

Área de descarte irregular de resíduos no Cariri, realidade ainda enfrentada pela maioria dos municípios da região | Foto: divulgação
24 de fevereiro de 2026 – O cenário do saneamento básico no Ceará expõe um contraste entre as metas do Marco Legal e a realidade do interior. Dados do relatório mais recente do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa), publicado em dezembro de 2025 com base em informações de 2024, mostram que 80% dos municípios cearenses ainda fazem a destinação inadequada de resíduos sólidos. No Cariri, a situação é ainda mais grave: 90% das cidades seguem descartando lixo em lixões ou aterros controlados, estruturas que não garantem impermeabilização do solo nem tratamento adequado de gases.
O levantamento aponta que a universalização do manejo de resíduos é financeiramente inviável para municípios isolados, sobretudo os de pequeno porte. Esse diagnóstico reforça a adoção de modelos de gestão compartilhada, como o consórcio intermunicipal e as concessões regionais.
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O relatório valida o modelo adotado pelo Consórcio Intermunicipal de Gestão de Resíduos Sólidos da Região do Cariri (Comares Cariri) e a concessão operada pela Regenera Cariri. A proposta busca viabilizar economicamente o fechamento definitivo dos lixões por meio de gestão integrada entre municípios.
Para a engenheira ambiental Ingrid Botelho, gerente da Regenera Cariri, os dados do Sinisa representam um chamado à ação coordenada. Segundo ela, a atuação conjunta permite transformar um passivo ambiental histórico em uma operação profissional, com proteção ao solo e ao lençol freático da região.
Dos 29 municípios do Cariri, 20 ainda utilizam lixões e apenas dois possuem aterros sanitários adequados. Na Região Metropolitana do Cariri, sete das nove cidades mantêm descarte irregular. Além disso, seis municípios do Cariri e um da RMC não informaram dados ao Sinisa, o que evidencia dificuldades de gestão e monitoramento.
O Crato, com cerca de 138 mil habitantes, reportou cobertura total de coleta e encerrou definitivamente o lixão em agosto de 2024. Com a mudança, o município deixará de destinar mais de 42 toneladas de resíduos por ano de forma inadequada. Já Barbalha foi a única cidade da região a informar, em 2024, o envio de resíduos para aterro sanitário, após desativar o lixão em janeiro de 2023.
Em Caririaçu, embora o sistema federal ainda aponte uso de lixão, a prática foi encerrada oficialmente em abril de 2024, com a destinação dos resíduos para aterro localizado em Juazeiro do Norte.
A superação do descarte irregular envolve políticas públicas, educação ambiental e participação da população. Nesse contexto, a Regenera Cariri atua em nove municípios consorciados — Altaneira, Barbalha, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Jardim, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri — com investimento estimado em R$ 110 milhões ao longo de 30 anos.
O projeto prevê a desativação de lixões a céu aberto, implantação de unidades de triagem e tratamento mecânico e operação de um aterro sanitário moderno. A expectativa é garantir destinação adequada a mais de 270 toneladas de resíduos geradas diariamente, reduzindo impactos ambientais e riscos à saúde pública.
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