

Preços de alimentos em mercado no Rio de Janeiro | Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
30 de novembro de 2025 – A inflação da alimentação no domicílio, que surpreendeu positivamente em 2025 e ajudou a segurar o IPCA abaixo do teto da meta, não deve repetir o comportamento benigno em 2026. Economistas consultados pelo Broadcast, do Grupo Estado, apontam que a tendência para o próximo ano é de pressão inflacionária, especialmente por causa da carne bovina e de um câmbio com menor impacto favorável do que o observado neste ano.
Segundo a pesquisa Focus mais recente, o IPCA deve encerrar 2025 levemente abaixo de 4,5%. Entre janeiro e outubro, a alimentação no domicílio acumulou alta de 4,53%, bem inferior aos 8,2% registrados em 2024. O resultado foi influenciado por boas safras, queda nas commodities e alívio expressivo nas carnes.
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Para 2026, economistas afirmam que o comportamento do subgrupo não será tão positivo. O economista João Fernandes, da Quantitas, afirma que 2025 foi um dos anos de maior surpresa para baixo nos preços dos alimentos. Ele projeta alta de 2% para a alimentação no domicílio neste ano, mas prevê avanço de 4,9% em 2026 — revisão para baixo em relação à estimativa anterior, de 5,5%.
A dinâmica do boi gordo foi determinante para o alívio em 2025, trazendo quedas consecutivas nas carnes entre junho e outubro. Entretanto, a expectativa é de reversão. A elevação dos preços deve ocorrer em 2026, impulsionada pelo ciclo pecuário e pelo ritmo das exportações, embora o movimento tenha sido adiado pela resiliência no abate de fêmeas.
O economista Fabio Romão, da 4intelligence, diz que o ambiente positivo de 2025 dificilmente se repetirá. A projeção inicial para o ano era de alta de 7%, hoje revisada para algo entre 2,5% e 3%. Para 2026, ele estima avanço de 6,9% nas carnes, após desaceleração para 1,7% em 2025. Frutas, leite e derivados, óleos e gorduras também devem contribuir para a pressão inflacionária.
Andrea Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, destaca que alimentos in natura e semielaborados tiveram comportamento muito abaixo do esperado neste ano, o que contribuiu para reduzir a projeção de 2025 para cerca de 2,5%. Já para 2026, ela estima alta de 6%, citando preços muito baixos de produtos como feijão, arroz e leite — um cenário que não deve se repetir.
Apesar disso, a taxa de câmbio — estimada em R$ 5,40 tanto para 2025 quanto para 2026 — não deve ser um fator decisivo para pressionar a inflação de alimentos no próximo ano.
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