

Nicolás Maduro chega escoltado a tribunal federal em Nova York para audiência sobre acusações de narcotráfico e crimes federais | Foto: REUTERS/Eduardo Munoz
06 de janeiro de 2026 – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos recuou na acusação de que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, lideraria o chamado Cartel de Los Soles, suposta organização criminosa vinculada ao narcotráfico. A mudança consta na nova peça da denúncia apresentada após a captura de Maduro por forças norte-americanas, substituindo a versão protocolada em 2020, durante o primeiro governo de Donald Trump.
Na denúncia anterior, o termo Cartel de Los Soles aparecia 33 vezes, com referência direta à liderança de Maduro. Já no novo documento, a expressão é citada apenas duas vezes, sem atribuir ao venezuelano o comando da suposta organização criminosa.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Na peça atual, o Departamento de Justiça afirma que Maduro participa e protege uma cultura de corrupção envolvendo elites venezuelanas e o tráfico de drogas, mas evita caracterizar o grupo como um cartel estruturado sob sua liderança.
Segundo o texto, os lucros do narcotráfico teriam beneficiado funcionários corruptos que operam em um sistema de clientelismo informal, referido genericamente como Cartel de Los Soles — uma alusão aos símbolos usados por oficiais militares venezuelanos de alta patente.
A alteração na linguagem chamou atenção porque a acusação de liderança do suposto cartel foi usada, no discurso político, como um dos argumentos para justificar a invasão da Venezuela e a captura do presidente.
Especialistas internacionais em políticas sobre drogas destacam que não há reconhecimento formal da existência do Cartel de Los Soles em relatórios oficiais. O grupo não é citado em documentos do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) nem no Relatório Anual sobre Ameaças de Drogas da DEA de 2025.
Para a advogada Gabriela de Luca, consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, a mudança indica uma dificuldade em comprovar a existência jurídica do cartel.
“Ao evitar tratar o cartel como uma organização real, o Departamento de Justiça reconhece os limites para provar essa tese. A nova abordagem fortalece a acusação ao focar em condutas individualizadas e comprováveis, como narcotráfico e corrupção”, avaliou.
Apesar do recuo na liderança do suposto cartel, os Estados Unidos mantêm acusações graves contra Maduro, incluindo vínculos com narcoguerrilhas colombianas, como as Farc e o ELN, além de cartéis mexicanos, como Sinaloa e Zetas.
Segundo a acusação, Maduro e seus aliados teriam colaborado por décadas com organizações criminosas internacionais para distribuir grandes quantidades de cocaína aos Estados Unidos, utilizando redes de corrupção na região.
Em depoimento à Justiça norte-americana, Maduro declarou-se inocente e afirmou ser um prisioneiro de guerra, acusando Washington de fabricar denúncias para justificar uma intervenção com interesses econômicos.
O governo venezuelano sustenta que as acusações têm como pano de fundo o interesse dos EUA nas maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, localizadas na Venezuela. Em reuniões diplomáticas recentes, representantes norte-americanos reforçaram que o controle desses recursos não pode ficar nas mãos de países considerados adversários do Hemisfério Ocidental.
Leia também | Fibromialgia passa a ser reconhecida como deficiência e amplia direitos trabalhistas em todo o Brasil
Tags: Nicolás Maduro, Estados Unidos, Departamento de Justiça dos EUA, Cartel de Los Soles, narcotráfico, Venezuela, política internacional, crise na Venezuela, Justiça americana, relações internacionais, petróleo venezuelano, OEA, ONU, Donald Trump, geopolítica, América Latina, Portal Terra Da Luz