

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou análise técnica urgente sobre possíveis conteúdos desinformativos no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. | Foto: Luiz Roberto/TSE
12 de outubro de 2026 – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (12) que a área técnica da Corte analise, com “máxima urgência”, possíveis casos de desinformação no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. O caso provocou uma disputa de decisões judiciais no tribunal durante o período eleitoral.
A análise foi encaminhada à Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE, que deverá reunir informações técnicas para auxiliar na avaliação de eventuais riscos à integridade do processo eleitoral.
Entre os pontos que deverão ser investigados estão a possível circulação de conteúdos semelhantes em outras plataformas digitais e a existência de ações coordenadas para disseminar as publicações.
“Solicita-se, especialmente, que a unidade informe se identificou a circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes àqueles examinados nestes autos, inclusive em outros canais e plataformas digitais, bem como eventual atuação coordenada destinada à sua disseminação”, escreveu Nunes Marques.
O ministro também solicitou informações sobre eventuais medidas já adotadas pela assessoria em relação ao canal.
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Nunes Marques convidou os coordenadores das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para uma reunião nesta terça-feira (13). O encontro deverá discutir as condutas das campanhas no segundo turno das eleições.
A disputa judicial envolvendo o canal provocou críticas dos dois grupos políticos e gerou divergências em torno das decisões tomadas no âmbito da Justiça Eleitoral.
No domingo (11), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu os efeitos da decisão de Nunes Marques que havia determinado a interrupção do canal “Exército do Lula” no WhatsApp. Com isso, o funcionamento foi restabelecido provisoriamente.
A decisão inicial de suspensão havia sido tomada após solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro e provocou questionamentos dentro do próprio TSE.
Ao autorizar a retomada do canal, Cueva estabeleceu, porém, que não poderão ser publicados conteúdos falsos que já tenham sido analisados pela Justiça Eleitoral. O descumprimento dessa determinação poderá resultar em uma nova suspensão.
“Entendo que a preservação da liberdade de expressão e a necessidade de evitar restrições mais amplas do que aquelas estritamente justificadas pelos elementos disponíveis recomendam a apreciação imediata da questão pelo Plenário desta Corte”, justificou o corregedor-geral.
O presidente Lula criticou, no domingo (11), a decisão de Nunes Marques que havia determinado a suspensão do canal. O candidato à reeleição classificou a medida como “absurda” e afirmou que a equipe jurídica da campanha pediria explicações sobre os critérios utilizados.
“Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação do critério, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, declarou Lula a jornalistas antes de participar de um ato com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou que é alvo de mentiras disseminadas pela campanha adversária. O candidato do PL criticou o que classificou como um “canal de divulgação de mentiras em massa”, mas não mencionou nominalmente o canal “Exército do Lula”.
A análise técnica determinada pelo presidente do TSE deverá fornecer informações para subsidiar a avaliação do caso pela Justiça Eleitoral.
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