brasileiras, economia criativa, sustentabilidade, prevenção de intoxicações