

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos após deixar o Brasil, e o governo brasileiro busca esclarecer o trajeto percorrido pelo senador e uma possível participação de autoridades argentinas e americanas no deslocamento. | Foto: Getty Images
29 de outubro de 2026 – O governo brasileiro busca esclarecer as circunstâncias da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do país e apurar uma possível participação dos governos da Argentina e dos Estados Unidos no deslocamento do parlamentar. Após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, Flávio chegou à Flórida, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28).
Integrantes do governo avaliam que ainda existem lacunas sobre o trajeto percorrido pelo senador e por sua família. A Polícia Federal (PF) investiga a rota utilizada pelo parlamentar, os meios de transporte envolvidos e a possível atuação de pessoas que tenham auxiliado no deslocamento.
Em carta divulgada na quarta-feira (28), já em território americano, Flávio agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, pela “coragem, senso de justiça e legalidade”, além de agradecer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo acolhimento.
As manifestações, porém, não esclarecem qual teria sido a participação efetiva dos dois governos na saída do senador do Brasil.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Uma das principais questões da investigação é identificar onde Flávio permaneceu entre a madrugada de segunda para terça-feira (27) e a noite de terça-feira, quando teria atravessado a fronteira com a Argentina.
Uma fonte do governo brasileiro descreveu a tarefa como “um quebra-cabeça que tem que ser montado”.
As autoridades também procuram confirmar se o senador cruzou a fronteira às 22h50 de terça-feira, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na Argentina. Segundo informações da Direção Nacional de Migrações argentina, ele teria entrado no país acompanhado da mulher e das duas filhas.
A Polícia Federal busca esclarecer ainda se Flávio entrou a pé na Argentina e qual meio de transporte utilizou para sair de Brasília em direção à região da fronteira.
De acordo com as informações disponíveis, a aeronave que partiu de Puerto Iguazú fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos.
O órgão oficial de imigração da Argentina informou que não havia “impedimento legal” para a entrada do senador no país.
Já o diretor nacional de Comunicação Digital argentino, Juan Pablo Carreira, comentou a saída de Flávio em uma publicação na rede social X e elogiou a postura do presidente Javier Milei.
“Flávio Bolsonaro está a salvo das garras do comunismo que querem meter presos a todos os opositores, e agora vai poder seguir a luta desde os Estados Unidos em vez de uma cela em Brasília, como o pai dele”, escreveu Carreira.
O governo brasileiro também quer identificar se houve participação de brasileiros ou argentinos na organização do deslocamento, além de apurar quem poderia ter ajudado o senador durante o percurso.
A saída de Flávio Bolsonaro foi acompanhada, ao longo da terça-feira (27), por informações falsas sobre seu paradeiro. Enquanto aliados e interlocutores americanos afirmavam que ele já havia deixado o Brasil e chegado aos Estados Unidos, o senador ainda estaria em território brasileiro.
A disseminação de informações contraditórias dificultou a reconstrução dos deslocamentos e ampliou as dúvidas sobre o momento em que o parlamentar deixou o país.
Outra linha de apuração busca determinar se houve articulação prévia com o governo americano para receber Flávio e em que momento foram concedidas as autorizações necessárias para sua entrada nos Estados Unidos.
Por envolver possíveis conexões internacionais, o governo brasileiro adota cautela e evita antecipar conclusões antes do esclarecimento dos fatos.
No Itamaraty, a orientação é conduzir o caso com prudência e deixar que as questões sejam resolvidas pelas vias institucionais e judiciais. No campo político, ministros foram orientados a evitar declarações sobre a saída do senador, para não ampliar a repercussão do episódio.
Flávio deixou o Brasil após ser intimado pela Polícia Federal, na segunda-feira (26), a entregar seus passaportes. Com a derrota eleitoral para Lula, ele ficará sem mandato eletivo pela primeira vez em 24 anos a partir de fevereiro de 2027.
O senador é investigado em um inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação examina recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e busca esclarecer o destino do dinheiro e se parte dos valores foi utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, nos Estados Unidos.
Outro inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar, por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento. Entre os pontos investigados estão o acesso a uma conta de empresa ligada ao advogado e o pagamento de viagens.
Flávio nega irregularidades e afirma manter apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz. O advogado também contesta as suspeitas.
Leia também | Mega-Sena: aposta de MT ganha R$ 324 milhões
Tags: Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Lula, Luiz Inácio Lula da Silva, Donald Trump, Javier Milei, Argentina, Estados Unidos, governo brasileiro, Polícia Federal, PF, investigação da PF, saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro na Flórida, fuga de Flávio Bolsonaro, rota de Flávio Bolsonaro, fronteira Brasil Argentina, Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú, relações internacionais, diplomacia brasileira, governo argentino, governo americano, desinformação, notícias falsas, Dark Horse, Daniel Vorcaro, Banco Master, Eduardo Bolsonaro, Willer Tomaz, investigação de lavagem de dinheiro, política brasileira, eleições 2026, notícias do Brasil, Portal Terra da Luz