

Agentes do Bope, durante operação no Complexo do Alemão | Foto: Ricardo Moraes/Reuters
30 de outubro de 2025 – A megaoperação realizada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, entrou para a história como a mais letal já registrada no estado, com mais de 120 mortos. Apesar do impacto, a ação segue envolta em dúvidas, versões conflitantes e cobranças por transparência e responsabilização.
Enquanto o governo estadual e as forças de segurança defendem a operação como “legal e necessária” para enfraquecer o Comando Vermelho (CV), especialistas e entidades de direitos humanos cobram informações sobre as circunstâncias das mortes, o uso de câmeras corporais e a remoção de corpos por moradores das comunidades.
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Segundo o secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, o uso de câmeras corporais foi adotado na operação, em conformidade com as regras da ADPF do STF, que impõe limites para ações em favelas. As baterias desses equipamentos, no entanto, duram cerca de 12 horas, e parte das gravações pode ter sido perdida.
Ainda não há dados concretos sobre quantos policiais estavam com câmeras, quantas horas foram gravadas nem sobre como será feita a divulgação das imagens. Entidades pedem auditoria independente sobre o conteúdo captado.

As forças de segurança montaram o chamado “Muro do Bope”, uma manobra em que policiais cercaram criminosos pela Serra da Misericórdia, empurrando-os em direção à mata, onde outros agentes aguardavam. A tática visava conter o confronto e proteger moradores, mas gerou questionamentos sobre seu impacto no número elevado de mortes.
Após o fim dos confrontos, moradores localizaram corpos na mata e os levaram até uma praça no Complexo da Penha. Segundo a Secretaria de Segurança, os agentes não puderam atuar na retirada imediata dos corpos por risco de novos ataques.
A Delegacia de Homicídios instaurou inquérito para investigar se houve fraude processual e apurar quem são as vítimas. Até o momento, não há confirmação sobre quantos corpos foram periciados ou identificados.

A operação visava cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 de prisão, sendo 70 no Rio e 30 no Pará. Foram presos 113 suspeitos, incluindo chefes regionais da facção. Contudo, Edgar Alves de Andrade, o Doca da Penha, apontado como principal líder do CV, segue foragido.
O Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à prisão do criminoso, investigado por mais de 100 homicídios.
De acordo com as autoridades, 117 suspeitos e 4 policiais morreram na operação. Mais da metade dos corpos passou por necropsia no IML Afrânio Peixoto, que também pediu apoio a bancos de dados de outros estados para identificar as vítimas.
Durante a ação, foram apreendidas 118 armas, sendo 91 fuzis, 26 pistolas e 1 revólver — um dos maiores volumes já registrados em uma operação policial no estado.
A megaoperação reacendeu o debate sobre violência policial, política de segurança pública e violações de direitos humanos no Rio de Janeiro.
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