

Manifestantes se reúnem no Eixão do Lazer, em Brasília, durante ato pelo fim da escala 6x1. Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
02 de maio de 2026 – Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado do Dia Internacional do Trabalhador, para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim da escala 6×1, que prevê seis dias consecutivos de trabalho e apenas um de descanso semanal.
Em Brasília, a manifestação ocorreu no Eixão do Lazer, na Asa Sul, reunindo centrais sindicais e movimentos sociais em um ato unificado com atividades culturais e discursos.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, participou do ato ao lado da família e destacou a importância da informação sobre direitos trabalhistas. “Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
Entre as principais pautas defendidas pelos manifestantes está a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. O movimento argumenta que a mudança pode aumentar a produtividade e garantir mais qualidade de vida.
O presidente da CUT no Distrito Federal, Rodrigo Rodrigues, criticou a resistência de parte do setor empresarial. “O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
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A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas também participou da mobilização e reforçou a importância da luta contínua. “A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
Já as bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha, aprovadas em concurso público desde 2022, aguardam nomeação e defendem valorização profissional. “As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, afirmou Ellen.
Durante o ato, manifestantes também destacaram os impactos da jornada extensa na saúde física e mental. A estagiária Ana Beatriz Oliveira relatou experiências com jornadas exaustivas e defendeu mudanças imediatas.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania classificou o modelo atual como prejudicial aos trabalhadores. “Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas.”
Outro ponto levantado durante o protesto foi a sobrecarga enfrentada por mulheres, que acumulam jornadas de trabalho profissional e doméstico. O sindicalista Geraldo Estevão Coan destacou a necessidade de divisão de responsabilidades.
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
A manifestação em Brasília também registrou um momento de tensão envolvendo manifestantes e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O conflito começou após a exibição de um boneco com a imagem do político, interpretado como provocação.
Houve troca de insultos e agressões, mas a situação foi controlada pela Polícia Militar do Distrito Federal.
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, informou a corporação.
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