

Governo dos Estados Unidos encerrou negociações com o Brasil e encaminhou recomendação final sobre novo tarifaço a Donald Trump | Foto: Reuters
15 de julho de 2026 – O governo dos Estados Unidos confirmou ao governo brasileiro que encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final para aplicação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros.
A informação foi repassada pelo chefe do USTR, o Escritório do Representante Comercial da Casa Branca, Jamieson Greer, durante a última reunião entre representantes dos dois países, realizada nesta terça-feira (14).
Segundo relatos feitos à CNN Brasil, Greer deu as negociações por encerradas, reclamou da falta de empenho por parte do Brasil, mas sinalizou que a lista de produtos fora da nova taxação poderá ser ampliada.
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Durante o encontro, autoridades brasileiras contestaram os argumentos apresentados pelo governo norte-americano para justificar a investigação comercial no âmbito da Seção 301.
Participaram da reação brasileira o ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; o embaixador Mauricio Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty; e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.
Os representantes do Brasil sustentaram que os Estados Unidos não apresentaram fundamentos técnicos suficientes para embasar a medida.
Entre os pontos questionados estão acusações sobre aumento do desmatamento no Brasil. As autoridades brasileiras argumentaram que os dados referentes à Amazônia apontam movimento contrário ao indicado pelos norte-americanos.
O governo brasileiro também lembrou que chegou a colocar sobre a mesa a possibilidade de reduzir tarifas de importação sobre o etanol.
Em contrapartida, o Brasil buscava mais acesso do açúcar brasileiro ao mercado norte-americano.
No entanto, segundo os relatos, o USTR descartou a possibilidade de avançar nesse tipo de negociação.
A negativa reforçou a avaliação, entre integrantes do governo brasileiro, de que Washington já havia definido sua posição antes do encerramento formal das conversas.
Apesar do encerramento das negociações, Jamieson Greer sinalizou que a lista de exceções ao tarifaço poderá ser maior do que a prevista inicialmente.
Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, o chefe do USTR afirmou ter “tomado nota” dos argumentos apresentados pelo setor privado e pelo governo brasileiro sobre a necessidade de ampliar os produtos isentos.
A expectativa em Brasília é que mais itens industrializados possam escapar da nova taxação.
Hoje, a medida atingiria cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, considerando valores. O governo brasileiro vê possibilidade de reduzir esse impacto com uma lista mais ampla de exceções.
Greer também afirmou, conforme duas fontes ouvidas pela CNN, que não haverá uma “lista dinâmica” de exceções.
A frase foi interpretada como um aviso de que, diferentemente de alíquotas aplicadas em 2025, a lista de produtos isentos não deverá crescer gradualmente ao longo do tempo.
Na prática, isso aumenta a importância da relação final de exceções que será apresentada junto com a decisão norte-americana.
Para setores exportadores brasileiros, a definição dessa lista será decisiva para medir o impacto real do tarifaço.
Na última reunião, auxiliares do presidente Lula enfatizaram o perfil de parte relevante do comércio bilateral.
O governo brasileiro argumentou que muitas subsidiárias de empresas norte-americanas produzem no Brasil e exportam peças, partes e componentes “made in Brazil” para suas matrizes nos Estados Unidos.
A avaliação em Brasília é que essa tese foi bem recebida pelo USTR.
Por isso, há expectativa de que produtos industrializados ligados a cadeias produtivas de empresas dos próprios Estados Unidos possam ficar fora da nova taxação.
Apesar do encerramento das negociações formais, Greer demonstrou disposição em manter o canal aberto para tratativas com o governo brasileiro.
Ao fim do encontro virtual, representantes do Brasil reforçaram a posição de disponibilidade para seguir dialogando.
“Nós estamos aqui”, disseram as autoridades brasileiras antes do encerramento da reunião.
A frase resume a estratégia do governo Lula de manter portas abertas, mesmo diante da decisão norte-americana de avançar com o tarifaço.
A confirmação da recomendação final aumenta a preocupação de setores produtivos brasileiros com presença no mercado dos Estados Unidos.
A eventual aplicação de novas tarifas pode afetar competitividade, contratos, cadeias industriais, exportações e planejamento de empresas.
O impacto dependerá diretamente da alíquota final, da abrangência da medida e da lista de exceções.
O governo brasileiro acompanha a decisão de Washington e tenta reduzir danos para setores estratégicos da economia nacional.
Com a recomendação final já entregue ao presidente Donald Trump, caberá à Casa Branca definir os termos finais da medida.
A decisão será acompanhada com atenção por empresários, exportadores, diplomatas e autoridades brasileiras.
Caso o tarifaço seja confirmado, o Brasil poderá avaliar novas medidas diplomáticas, técnicas e comerciais.
Até lá, a prioridade do governo brasileiro será tentar preservar setores industriais, defender os argumentos técnicos apresentados e manter o diálogo bilateral aberto.
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