

Consumo médio entre americanos de açúcar adicionado é de 17 colheres de chá por dia | Foto: Freepik
02 de dezembro de 2025 – Eliminar o açúcar adicionado — presente em doces, refrigerantes, ultraprocessados e adoçantes naturais como mel — provoca uma série de mudanças rápidas no organismo. Do peso ao humor, passando pela inflamação e pelo risco de doenças crônicas, os impactos positivos aparecem cedo. Mas há um ponto fundamental: carboidratos não são vilões e continuam indispensáveis, já que a glicose é essencial para o funcionamento do corpo.
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O médico gastroenterologista e especialista em Terapia Nutricional Juliano Antunes Machado, da Rede Mater Dei de Saúde, explica que retirar o açúcar artificial reduz a gordura corporal e melhora a digestão. Isso porque o açúcar simples é rapidamente absorvido e tende a ser estocado como gordura, especialmente na região visceral, que envolve órgãos e eleva o risco de doenças metabólicas.
Nos primeiros dias, o corpo pode reagir com irritabilidade, cansaço e vontade exagerada de doces — reflexo da queda de dopamina. Com a adaptação, aumenta a disposição e o humor tende a estabilizar, além de ocorrer redução de inflamação e melhora na sensibilidade à insulina.
Oscilações bruscas da glicose, causadas pelo consumo excessivo de açúcar, também prejudicam o sono. Com a retirada, o ciclo de descanso torna-se mais regular.

Muitos confundem “cortar açúcar” com “cortar carboidrato”, mas especialistas reforçam que são coisas diferentes. Carboidratos estão em frutas, tubérculos, grãos e legumes — e são a principal fonte de energia do corpo.
“O sistema nervoso central usa quase exclusivamente glicose como fonte de energia”, afirma o endocrinologista Bruno Geloneze, da Unicamp. O nutrólogo Fabiano Robert, da Associação Brasileira de Nutrologia, reforça que dietas que eliminam carboidratos não têm respaldo científico e apresentam riscos à saúde.
Mesmo sem açúcar adicionado, o corpo obtém glicose de carboidratos complexos (arroz, feijão, lentilha), vegetais, frutas e lactose. A recomendação geral é que 50% das calorias diárias venham dos carboidratos, de preferência integrais.
A indústria alimentícia concentrou carboidratos simples em produtos baratos e altamente palatáveis. Isso elevou o consumo médio de açúcar e contribuiu para o aumento da obesidade nas últimas décadas.
Alimentos com alto índice glicêmico provocam picos de glicose e sobrecarregam o pâncreas, aumentando o risco de diabetes, hipertensão, fígado gorduroso e doenças cardiovasculares.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que até 10% das calorias diárias venham de açúcares livres. Para benefícios adicionais, a redução pode chegar a 5% — cerca de 25 g por dia.
A American Heart Association sugere limites ainda menores:
• 36 g/dia para homens
• 25 g/dia para mulheres
Na prática, quanto menos açúcar adicionado, melhor.
A ingestão frequente de açúcar artificial está associada a uma lista extensa de problemas de saúde:
obesidade, diabetes tipo 2, fígado gorduroso, cáries, síndrome metabólica, inflamação crônica, doenças cardiovasculares, dermatites, disbiose, alterações de humor e até maior risco para alguns tipos de câncer.
Nutricionistas recomendam priorizar alimentos in natura e reduzir ultraprocessados. Entre as melhores escolhas estão:
frutas, legumes, verduras, grãos integrais, feijão, lentilha, batata, mandioca, proteína magra, azeite, castanhas e abacate.
Combinar carboidratos com proteínas e fibras ajuda a controlar a absorção da glicose e manter a saciedade por mais tempo.
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