

Fábricas clandestinas produziam fuzis com tecnologia de ponta | Foto: reprodução/TV Globo
03 de novembro de 2025 — A maior apreensão de fuzis da história do Rio de Janeiro revelou uma sofisticada rede de produção e tráfico de armas de guerra. A Polícia Federal e a Polícia Civil do Rio apreenderam 91 fuzis de alta precisão durante uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV), no Complexo do Alemão, zona norte da capital fluminense. As investigações indicam que parte desse arsenal era fabricada em fábricas clandestinas nos estados de São Paulo e Minas Gerais, com equipamentos industriais de alta tecnologia.
Imagens obtidas com exclusividade pelo Fantástico mostram a estrutura dessas fábricas ilegais, que operavam sob fachada de empresas regulares. Em uma delas, localizada em Santa Bárbara d’Oeste (SP), a PF encontrou 150 fuzis prontos e 30 mil peças, além de 11 máquinas industriais de precisão. A linha de montagem tinha capacidade para produzir até 3.500 armas por ano.
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De acordo com o delegado Samuel Escobar, responsável pela investigação, o esquema funcionava como uma “planta industrial profissional”, com equipamentos avaliados em milhões de reais. O transporte das armas era feito por Rafael Xavier do Nascimento, preso em flagrante na Via Dutra com 13 fuzis que seriam entregues ao Comando Vermelho.
As investigações também revelaram o envolvimento de Anderson Custódio Gomes, integrante do núcleo operacional da quadrilha. Ele e um comparsa foram presos transportando peças suficientes para fabricar 80 fuzis, com destino a um depósito em Americana (SP).
A fachada da operação era um CNPJ de uma fábrica de peças aeronáuticas, de propriedade do piloto de avião Gabriel Carvalho Belchior — o mesmo que, em 2015, pilotava a aeronave que caiu no mar da Praia do Leblon, no Rio. Antes da operação policial, Gabriel fugiu para os Estados Unidos, de onde enviava fuzis desmontados dentro de caixas de piscinas infláveis. Ele está foragido e incluído na lista da Interpol.
Outro braço da organização criminosa era comandado por Silas Diniz Carvalho, preso em 2023 com 47 fuzis em seu apartamento na Barra da Tijuca (RJ). A Polícia Federal descobriu que ele mantinha uma fábrica clandestina em Belo Horizonte (MG), com o apoio da esposa, Marcely Ávila Machado.
“Parecia uma fábrica comum, de móveis ou esquadrias, mas escondia toda uma linha de produção de armas de guerra”, relatou o delegado Escobar.
As investigações estimam que essa indústria ilegal tenha fornecido cerca de mil fuzis para facções do Rio — entre elas, as do Complexo do Alemão, Rocinha e Maré — além de milícias e grupos criminosos na Bahia e no Ceará.
A Polícia Civil do Rio fará perícia nos fuzis apreendidos, dos quais 25 são do tipo AR-15 calibre 5.56, idênticos aos fabricados em Santa Bárbara d’Oeste. Segundo o Instituto Sou da Paz, o número de fuzis apreendidos no estado aumentou 32% entre 2019 e 2023, evidenciando o crescimento do mercado ilegal de armas pesadas no país.
A produção do Fantástico tentou contato com as defesas de Silas Diniz Carvalho e Anderson Custódio Gomes, que permanecem presos, mas não obteve resposta. Marcely Ávila Machado e Gabriel Carvalho Belchior continuam foragidos.
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