

Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva e Marcela Camilly Alves são os três técnicos de enfermagem suspeitos de matarem pacientes na UTI do Hospital Anchieta | Foto: TV Globo/divulgação
20 de janeiro de 2026 — A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Três técnicos de enfermagem foram presos suspeitos de participação direta e indireta nos homicídios. As investigações apontam que os crimes teriam ocorrido entre novembro e dezembro do ano passado, dentro da própria UTI da unidade particular de saúde.
Os suspeitos foram identificados como Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos; Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos; e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos. As identidades foram confirmadas pela Polícia Civil e pelo Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF). Todos os três estão presos, enquanto as defesas ainda não haviam se manifestado até a última atualização desta reportagem.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
De acordo com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo é apontado como o principal executor das mortes. Em depoimento, o técnico de enfermagem de 24 anos confessou os crimes após ser confrontado com imagens do circuito interno de segurança do hospital, que registraram sua atuação durante momentos críticos dos pacientes.
Ainda segundo a investigação, ele teria aplicado doses excessivas de um medicamento de uso controlado, utilizado de forma intencional como veneno. Em um dos casos mais graves, o suspeito também teria injetado desinfetante diretamente na veia de uma paciente idosa após o medicamento acabar.
As técnicas Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva são acusadas de participação em dois dos três homicídios investigados, por supostamente terem dado cobertura à ação do colega. Marcela Camilly também confessou o crime após inicialmente negar os fatos e afirmou que se arrepende de não ter impedido as ações do técnico.
Segundo a Polícia Civil, os três respondem por homicídio qualificado, com diferentes combinações de autoria conforme cada vítima.

As vítimas identificadas até o momento são Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, moradora de Taguatinga; João Clemente Pereira, de 63 anos, do Riacho Fundo I; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, de Brazlândia. De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), apesar de apresentarem quadros clínicos distintos, todos sofreram piora súbita pouco antes da morte, o que chamou a atenção da equipe médica e deu início à apuração interna.
As imagens das câmeras de segurança revelaram que as aplicações dos medicamentos ocorreram justamente nos momentos de agravamento do estado de saúde dos pacientes.
A Polícia Civil apurou ainda que o técnico utilizou a senha de um médico para emitir uma receita fraudulenta, retirando o medicamento na farmácia do hospital sem o conhecimento da equipe médica. Em seguida, aplicou a substância nas vítimas.
Para tentar disfarçar a autoria dos crimes, o suspeito realizava manobras de massagem cardíaca nas vítimas após as aplicações, simulando tentativas de reanimação. O nome do medicamento utilizado não foi divulgado pelas autoridades.
As prisões ocorreram no último dia 11 de janeiro, quando também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. Uma segunda fase da operação foi deflagrada no dia 15, com apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
A Polícia Civil segue investigando se há outras vítimas no Hospital Anchieta ou em outras unidades de saúde onde o técnico de 24 anos atuou, incluindo uma UTI pediátrica de outro hospital particular da região.

Em nota, o Hospital Anchieta informou que instaurou um comitê interno ao identificar circunstâncias atípicas em três óbitos na UTI e que, a partir da investigação interna, solicitou a abertura do inquérito policial. A unidade afirmou ainda que demitiu os ex-técnicos, comunicou as famílias e colabora integralmente com as autoridades.
O Coren-DF declarou que acompanha o caso, adota as providências cabíveis e reforça o compromisso com a ética profissional e a segurança do paciente, destacando que as investigações seguem sob responsabilidade das autoridades judiciais.
Já a família de João Clemente Pereira afirmou, por meio de nota, que acreditava inicialmente em morte por causas naturais, mas que recebeu com indignação as informações sobre possível crime. Os familiares informaram que adotarão todas as medidas legais cabíveis para responsabilização criminal e civil dos envolvidos.
Leia também | ‘ONU paralela’: Conselho da Paz proposto por Trump gera temor entre líderes mundiais
Tags: Hospital Anchieta, mortes em hospital, UTI Taguatinga, Polícia Civil do DF, homicídio qualificado, técnicos de enfermagem presos, investigação policial, crimes na UTI, saúde pública, segurança do paciente, Conselho de Enfermagem, Coren-DF, hospital particular DF, homicídios no DF, Portal Terra Da Luz