

Acordo entre União Europeia e Mercosul deve alterar preços de produtos importados e influenciar o varejo brasileiro nos próximos anos | Foto: reprodução
11 de janeiro de 2026 — A aprovação do acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul deve provocar mudanças significativas no varejo brasileiro, com reflexos diretos nos preços e na oferta de produtos. A expectativa é de que a redução gradual das tarifas de importação torne itens europeus mais acessíveis ao consumidor final, ao mesmo tempo em que a ampliação das exportações brasileiras para o mercado europeu possa reduzir a disponibilidade de determinados produtos no mercado interno.
Segundo Ricardo Inglez de Souza, sócio do escritório IW Melcheds Advogados e especialista em Comércio Internacional e Direito Econômico, os efeitos do tratado tendem a ocorrer em duas frentes. “Por um lado, a redução tarifária aumenta a competitividade dos produtos europeus no varejo brasileiro. Por outro, a maior facilidade de exportação pode levar fornecedores a direcionarem parte da produção ao mercado externo, o que impacta a oferta local e pode pressionar preços”, avalia.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Resultado de décadas de negociação, o acordo UE–Mercosul prevê a eliminação progressiva de tarifas sobre a maior parte das exportações brasileiras para a União Europeia, respeitando cronogramas específicos conforme o setor econômico. A medida tende a estimular o comércio bilateral e a tornar mais previsível o fluxo de mercadorias entre os blocos.
Além disso, o tratado amplia o acesso de empresas brasileiras às compras governamentais europeias e moderniza as regras de origem, fatores que contribuem para a facilitação do comércio internacional e para a integração das cadeias produtivas.
Do ponto de vista estratégico, o acordo também fortalece a diversificação das parcerias comerciais do Brasil. Para Inglez, o novo cenário deve estimular investimentos europeus em áreas estratégicas como infraestrutura, energia renovável e tecnologia, setores diretamente ligados à agenda de transição energética e desenvolvimento sustentável.
“O Brasil passa a se posicionar de forma mais competitiva em cadeias globais de valor, especialmente em segmentos alinhados às exigências ambientais e tecnológicas do mercado europeu”, destaca o especialista.
Apesar das oportunidades, a implementação do acordo traz desafios importantes. Será necessário avançar na modernização regulatória, adequar normas ambientais às exigências da União Europeia e preparar setores mais sensíveis à concorrência internacional, como a indústria automotiva e a química, que contarão com períodos de transição mais longos.
Outro ponto de atenção é a coordenação política e econômica entre os países do Mercosul. “A coesão regional será determinante para que os benefícios do tratado se concretizem de forma equilibrada”, conclui Ricardo Inglez de Souza.
Leia também | Ano novo, vida financeira nos trilhos: especialista dá dicas para começar 2026 no azul
Tags: acordo UE-Mercosul, União Europeia, Mercosul, livre-comércio, varejo brasileiro, importações europeias, exportações brasileiras, comércio internacional, economia brasileira, redução de tarifas, mercado interno, investimentos estrangeiros, transição energética, indústria automotiva, indústria química, direito econômico, Portal Terra Da Luz