

Aprovação do Ozivy pela Anvisa abre nova fase no mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida e deve ampliar a concorrência entre farmacêuticas e redes de farmácias | Foto: REUTERS/George Frey/File Photo
26 de maio de 2026 – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta terça-feira (26), o registro do Ozivy, medicamento da EMS à base de semaglutida. A decisão ocorre após a expiração da patente da substância, em 20 de março, e abre caminho para uma nova etapa no mercado brasileiro de medicamentos voltados ao tratamento de diabetes tipo 2 e, sob indicação médica, ao controle de peso.
O Ozivy é considerado a primeira cópia análoga nacional de medicamentos biológicos conhecidos no mercado, como Ozempic e Wegovy. Apesar da comparação comercial com esses produtos, a própria Anvisa destacou que o novo medicamento não é classificado como genérico pelas regras brasileiras, mas registrado como um novo medicamento.
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Mesmo com o aval regulatório da Anvisa, a chegada do Ozivy às farmácias ainda depende da aprovação do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e da decisão de lançamento da EMS. A expectativa do mercado é que esse processo leve, em média, cerca de um mês.
Para analistas financeiros, a aprovação pode representar uma notícia positiva para o setor farmacêutico e para o varejo de medicamentos. A entrada de novas versões da semaglutida tende a ampliar a concorrência, reduzir custos ao consumidor e aumentar o acesso a tratamentos que hoje têm preço elevado.
Segundo avaliação atribuída ao Santander, o lançamento do Ozivy pode abrir caminho para novas aprovações de produtos à base de semaglutida que estão em análise no país. A instituição financeira também aponta a Hypera (HYPE3) entre as empresas que podem se beneficiar do avanço regulatório, já que a companhia estaria entre as primeiras a buscar aprovação nesse mercado.
As estimativas indicam que medicamentos dessa classe podem contribuir de forma gradual para os resultados das farmacêuticas. No caso da Hypera, analistas apontam potencial contribuição incremental de 3% e 4% no Ebitda, indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em 2027 e 2028, respectivamente.
O Goldman Sachs estima que as vendas do Ozivy possam atingir pelo menos R$ 500 milhões nos 12 meses seguintes ao lançamento, o equivalente a cerca de 1,2 milhão de unidades, conforme projeções baseadas em comentários da própria administração da EMS.
As redes de farmácias também devem estar entre as principais beneficiadas pela aprovação. Com preços potencialmente mais baixos e alta demanda por medicamentos dessa classe, o varejo farmacêutico pode registrar aumento no volume de vendas.
De acordo com estimativas do JP Morgan, os novos medicamentos podem favorecer a formalização do mercado e oferecer margens superiores às observadas nos produtos de marca. A expectativa é que versões mais acessíveis representem cerca de 25% a 30% do mercado brasileiro de canetas emagrecedoras, enquanto a semaglutida de marca ficaria em uma faixa entre 10% e 15%.
Embora os preços ainda não tenham sido divulgados, o banco estima uma faixa entre R$ 400 e R$ 600 por dose. Mesmo com preço cerca de 50% menor em relação aos produtos de referência, a margem esperada pode sustentar lucro bruto por caneta semelhante ao do medicamento original.
Atualmente, a Anvisa ainda possui seis produtos de semaglutida em análise. A aprovação do Ozivy pode acelerar a corrida de laboratórios nacionais para lançar suas próprias versões, ampliando a disputa por um mercado que cresceu de forma acelerada nos últimos anos.
Medicamentos da classe GLP-1, como os à base de semaglutida, ganharam destaque mundial por sua eficácia no tratamento do diabetes tipo 2 e por seus efeitos associados à perda de peso em pacientes acompanhados por profissionais de saúde. No entanto, especialistas reforçam que o uso deve ocorrer sempre com prescrição médica, acompanhamento clínico e avaliação individual dos riscos e benefícios.
A liberação do Ozivy representa um marco para a indústria farmacêutica brasileira e pode redesenhar a concorrência em um dos segmentos mais promissores do mercado de saúde. Para consumidores, a expectativa é de maior acesso e preços mais competitivos. Para laboratórios e redes de farmácias, o cenário aponta para novas oportunidades de receita, expansão de portfólio e disputa por participação em um mercado de alta demanda.
A aprovação também reforça o papel da regulação sanitária na abertura de espaço para inovação, competição e ampliação do acesso a medicamentos. A próxima etapa será a definição do preço pela CMED e o início efetivo da comercialização pela EMS.
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