

Aeronave Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, que teria transportado Flávio Bolsonaro e sua família, fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos. Autoridades argentinas confirmaram que o senador atravessou a fronteira brasileira na noite de terça-feira (27) | Foto: Reprodução/FlightAware
28 de outubro de 2026 – O avião particular que teria transportado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família deixou Guayaquil, no Equador, na manhã desta quarta-feira (28), com destino a Miami, nos Estados Unidos. Segundo o site de monitoramento aéreo FlightAware, a previsão de pouso era de 10h39, pelo horário de Brasília, no Aeroporto Executivo Miami-Opa Locka (OPF), na Flórida.
A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW, havia partido de Puerto Iguazú, na Argentina, depois que o senador atravessou a fronteira brasileira na noite de terça-feira (27). As informações sobre a entrada de Flávio na Argentina foram confirmadas oficialmente pela Direção Nacional de Migrações do país.
Segundo a emissora Todo Noticias (TN), afiliada da CNN na Argentina, o avião transportou Flávio Bolsonaro e seus familiares até o Equador. A confirmação oficial da entrada na Argentina, entretanto, não esclarece se todos permaneceram na mesma aeronave durante o trecho seguinte, com destino aos Estados Unidos.
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De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio Bolsonaro entrou no país às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.
O senador estava acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza.
O órgão argentino informou que os quatro apresentaram documentos de viagem válidos e que não foram identificados impedimentos legais para a entrada no território argentino. O procedimento ocorreu sem incidentes.
Ainda segundo a autoridade migratória, às 23h30 a família embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo apresentado.
A aeronave decolou de Puerto Iguazú depois da meia-noite e chegou ao Equador pouco antes das 6h desta quarta-feira.
O Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, estava no aeroporto de Puerto Iguazú desde segunda-feira (26), segundo informações divulgadas pela imprensa argentina.
Após a partida da Argentina, a aeronave seguiu para Guayaquil, no Equador, onde realizou uma escala.
Dados do FlightAware indicaram que o mesmo avião decolou posteriormente com destino ao Aeroporto Executivo Miami-Opa Locka, com previsão de chegada às 10h39, no horário de Brasília.
O acompanhamento do voo foi divulgado pela CNN Brasil e por outros veículos de imprensa.
A confirmação oficial da passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina alterou a cronologia que vinha sendo divulgada desde terça-feira.
Na manhã daquele dia, o Ministério da Segurança do governo de Javier Milei havia informado à CNN Brasil que não existiam registros de entrada do parlamentar no território argentino.
Um porta-voz do governo também negou que Flávio estivesse no país ou que uma aeronave com as características divulgadas tivesse decolado para os Estados Unidos.
Posteriormente, a Direção Nacional de Migrações confirmou que o senador e seus familiares atravessaram a fronteira às 22h50 e embarcaram em um voo particular com destino ao Equador.
A informação oficial contrariou relatos anteriores de fontes que afirmavam que Flávio já teria chegado aos Estados Unidos ainda na terça-feira.
O horário de entrada na Argentina corresponde ao horário de Brasília, uma vez que os dois países utilizam o mesmo fuso nessa região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou a situação do senador brasileiro na noite de terça-feira.
Questionado por jornalistas, Trump afirmou que havia recebido informações de que Flávio Bolsonaro estaria na Argentina, mas disse não conhecer seu paradeiro exato.
Ao ser perguntado sobre a possibilidade de o parlamentar e seus familiares viajarem para os Estados Unidos, o presidente americano respondeu que “aprovaria” a entrada.
Dois funcionários do governo norte-americano também confirmaram à CNN Brasil que vistos estavam sendo emitidos para Flávio, sua esposa e as duas filhas.
Um dos representantes americanos chegou a mencionar a Flórida como provável destino da família.
Segundo uma fonte brasileira próxima ao senador, Flávio demonstrava preocupação com a possibilidade de ser preso no Brasil.
A viagem acontece após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes e ficasse proibido de deixar o território brasileiro.
A decisão foi tomada no domingo (25), quando o senador foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
A medida está relacionada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
Além da restrição de saída do país, Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático, a entrega de eventuais documentos estrangeiros em até 24 horas e a proibição de contato entre os dois investigados.
Na segunda-feira (26), Flávio publicou um vídeo afirmando que havia sido abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o senador, os policiais informaram que ele estava proibido de deixar o Brasil. Na ocasião, Flávio classificou a determinação como uma tentativa de intimidação e afirmou que entregaria os documentos.
Entretanto, os passaportes não foram apresentados dentro do prazo estabelecido. A Polícia Federal realizou o cancelamento dos documentos e iniciou diligências para localizar o senador.
Embora a autoridade migratória argentina tenha confirmado que Flávio e seus familiares apresentaram documentação válida, o comunicado não esclareceu quais documentos foram utilizados na passagem pela fronteira.
Cidadãos brasileiros podem entrar na Argentina utilizando documento de identidade válido, conforme as regras aplicáveis aos países do Mercosul.
A informação é relevante porque os passaportes brasileiros do senador estavam sujeitos à determinação judicial de cancelamento.
O comunicado argentino confirmou a regularidade da entrada no país segundo seus próprios controles migratórios, mas não abordou os efeitos da decisão judicial brasileira que restringia a saída do parlamentar.
A deputada argentina Marcela Pagano apresentou uma denúncia à Justiça Federal de Puerto Iguazú questionando as circunstâncias da entrada de Flávio Bolsonaro no país.
A parlamentar solicitou a preservação das imagens das câmeras de segurança da Ponte Internacional Tancredo Neves e do aeroporto, além dos planos de voo, da lista de passageiros e do contrato de fretamento da aeronave.
Pagano também pediu que sejam investigadas possíveis irregularidades relacionadas ao trânsito de pessoas e eventual descumprimento de deveres por funcionários públicos.
O pedido de apuração não representa comprovação da prática de crimes.
A CNN Brasil informou que procurou a defesa de Flávio Bolsonaro, o Partido Liberal e a Polícia Federal para obter manifestações sobre o caso. Até a atualização da reportagem original, aguardava retorno.
Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade.
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