

Lula e Hugo Motta discutem detalhes finais da PEC que prevê o fim da jornada 6x1 no Brasil. | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasi
25 de maio de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), devem realizar nesta segunda-feira (25) uma reunião considerada decisiva para definir os últimos ajustes da proposta que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1 no Brasil.
O encontro deve discutir principalmente a regra de transição da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que reduz a atual carga horária semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários e garantindo dois dias de descanso aos trabalhadores.
A reunião contará ainda com a participação do relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), além dos ministros Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, e José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais.
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O parecer da PEC foi adiado na semana passada justamente por falta de consenso sobre o período de transição para implementação da nova jornada de trabalho.
A expectativa é que o deputado Leo Prates apresente o relatório ainda nesta segunda-feira para que a proposta avance na Câmara ao longo da semana.
Segundo o relator, já existe acordo sobre a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial.
O principal impasse permanece no prazo de adaptação para empresas e setores produtivos.
O governo federal defende que a nova jornada entre em vigor logo após a aprovação do Congresso Nacional.
Por outro lado, setores empresariais e parte do Centrão pressionam por uma transição mais longa para minimizar possíveis impactos econômicos.
Durante as negociações, parlamentares chegaram a sugerir emendas prevendo prazo de até 10 anos para implementação completa da mudança.
A proposta, no entanto, foi rejeitada pelo relator.
“Prefiro renunciar à relatoria a aceitar uma transição de dez anos”, declarou Leo Prates em discussões internas da comissão.
Após repercussão negativa, líderes partidários retiraram uma das emendas que previa o prazo mais extenso.
Nos bastidores, a articulação política busca construir consenso para garantir apoio suficiente no plenário da Câmara.
Para aprovação da PEC, são necessários pelo menos 308 votos favoráveis em dois turnos de votação.
A expectativa do presidente da Câmara, Hugo Motta, é concluir a votação ainda nesta semana e encaminhar o texto para análise do Senado Federal.
De acordo com o relatório em construção, os dois dias de descanso previstos na nova jornada devem começar a valer já em 2026.
Os dias de folga, porém, não precisarão ser obrigatoriamente consecutivos.
Questões mais específicas sobre categorias profissionais e setores com jornadas diferenciadas deverão ser regulamentadas posteriormente por meio de projeto de lei enviado pelo governo federal.
Entre os segmentos que poderão receber regras específicas estão:
Apesar das divergências sobre a transição, parlamentares avaliam que a proposta possui forte apoio popular, o que pode facilitar sua aprovação na Câmara.
Por outro lado, há preocupação entre articuladores sobre possíveis dificuldades no Senado, especialmente em meio ao cenário pré-eleitoral.
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