

Documento foi criado por “Fernanda Bolsonaro” | Foto: reprodução/Jornal Nacional/TV Globo
20 de agosto de 2025 — A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) um rascunho de pedido de asilo político na Argentina, em regime de urgência. O documento editável, sem data nem assinatura, indicaria que Bolsonaro planejava fugir do Brasil para escapar da aplicação da lei penal.
O material foi identificado durante a investigação que levou ao indiciamento de Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por tentativa de obstrução de Justiça e intimidação de autoridades responsáveis pela ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.
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De acordo com a PF, desde fevereiro de 2024 Bolsonaro articulava estratégias para evitar sua prisão, incluindo a possibilidade de pedir asilo político na Argentina. Além do documento, os investigadores extraíram do smartphone de Bolsonaro áudios e conversas apagadas com Eduardo Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, que reforçariam tentativas de intimidação contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O relatório da PF aponta que as mensagens buscavam coagir ministros do STF responsáveis pelo julgamento da Ação Penal nº 2668, em que Bolsonaro é acusado dos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Segundo os metadados do arquivo de 33 páginas, o documento teria sido criado por um usuário identificado como “Fernanda Bolsonaro”, possivelmente Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, nora do ex-presidente e esposa do senador Flávio Bolsonaro.
A PF destacou ainda que, em dezembro de 2023, Jair Bolsonaro informou ao ministro Alexandre de Moraes que viajaria para a Argentina, o que reforça os indícios de preparação para uma possível evasão.
Além do indiciamento de Bolsonaro e do filho, o pastor Silas Malafaia também foi alvo de mandado de busca e apreensão, com retenção de passaporte e apreensão de celular. Malafaia retornou nesta quarta-feira ao Brasil, vindo de Lisboa, e foi conduzido ao Galeão, no Rio de Janeiro, para prestar depoimento.
A investigação foi aberta em maio, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), após a suspeita de que Eduardo Bolsonaro teria buscado apoio junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar ministros do STF.
Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, decisão que foi prorrogada pelo ministro Alexandre de Moraes, que também estendeu o prazo da investigação por mais 60 dias.
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Tags: Jair Bolsonaro, Polícia Federal, asilo político, Argentina, Eduardo Bolsonaro, Silas Malafaia, STF, golpe de Estado, prisão domiciliar, Alexandre de Moraes, PGR, política brasileira, investigações