

Dólar dispara e Bolsa brasileira suspende temporariamente as negociações após forte queda do Ibovespa nesta segunda-feira (26). | Foto: reprodução
26 de outubro de 2026 – O mercado financeiro brasileiro registra forte volatilidade nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar comercial avançou mais de 12% durante a manhã, chegando a R$ 5,6048, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, teve as negociações interrompidas por 30 minutos após uma queda superior a 10%.
A reação reflete a revisão das expectativas dos investidores para a economia brasileira, especialmente em relação à política fiscal, à trajetória da dívida pública, aos juros e ao câmbio. A vitória de Lula surpreendeu parte do mercado, já que pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontavam vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Na sexta-feira (23), antes do resultado eleitoral, o dólar havia recuado 0,90%, fechando cotado a R$ 4,9930. No mesmo pregão, o Ibovespa avançou 0,47%, aos 205.083 pontos.
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A interrupção das negociações ocorreu nos primeiros minutos do pregão, após o Ibovespa registrar queda superior a 10% em relação ao fechamento anterior. O mecanismo, conhecido como circuit breaker, é utilizado pela B3 para suspender temporariamente as operações diante de movimentos bruscos do mercado.
A medida busca oferecer tempo para que investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de negociações desordenadas. Pelas regras informadas no mercado, uma queda superior a 10% provoca uma interrupção de 30 minutos. Caso o índice volte a cair e atinja 15% de desvalorização, pode ocorrer uma nova suspensão, de uma hora. Se a queda chegar a 20%, há previsão de uma terceira paralisação, conforme as regras aplicáveis.
A última ocasião em que a Bolsa brasileira acionou o mecanismo foi em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando a crise sanitária provocou fortes perdas nos mercados financeiros globais.
A condução das contas públicas no quarto mandato de Lula é apontada por analistas como um dos principais fatores para a avaliação dos ativos brasileiros. O comportamento das despesas, a evolução da dívida pública e a credibilidade das metas fiscais estão entre os pontos acompanhados pelos investidores.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, afirmou Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Apesar da reação negativa inicial, integrantes do mercado também avaliam que medidas econômicas podem contribuir para recuperar a confiança dos investidores. Segundo Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, a equipe econômica sinaliza uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para revisar gastos obrigatórios e buscar o centro da meta fiscal.
A reação à eleição se estendeu aos ativos brasileiros negociados fora do país. O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, recuava 26,16% antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira. Na sessão anterior, o índice já havia registrado queda superior a 19%, conforme os dados divulgados.
A movimentação internacional reforça a preocupação dos investidores com os possíveis impactos do resultado eleitoral sobre a economia brasileira e as decisões do próximo governo.
Além das perspectivas econômicas, a possibilidade de questionamentos judiciais sobre o resultado eleitoral também entrou no radar dos investidores. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação, das 17h às 19h, devido a dificuldades de deslocamento de eleitores em diferentes cidades, pode gerar disputas na Justiça.
Após a derrota, Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado e afirmou que pedirá a anulação do pleito. A possibilidade de contestação acrescenta incerteza ao cenário político.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
No cenário externo, os investidores acompanham os preços do petróleo em meio aos esforços diplomáticos para reduzir as tensões na guerra entre Estados Unidos e Irã. Apesar das negociações, persistem preocupações com possíveis interrupções no fornecimento da commodity.
Por volta das 7h40, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,40%, cotado a US$ 115,09. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava 1,95%, a US$ 101,26.
As decisões de política monetária de bancos centrais também estão entre os destaques da semana. A expectativa se concentra na reunião do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, prevista para quarta-feira (28). Na Europa e no Japão, a projeção predominante é de manutenção das taxas de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco do Japão (BoJ).
No Brasil, o Boletim Focus e novos indicadores de confiança dos investidores e de investimento estrangeiro direto também serão acompanhados. Como as projeções do Focus foram coletadas antes do resultado eleitoral, o documento ainda não reflete a reação dos agentes financeiros à vitória de Lula.
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Tags: dólar, Ibovespa, Bolsa de Valores, circuit breaker, mercado financeiro, economia brasileira, Lula, eleições 2026, Flávio Bolsonaro, B3, política fiscal, juros, câmbio, petróleo, Federal Reserve, Boletim Focus, Portal Terra da Luz