

Governo federal projeta receita total recorde de R$ 3,24 trilhões em 2026, equivalente a 23,7% do PIB | Foto: reprodução/Pixabay
06 de setembro de 2026 – A equipe econômica do governo federal estima que as receitas totais da União devem atingir R$ 3,24 trilhões em 2026, o equivalente a 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB).
Se confirmada, a proporção será o maior patamar da série histórica da Secretaria do Tesouro Nacional, iniciada em 1997, e representará o nível mais alto em cerca de 30 anos.
As informações constam na proposta de orçamento de 2027, enviada nesta semana ao Congresso Nacional.
Para o próximo ano, a expectativa da área econômica é de pequena queda nas receitas totais, para 23,4% do PIB, o equivalente a R$ 3,46 trilhões.
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Até então, a maior receita total do governo em proporção ao PIB havia sido registrada em 2010, último ano do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando alcançou 23,6% do PIB.
A média da receita total do governo entre 1997 e 2025 foi de 21,4% do PIB, segundo dados do Tesouro Nacional.
A receita total considera a arrecadação de tributos federais e outros ingressos de recursos, como royalties, concessões e dividendos, sem incluir estados e municípios.
Esse conceito é diferente da carga tributária da economia brasileira, que considera também os tributos estaduais e municipais.
A proposta de orçamento de 2027 prevê receita total de R$ 3,46 trilhões e projeta superávit de R$ 18,6 bilhões nas contas públicas no próximo ano.
O texto orçamentário também traz um capítulo destinado às chamadas “medidas de recomposição das receitas e mudanças estruturais na tributação”.
“A reversão do processo de deterioração da base arrecadatória federal tem sido um grande desafio, embora alguns avanços já possam ser detectados”, diz a proposta de orçamento de 2027.
No documento, o governo afirma que medidas tomadas nos últimos anos tiveram como objetivo reorganizar a base arrecadatória e corrigir distorções.
“Muitas dessas medidas foram instituídas com o propósito de corrigir distorções de mercado, reduzir gastos tributários ineficazes ou aumentar a progressividade tributária, mas seus efeitos fiscais para o equilíbrio financeiro da União são significativos”, acrescentou o governo.
Além do aumento de tributos, a alta nas receitas ligadas à exploração de petróleo também contribui para o desempenho projetado.
A expectativa do governo é arrecadar R$ 172,1 bilhões com exploração de petróleo em 2026, o equivalente a 1,3% do PIB.
Em 2025, o montante estimado foi de R$ 139,3 bilhões, ou 1,1% do PIB.
Segundo o material, a alta é impulsionada pelo preço do petróleo no mercado externo, em um contexto de guerra no Oriente Médio.
O terceiro mandato do presidente Lula tem sido marcado por aumento de arrecadação e crescimento de despesas públicas.
Entre as medidas de recomposição de receitas citadas estão a tributação de fundos exclusivos, voltados à alta renda, e de offshores no exterior.
Também foram mencionadas mudanças na tributação de subvenções concedidas por estados, aumento de impostos sobre combustíveis, reoneração gradual da folha de pagamentos, fim de benefícios do setor de eventos e taxação das bets.
A lista inclui ainda aumento do IOF sobre crédito e câmbio, maior tributação dos juros sobre capital próprio, aumento na tributação de fintechs, redução de benefícios fiscais, elevação do imposto de importação sobre mais de mil produtos e imposto de exportação sobre petróleo.
Em contrapartida, o governo ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, ou R$ 60 mil por ano.
A medida será efetivada na declaração de 2027.
Também foi criado um desconto progressivo menor para rendas de até R$ 7.350 mensais.
Para compensar as reduções no imposto, a medida estabelece cobrança mínima para contribuintes de alta renda, com alíquota progressiva de até 10% para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano.
A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, avalia que o aumento de tributos e a alta do preço do petróleo ajudam a sustentar o crescimento da arrecadação, mesmo em um cenário de perda de ritmo da atividade econômica.
No segundo trimestre de 2026, o PIB cresceu 0,5%, abaixo da alta de 1,1% registrada entre janeiro e março.
Apesar do bom desempenho das receitas, Rafaela afirma que as contas públicas ainda devem fechar o ano no vermelho.
“O governo tem uma forte alta na arrecadação esse ano e ainda vai gerar um déficit primário próximo de 0,5% do PIB, resultado que deve ser pior que o de 2025”, avaliou Rafaela Vitória.
Para Rafael Barros Barbosa, pesquisador do FGV IBRE, o crescimento da dívida pública está relacionado ao avanço das despesas em ritmo superior ao da arrecadação.
A dívida do setor público consolidado atingiu 82,5% do PIB em agosto, maior nível desde abril de 2021, quando estava em 82,6% do PIB.
“O que a gente observa nos últimos cinco anos, e essa é uma tendência deste último governo, é que a nossa receita até aumentou, mas os nossos gastos aumentaram mais ainda. Então, a principal explicação de por que a gente tem seguidamente aumentado a relação dívida/PIB é, basicamente, por causa de um aumento dos gastos”, afirma Rafael Barbosa.
Segundo o economista, uma das consequências do aumento da dívida em relação ao PIB é a pressão sobre os juros.
“Uma vez que o governo gasta mais do que arrecada, ele acaba estimulando a demanda, gera pressão de inflação, e o Banco Central precisa controlar um pouco essa pressão de inflação, aumentando os juros. Isso tem consequências para toda a economia”, afirmou.
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