

Mauro Cid e Braga Netto se enfrentam em acareação sobre tentativa de golpe | Fotos: Ton Molina/STF e Isac Nóbrega/PR
24 de junho de 2025 — O general Braga Netto chamou de “mentiroso” o tenente-coronel Mauro Cid durante acareação realizada nesta terça-feira (24), no âmbito da ação penal que apura uma tentativa fracassada de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Mauro Cid, que permaneceu calado e cabisbaixo, não respondeu à acusação.
O episódio foi relatado pelo advogado José Luis Oliveira Lima, defensor de Braga Netto. Segundo ele, o general reafirmou duas vezes que Cid mentiu em seus depoimentos. “O senhor Mauro Cid permaneceu por todo o ato com a cabeça baixa e não retrucou quando teve oportunidade”, declarou o advogado.
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Réus no processo, os dois militares do Exército ficaram frente a frente por mais de uma hora e meia, em audiência conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF).
A acareação foi solicitada pela defesa de Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, que acusa Cid, delator da trama golpista e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, de mentir em seus depoimentos à Polícia Federal.
Determinada por Moraes, a audiência ocorreu a portas fechadas. Estavam presentes apenas o ministro, os réus com seus respectivos advogados, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e advogados dos demais seis réus.
O Supremo informou que a sessão não foi gravada e o conteúdo será incluído posteriormente por meio de ata no processo. A ausência de gravação foi duramente criticada pela defesa de Braga Netto, que alegou violação das prerrogativas da defesa.
“É uma pena que isso não tenha sido gravado, para que toda a imprensa e todos que acompanham o caso pudessem constatar o comportamento de Mauro Cid”, afirmou o advogado.
A defesa de Braga Netto contesta duas partes centrais dos depoimentos de Mauro Cid. A primeira diz respeito à acusação de que o general teria entregado R$ 100 mil em uma sacola de vinho para financiar a execução do plano golpista.
A segunda trata do suposto plano chamado Punhal Verde e Amarelo, que previa o monitoramento e o assassinato de autoridades e teria sido discutido na casa de Braga Netto. O general nega as duas alegações e afirma que o encontro foi casual e sem teor conspiratório.
Braga Netto está preso desde dezembro de 2024, acusado de obstruir as investigações e tentar acessar conteúdos sigilosos da delação de Cid.
Logo após a acareação entre Cid e Braga Netto, teve início uma segunda sessão, desta vez entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-comandante do Exército, general Freire Gomes.
O procedimento foi solicitado pela defesa de Torres, que apontou a necessidade de esclarecer “pontos nevrálgicos” nos depoimentos prestados por Freire Gomes, que atua como testemunha-chave no processo, embora não figure como réu.
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Tags: Braga Netto, Mauro Cid, Alexandre de Moraes, STF, tentativa de golpe, Jair Bolsonaro, acareação STF, Anderson Torres, Freire Gomes, delação Mauro Cid, Paulo Gonet, golpe de Estado, Supremo Tribunal Federal