

As medidas atualizam regras de 2021 sobre o gerenciamento de riscos em arranjos de pagamento | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
11 de novembro de 2025 — O Banco Central (BC) publicou nesta segunda-feira (10) novas normas que ampliam a responsabilidade das bandeiras de cartões de crédito e débito em caso de falhas nas transações financeiras. De acordo com a Resolução BCB nº 522, as bandeiras, como Visa, Mastercard e Elo, deverão garantir o pagamento aos usuários recebedores, mesmo que ocorram problemas em bancos, fintechs ou credenciadoras.
As medidas atualizam regras de 2021 sobre o gerenciamento de riscos em arranjos de pagamento, sistemas que definem as regras e procedimentos dos serviços de pagamento no país. Segundo o BC, as mudanças visam aumentar a segurança, transparência e eficiência do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). As novas normas entram em vigor imediatamente, mas as empresas terão 180 dias para se adequar e solicitar autorização formal de conformidade.
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Com as novas diretrizes, as bandeiras passam a ser responsáveis diretas pela liquidação das transações. Isso significa que, em caso de falha em alguma instituição participante — seja emissor, credenciadora ou subcredenciadora —, a bandeira deverá utilizar recursos próprios para assegurar o repasse dos valores aos usuários recebedores.
O BC também proibiu que as bandeiras deleguem às credenciadoras o gerenciamento de riscos das subcredenciadoras e determinou que não haja discriminação entre emissores de cartões, reforçando o princípio de “honor all cards”, que garante a aceitação de todos os cartões de uma bandeira por estabelecimentos credenciados.
Outro ponto importante da resolução é a atualização das regras sobre o chargeback, que é a reversão de uma compra contestada pelo titular do cartão. Agora, a responsabilidade financeira dos participantes fica limitada a 180 dias após a autorização da transação. Passado esse prazo, caso o regulamento do arranjo permita, a bandeira assume integralmente a responsabilidade.
Embora o BC conceda liberdade para que as bandeiras escolham seus mecanismos de gestão de risco, reforça que essa autonomia não as exime da responsabilidade final pela liquidação das operações.
As novas normas também aumentam as exigências de transparência nos critérios de gestão de risco e repasse financeiro. O objetivo é deixar explícito o papel de cada agente — bandeiras, bancos, credenciadoras e subcredenciadoras — no fluxo de pagamentos, além de garantir monitoramento centralizado das operações e participação obrigatória das subcredenciadoras nos sistemas de liquidação e compensação.
O BC destacou ainda que a resolução traz regras específicas de prevenção a fraudes, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo, alinhando o setor de pagamentos aos padrões de controle do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
As instituições terão até 180 dias para ajustar seus regulamentos e implementar as mudanças operacionais exigidas. Enquanto isso, os regulamentos atuais permanecem válidos. Segundo o BC, o novo conjunto de medidas fortalece a confiança dos consumidores e empresas nas operações eletrônicas de pagamento e amplia a robustez regulatória do setor.
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