

Copom aumenta juros para 15% e sinaliza manutenção da Selic por tempo prolongado | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
19 de junho de 2025 — Apesar do recente recuo da inflação, o Banco Central (BC) decidiu elevar novamente a Taxa Selic, que passou de 14,75% para 15% ao ano. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom), em meio a um cenário de incertezas econômicas e inflação ainda acima do teto da meta.
A medida surpreendeu parte do mercado financeiro, que apostava na manutenção da taxa. Com o novo patamar, os juros básicos da economia brasileira atingem o maior nível desde julho de 2006, quando estavam em 15,25%.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Em comunicado, o Copom informou que deve manter a Selic em 15% nas próximas reuniões, mas não descartou novos aumentos caso o cenário inflacionário piore.
“Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta (…) e avaliar se o nível corrente da taxa de juros (…) é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”, destacou o texto.
O BC reiterou que seguirá vigilante e que poderá retomar os ajustes caso julgue necessário.
Esta foi a sétima elevação seguida da Selic, iniciada em setembro de 2024. Desde então, a taxa subiu gradualmente, com ajustes de 0,25, 0,5 e até 1 ponto percentual, saindo de 10,5% ao ano para os atuais 15%. A expectativa é de que este seja o último aumento do ciclo, com uma possível pausa no segundo semestre.
Mesmo com a alta dos juros, a inflação oficial ainda preocupa. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,26%, acumulando alta de 5,32% em 12 meses — acima do teto da meta contínua, que é de 4,5%.
Com o novo sistema de metas contínuas, em vigor desde janeiro, o BC precisa manter a inflação dentro de um intervalo entre 1,5% e 4,5%, mês a mês. No último relatório de inflação, o BC estimou o IPCA de 2025 em 5,1%, podendo revisar essa previsão no próximo relatório, a ser divulgado no fim de junho.
Segundo o boletim Focus, o mercado projeta inflação de 5,25% para 2025, próxima ao número estimado pelo BC. Para o PIB, a previsão do Banco Central é de crescimento de 1,9%, enquanto analistas do mercado esperam uma expansão de 2,2% no próximo ano.
A elevação dos juros básicos tem como objetivo conter a inflação. Com taxas mais altas, o crédito fica mais caro, o consumo desacelera e a demanda cai, o que ajuda a reduzir a pressão sobre os preços. No entanto, esse movimento também tende a frear o crescimento econômico e os investimentos produtivos.
A Selic serve como referência para todas as demais taxas da economia, inclusive os juros cobrados de pessoas físicas e empresas. É também a base das operações com títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
Leia também | Grupo Petrópolis alcança 98% de eficiência em entregas com solução de logística sustentável