

O Partido Liberal, presidido por Valdemar Costa Neto, reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de 2026. O candidato derrotado Flávio Bolsonaro anunciou que pretende questionar judicialmente a chapa vencedora, enquanto o TSE reafirma a segurança do processo eleitoral | Foto: Agustin Marcarian/Reuters
26 de outubro de 2026 – O Partido Liberal (PL), legenda do senador Flávio Bolsonaro, reconheceu nesta segunda-feira (26) o resultado da eleição presidencial de 2026, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato. Apesar do reconhecimento oficial, a sigla afirmou que questionamentos relacionados ao processo eleitoral precisam ser esclarecidos.
Em nota assinada pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, o PL declarou respeito ao resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas defendeu a continuidade do debate sobre as questões levantadas após a votação.
“Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático. Seguiremos acompanhando os fatos e buscando respostas com responsabilidade, transparência e respeito às instituições”, afirma a nota.
A manifestação ocorre um dia depois de Flávio Bolsonaro contestar publicamente a vitória de Lula e anunciar a intenção de recorrer à Justiça Eleitoral.
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De acordo com o resultado oficial divulgado pelo TSE, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, o equivalente a 64.256.232 votos.
Flávio Bolsonaro recebeu 48,21%, somando 59.826.041 votos. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
Na nota divulgada nesta segunda-feira, o PL também reafirmou que pretende atuar na oposição ao novo mandato presidencial.
“O PL continuará firme, atuando com independência e responsabilidade na defesa da democracia, da liberdade e dos valores que representamos. Nosso compromisso é com o Brasil e com os milhões de brasileiros que confiam em nosso trabalho”, diz o documento.
Em vídeo publicado nesta segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro afirmou que pretende pedir à Justiça Eleitoral a cassação da chapa de Lula, alegando supostos abusos de poder político e econômico durante a campanha.
“O que ele fez foi um abuso do poder político e econômico sem precedente, um total desequilíbrio na disputa eleitoral. Isso tudo sem falar no complexo industrial de fake news que eles criaram com a difusão ilegal e em massa de mentiras para aterrorizar a população brasileira. Então eu vou pedir sim a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo”, declarou.
As acusações apresentadas pelo senador são alegações de sua campanha e não representam irregularidades comprovadas pela Justiça Eleitoral.
Após a divulgação do resultado, na noite de domingo (25), Flávio havia afirmado que não reconheceria a derrota e que buscaria a anulação da eleição.
“É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, disse.
Entre as críticas apresentadas por Flávio Bolsonaro está a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prorrogação do horário de votação por até duas horas no domingo (25).
O candidato derrotado afirmou que a medida teria provocado desigualdade entre eleitores de diferentes estados.
“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, e ex-advogado do Lula dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17:01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil”, afirmou.
Flávio também alegou uma “quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados”.
“Eu nunca vou saber se, no estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, acrescentou.
Entretanto, a própria campanha do senador também havia solicitado ao TSE a ampliação do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
O TSE esclareceu que a votação prosseguiu apenas nos locais onde não havia sido encerrada às 17h. A recepção dos boletins de urna, a totalização e a divulgação dos resultados foram retomadas após as 19h.
Segundo levantamento do g1 com dados da Justiça Eleitoral, 35.521 votos foram registrados após as 17h, quantidade inferior à diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre os candidatos.
Flávio Bolsonaro também afirmou que representantes do PL teriam sido retirados da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral durante a apuração.
A informação foi contestada oficialmente pelo TSE, que esclareceu que a sala-cofre não é um espaço aberto à visitação.
Segundo o tribunal, dois fiscais do PL acompanharam procedimentos de fiscalização e a totalização dos votos em áreas destinadas a essas atividades, incluindo a Sala de Totalização e a Sala dos Partidos Políticos.
O TSE informou ainda que existem registros de presença e imagens que comprovam o acesso dos representantes da legenda aos locais autorizados.
Após o encerramento da votação, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou oficialmente a vitória de Lula e declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.
Indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Nunes Marques presidiu a Justiça Eleitoral durante a disputa presidencial de 2026.
Com o reconhecimento formal do resultado pelo PL, a legenda passa a adotar uma posição institucional diferente da manifestação inicial de seu candidato, embora mantenha a intenção de acompanhar os questionamentos apresentados à Justiça Eleitoral.
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