logocombalaoadireita-peqlogocombalaoadireita-peqlogocombalaoadireita-peqlogocombalaoadireita-peq
  • Página Inicial
  • Notícias
  • Economia & Negócios
  • Turismo
  • Destaques
  • Artigos
  • Contato
✕
Do caos à clareza: Thaisa Clapham ensina líderes a transformar estresse em decisões assertivas
Neurociência: Do caos à clareza: Thaisa Clapham ensina líderes a transformar estresse em decisões assertivas
07/01/2026
Bem-estar: Consumo de hortaliças frescas ajuda a retomar equilíbrio alimentar após as festas
Bem-estar: Consumo de hortaliças frescas ajuda a retomar equilíbrio alimentar após as festas
07/01/2026
Exibir tudo

Opinião: Patentes farmacêuticas não são certificados de segurança sanitária Por Claudia de Lucca Mano, advogada e consultora empresarial

Opinião: Patentes farmacêuticas não são certificados de segurança sanitária

Confusão entre patente, registro sanitário e proteção ao paciente distorce o debate público e pode transformar saúde em instrumento econômico | Foto: reprodução

07 de janeiro de 2026 – No debate público sobre medicamentos, persiste uma confusão recorrente, e muitas vezes conveniente, entre patente, registro sanitário e segurança do paciente. Esses três planos, embora frequentemente apresentados como se fossem um só, pertencem a esferas distintas, com finalidades próprias e órgãos de controle diferentes. A história regulatória recente demonstra que misturá-los não apenas empobrece o debate, como também pode transformar o discurso sanitário em instrumento econômico, travestido de preocupação com a saúde pública.

O caso recente da semaglutida ilustra como essa tensão entre patente, mercado e regulação permanece atual. Após intensa pressão da Novo Nordisk, a Anvisa proibiu, em agosto de 2025, a manipulação da substância por farmácias de estéreis no Brasil, sustentando o argumento de que se trataria de um produto de natureza “biológica”, o que inviabilizaria a garantia de equivalência, qualidade e segurança no ambiente magistral. A justificativa, apresentada como técnica, ignora que a discussão não envolvia biossimilaridade clínica, mas sim a manipulação magistral a partir de insumo farmacêutico ativo patenteado. O episódio revela, mais uma vez, como o discurso da segurança sanitária pode ser mobilizado de forma seletiva em contextos de disputa econômica, especialmente quando há patentes vigentes e mercados bilionários em jogo.

Os casos do rimonabanto, do Vioxx e da sibutramina ajudam a esclarecer um ponto central: patente não é sinônimo de segurança, e a autoridade sanitária não existe para proteger exclusividade econômica.

>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<

O rimonabanto, comercializado como Accomplia, foi desenvolvido pela Sanofi como uma molécula inovadora para o tratamento da obesidade, atuando como antagonista do receptor CB1 do sistema endocanabinoide. Patenteado e cercado de grandes expectativas comerciais, foi aprovado em 2006 pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), mas nunca obteve aprovação do FDA, que já apontava preocupações relevantes quanto a efeitos psiquiátricos.

No Brasil, o rimonabanto chegou a ser comercializado pela própria detentora da patente, com lançamento anunciado em abril de 2008. Poucos meses depois, diante do acúmulo de evidências de farmacovigilância indicando aumento de depressão, ideação e comportamento suicida, o medicamento foi retirado do mercado europeu. Em outubro daquele mesmo ano, a autoridade sanitária brasileira determinou sua retirada e o bloqueio integral do insumo, inclusive para uso magistral, por razões de segurança. A molécula caiu enquanto a patente ainda estava vigente. Não houve tentativa de mitigação ou convivência regulatória: a falha era atribuída à própria substância.

O caso do Vioxx reforça esse raciocínio em escala ainda maior. Desenvolvido pela Merck & Co., o rofecoxibe foi aprovado no fim da década de 1990 e rapidamente se tornou um dos anti-inflamatórios mais prescritos do mundo. Patenteado, amplamente aceito e extremamente lucrativo, parecia representar o êxito do modelo clássico de inovação farmacêutica. No entanto, dados pós-comercialização passaram a demonstrar aumento relevante de eventos cardiovasculares, sobretudo em uso prolongado. Em 2004, o medicamento foi retirado do mercado global. Mais uma vez, ficou claro que nem patente, nem faturamento, nem aprovação regulatória inicial são suficientes para sustentar um produto quando o risco ao paciente se torna inequívoco.

A trajetória da sibutramina, por sua vez, ilustra como a patente já estimulava pressão regulatória há mais de 20 anos atrás. Nos primeiros anos de comercialização, tanto a sibutramina base quanto a anidra estavam protegidas por patente, sendo a Abbott a principal detentora do ativo. Entre 2002 e 2005, o mercado brasileiro viveu uma disputa intensa em torno da substância, especialmente no segmento magistral.

Nesse caso, o problema não era a molécula, mas o mercado. A Abbott atuou de forma agressiva, acionando reiteradamente a vigilância sanitária contra empresas que operavam com sibutramina, com foco especial nas farmácias de manipulação. O discurso sanitário era mobilizado como instrumento concorrencial: fiscalizações eram incentivadas, cadeias de fornecimento pressionadas e a narrativa da irregularidade se tornava ferramenta de exclusividade. A disputa extrapolou a esfera administrativa e chegou ao Judiciário, com ação cível movida pela Abbott contra a distribuidora SP Farma, julgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

O dado regulatório mais revelador daquele período é que, no mesmo contexto histórico, a autoridade sanitária brasileira proibiu anorexígenos tradicionais, como femproporex, anfepramona e mazindol, mas optou por manter a sibutramina no mercado, ainda que sob controle. Se o critério fosse exclusivamente o risco cardiovascular, a decisão pareceria incoerente. Na prática, o risco foi considerado administrável, não suficiente para justificar a retirada da substância. A disputa central não era sanitária em sentido estrito, mas econômica.

Os análogos de GLP-1, especialmente a semaglutida e a tirzepatida, representam o capítulo contemporâneo dessa mesma tensão. Ambas são moléculas patenteadas, associadas a mercados bilionários e a intensa judicialização. Diferentemente do rimonabanto e do Vioxx, não há retirada por falha grave comprovada da molécula. O que se observa é a reedição de um padrão histórico: a tentativa de mobilizar o discurso da segurança sanitária como barreira de mercado, quando a disputa central é a exclusividade econômica.

No fim de 2025, a Eli Lilly, detentora da patente da tirzepatida, aparentemente sem êxito na via regulatória, obteve decisões judiciais que suspenderam a operação de algumas farmácias de estéreis no Brasil, por meio de ações cíveis baseadas em alegações de concorrência desleal e produção em escala. O argumento foi o desvio da finalidade da atividade magistral, o que afastaria a exceção à patente, prevista por lei quando há manipulação individualizada e personalizada.

Esses episódios evidenciam a distinção estrutural entre as funções institucionais. O sistema de patentes existe para proteger investimento e inovação. A regulação sanitária existe para proteger a saúde pública. Uma patente não legitima automaticamente o uso sanitário, assim como uma autorização sanitária não garante exclusividade econômica. Confundir esses planos não é apenas um erro técnico: é uma estratégia que distorce o debate e fragiliza decisões regulatórias.

A história mostra que quando a molécula é insegura, ela cai. Patente ou não. Quando o risco é considerado administrável, o caminho é a restrição e o controle, não a eliminação. E quando o conflito é econômico, a segurança sanitária passa a ser utilizada como narrativa. Separar esses planos não é opção ideológica, mas condição mínima para um debate honesto e para a proteção efetiva do paciente.


Claudia de Lucca Mano é advogada e consultora empresarial atuando desde 1999 na área de vigilância sanitária e assuntos regulatórios, rresponsável pelo setor jurídico da Farmacann – Associação para Promoção da Cannabis Medicinal Manipulada/Magistral e do departamento jurídico da Associação Nacional de Magistral de Estéreis – ANME


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Terra da Luz. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, ou um outro artigo com suas ideias, envie sua sugestão de texto para portalterradaluz.


Leia também | Rio de Janeiro bate recorde histórico de turistas internacionais em 2025

Brasil: Rio de Janeiro bate recorde histórico de turistas internacionais em 2025
Claudia de Lucca Mano | Foto: divulgação

Tags: patentes farmacêuticas, vigilância sanitária, Anvisa, segurança do paciente, indústria farmacêutica, regulação de medicamentos, patentes e saúde, mercado farmacêutico, semaglutida, tirzepatida, GLP-1, farmácias de manipulação, direito sanitário, inovação farmacêutica, saúde pública, Portal Terra Da Luz

Compartilhar

Artigos Relacionados

Quando os vícios de linguagem escondem o verdadeiro problema

"O público não está contando seus “nés”. Está sentindo o que você sente", opina Giovana Pedroso | Foto: divulgação

28/02/2026

Opinião: Quando os vícios de linguagem escondem o verdadeiro problema Por Giovana Pedroso, TEDx Speaker, jornalista e especialista em comunicação


Leia mais

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Portal Terra da Luz

Aqui você encontra o que precisa saber sobre a Economia, Turismo, Saúde, Educação, Pesquisa e Inovação, Cidadania e Política.

Redes Sociais

Alece – Ceará de Valores

https://portalterradaluz.com.br/wp-content/uploads/2026/02/VT-Ceara-de-Valores.mp4

Slide Slide

Parceiros

Slide Slide Slide Slide Slide

Navegue

  • Artigos
  • Curtas
  • Destaques
  • Economia & Negócios
  • Notícias
  • Principal
  • Turismo, Esporte e Eventos
Portal Terra da Luz
✕

Tags

Alexandre de Moraes Assembleia Legislativa do Ceará Banco Central Brasil Ceará Congresso Nacional Covid-19 Cultura Câmara dos deputados Donald Trump Economia economia brasileira Educação Esporte Estados Unidos Fortaleza Futebol governo do Ceará Governo Federal inflação Jair Bolsonaro José Sarto Justiça Lula Meio Ambiente Mercado financeiro Ministério da Saúde Música Negócios pandemia Polícia Federal Portal terra da luz Prefeitura de Fortaleza presidente Programação Rio de Janeiro SAUDE saúde Segurança Segurança Pública STF sustentabilidade São Paulo Tecnologia Turismo

www.facebook.com/portalterradaluz

PORTAL TERRA DA LUZ

Portal Terra da Luz

Portal Terra da Luz

O Portal Terra da Luz é um site de notícias que reúne as informações mais relevantes de tudo o que acontece no Ceará, no Brasil e no Mundo. Aqui você encontra o que precisa saber sobre a Economia, Turismo, Saúde, Educação, Pesquisa e Inovação, Cidadania, Política, Segurança Pública, além dos principais encontros de negócios, capacitação profissional, eventos sociais, culturais e esportivos.

Siga as nossas Redes Sociais.

Editor Responsável

O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

Últimos comentários

  • 25/02/2026

    O Guia Definitivo do Imposto de Renda 2026: Estratégias de Conformidade, Otimização Setorial. – Camarinho Contabilidade Comentado em Imposto: IR 2026 começa em março; veja regras

  • 24/02/2026

    Hermann Hesse Feitosa Alexandrino Comentado em Indústria: Feira da Indústria FIEC reúne líderes e shows

  • 24/02/2026

    Maria das Graças Crisostomo Andrade de Quental Comentado em Indústria: Feira da Indústria FIEC reúne líderes e shows

  • 14/02/2026

    Carnaval acende alerta para risco de metanol em bebidas adulteradas – News Conect Inteligencia Digital Comentado em Saúde: Carnaval acende alerta para risco de metanol em bebidas adulteradas

  • 17/01/2026

    Davi Santiago – Sonho & Negócios Comentado em Empreendedorismo Empresário mirim fundou sua primeira empresa aos 11 anos e já está de olho no mercado global

  • 11/01/2026

    Mari Santos Comentado em Negócios: Estação Fashion promove Feirão com ofertas a partir de R$ 5 para impulsionar vendas no Centro de Fortaleza

Últimas Notícias

  • Conflito: Irã chama morte de Khamenei de guerra0
    Conflito: Irã chama morte de Khamenei de guerra Presidente iraniano afirma que ataque é uma declaração de guerra contra muçulmanos e promete vingança contra EUA e Israel
    01/03/2026
  • Guerra: Israel ataca Teerã e Irã reage com mísseis0
    Guerra: Israel ataca Teerã e Irã reage com mísseis Nova ofensiva israelense atinge a capital iraniana; retaliação do Irã alcança Tel Aviv e Jerusalém e deixa mortos
    01/03/2026
  • Guerra: Trump ameaça Irã com ataque sem precedentes0
    Guerra: Trump ameaça Irã com ataque sem precedentes Presidente dos EUA diz que país será atingido com “força nunca vista” se houver retaliação após ataques e morte de líder supremo iraniano
    01/03/2026
  • Transição: Irã anuncia líder supremo interino0
    Transição: Irã anuncia líder supremo interino Alireza Arafi comandará conselho responsável por escolher sucessor de Ali Khamenei após escalada militar
    01/03/2026
  • Conflito: Irã confirma morte de Ali Khamenei0
    Conflito: Irã confirma morte de Ali Khamenei Líder supremo comandou o país por quase quatro décadas; governo decreta luto nacional e tensão no Oriente Médio aumenta
    01/03/2026
  • Tensão: Netanyahu sugere morte de Khamenei0
    Tensão:Netanyahu sugere morte de Khamenei Premiê de Israel afirma haver indícios de que líder supremo do Irã morreu após ataques, mas Teerã evita confirmação
    28/02/2026
© Portal Terra da Luz | Orgulhosamente desenvolvido por NAWEB Sistemas