

Keir Starmer anuncia sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido durante pronunciamento oficial em Londres. | Foto: REUTERS/Jaimi Joy
22 de junho de 2026 – O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará o comando do governo britânico. A declaração foi feita à imprensa em frente à sede do governo, em Londres, após meses de crescente pressão política dentro do Partido Trabalhista.
Starmer informou que conversou com o rei Charles III pela manhã e afirmou que pretende conduzir uma transição de poder tranquila até a escolha de um sucessor. Segundo ele, o processo de indicação de candidatos à liderança do partido deverá começar em 9 de julho.
“Permanecerei no cargo até o término da disputa e farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transição de poder ordenada. Darei total apoio ao meu sucessor”, declarou Starmer.
O anúncio encerra um período de intensa turbulência política para o premiê, que vinha sendo pressionado por parlamentares e lideranças do próprio partido a deixar o cargo.
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No último sábado (20), o jornal britânico The Observer informou que Starmer já havia decidido renunciar após concluir que sua permanência no cargo não era mais sustentável. A decisão teria sido tomada após reuniões com ministros, assessores, financiadores e líderes sindicais.
Com a saída do premiê, o Reino Unido deverá ter seu sétimo chefe de governo em apenas dez anos, evidenciando a instabilidade política enfrentada pelo país na última década.
Durante o pronunciamento, Starmer afirmou que solicitará ao Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista a definição de um cronograma para a escolha do novo líder.
Em tom emocionado, o líder trabalhista agradeceu o apoio de colegas, amigos e servidores públicos ao longo de sua trajetória política.
Starmer também destacou que pretende dedicar mais tempo à família após deixar o cargo.
“Quero ser o melhor marido possível para minha fantástica esposa e o melhor pai para meus lindos filhos, que são meu orgulho. A questão que meu partido faz agora é se sou a melhor pessoa para nos conduzir à próxima eleição geral. Ouvi a resposta do meu partido parlamentar e a aceito com humildade”, afirmou.
O primeiro-ministro ainda declarou que o Partido Trabalhista herdará “uma Grã-Bretanha mais forte e justa do que aquela que herdei há dois anos”.
A crise interna se intensificou nos últimos dias após a vitória política de Andy Burnham, considerado o principal rival de Starmer dentro do Partido Trabalhista.
Burnham conquistou uma cadeira no Parlamento britânico na quinta-feira (19), fortalecendo especulações sobre uma disputa pela liderança da legenda.
Parlamentares trabalhistas passaram a defender uma renovação no comando do partido, apostando na capacidade de comunicação de Burnham para recuperar apoio popular.
Mesmo diante da pressão crescente, Starmer havia afirmado recentemente que não pretendia abandonar o cargo.
“No vou desistir”, declarou em 18 de maio.
Na ocasião, ao ser questionado sobre o futuro de seu mandato, respondeu: “Precisamos mostrar que podemos reverter a situação”.
Para disputar a liderança do Partido Trabalhista, os candidatos precisarão obter o apoio de pelo menos 20% dos parlamentares da legenda.
Atualmente, o partido possui 403 cadeiras na Câmara dos Comuns, o que significa que cada postulante deverá reunir o respaldo de, no mínimo, 81 deputados.
Além disso, os concorrentes também precisarão demonstrar apoio de organizações de base do partido e de entidades filiadas, como sindicatos.
Caso apenas um nome alcance o número necessário de apoios, ele será automaticamente eleito líder do Partido Trabalhista e assumirá o cargo de primeiro-ministro.
Se houver mais de um candidato qualificado, a escolha será definida por votação entre os membros e afiliados da legenda.
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