

Governo federal anuncia plano de apoio para empresas brasileiras afetadas pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos. | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
17 de julho de 2026 – O governo federal anunciou que retomará um programa de apoio aos setores produtivos brasileiros afetados pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. A medida foi confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer em 22 de julho.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aproximadamente 2,4 mil empresas brasileiras serão diretamente impactadas, o equivalente a cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, movimentando aproximadamente US$ 7,4 bilhões, com base em dados de 2024.
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Durante coletiva de imprensa em Brasília, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo concentrará esforços para reduzir os impactos da medida sobre os setores atingidos.
“O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta”, afirmou o ministro.
Entre os segmentos mais afetados estão os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
As medidas previstas incluem linhas de crédito para capital de giro, financiamento de investimentos e apoio à abertura de novos mercados para os produtos brasileiros.
De acordo com o governo, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% em 2026. O MDIC informou que continuará incentivando a diversificação dos mercados internacionais para reduzir a dependência do comércio com os norte-americanos.
Apesar da nova taxação, mais da metade da pauta de exportações brasileiras para os EUA — incluindo carnes, café, óleos e produtos do setor aeronáutico — ficou de fora da medida.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo avalia a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.
A legislação estabelece mecanismos para que o Brasil adote medidas comerciais em resposta a ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade nacional.
“Nós temos uma lei, a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la”, declarou Alckmin, classificando o tarifaço como “injusto” e “descabido”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo considera as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos sem respaldo técnico.
“É inadmissível, do ponto de vista do governo, ter essa interferência externa, seja ela política, econômica, seja ela uma forma qualquer para afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros”, disse.
Segundo Durigan, a nova tarifa não comprometerá a estabilidade macroeconômica do país e o pacote de apoio deverá ser menor do que o concedido no ano passado, já que mais produtos ficaram isentos da cobrança.
Entre os argumentos apresentados pelo governo norte-americano estão questionamentos relacionados ao Pix, à política ambiental brasileira, ao comércio digital, ao acesso ao mercado de etanol e à proteção da propriedade intelectual.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, rebateu as críticas ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
“Seria mais ou menos como tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão-pipa. Por mais estapafúrdio que possa parecer esse argumento, nem ele se comprovou verdade.”
Segundo Galípolo, desde a criação do Pix, o mercado de cartões de crédito cresceu cerca de 150%, demonstrando que o sistema não prejudicou empresas do setor.
Já o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou como infundadas as alegações norte-americanas relacionadas ao desmatamento e ao comércio ilegal de madeira.
O ministro destacou que o desmatamento na Amazônia foi reduzido em aproximadamente 50% nos últimos três anos, segundo dados apresentados pelo governo federal.
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