

Relatório da Abin alerta governo e TSE sobre risco de influência externa dos Estados Unidos nas eleições brasileiras | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
19 de setembro de 2026 – A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviou, no fim de agosto, um relatório ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no qual eleva a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade”.
Segundo o documento, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.
As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela CNN Brasil.
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O relatório cita documentos do governo de Donald Trump produzidos entre novembro de 2025 e maio de 2026.
De acordo com a Abin, os objetivos do presidente norte-americano incluem a “redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina” e a “negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região”.
Ainda segundo o documento, esse movimento ocorreria em favor do controle direto ou indireto desses ativos pelo governo dos Estados Unidos ou pelo capital privado norte-americano.
A Abin afirma que a hegemonia dos Estados Unidos na América Latina é uma “prioridade do segundo governo Trump”.
“As ações estadunidenses desde maio indicam tendência de escalada de pressão”, aponta o relatório.
A avaliação ocorre em meio a uma leitura de que Washington estaria ampliando instrumentos de influência política, econômica e diplomática sobre países da região.
O relatório também menciona o anúncio feito em 1º de julho pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que sancionou dois cidadãos e três empresas brasileiras por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a Abin, esse movimento demonstra que o governo norte-americano “passa a incidir diretamente sobre relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar, operações internacionais e exposição de terceiros a riscos de sanções secundárias”.
A agência avalia que esse tipo de ação amplia o alcance da pressão externa sobre setores estratégicos e atores brasileiros.
Para a Abin, o episódio envolvendo as sanções reforça a avaliação de que a interferência externa dos Estados Unidos sobre o Brasil ocorre de forma progressiva.
“O episódio reforça a avaliação de que a interferência externa dos EUA sobre o Brasil ocorre de modo gradual, combinado e adaptativo”, afirma o relatório.
A análise foi encaminhada a órgãos do governo federal e à Justiça Eleitoral em um contexto de atenção ampliada sobre riscos externos ao processo democrático brasileiro.
O alerta da Abin ocorre às vésperas das eleições brasileiras e aponta para a necessidade de monitoramento institucional sobre possíveis pressões estrangeiras.
O relatório não detalha, no trecho divulgado, medidas específicas que poderiam ser adotadas pelo governo ou pelo TSE, mas classifica o risco em patamar elevado.
A avaliação envolve aspectos de segurança institucional, soberania nacional, integridade eleitoral e relações diplomáticas.
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