
Ibiapina avança em infraestrutura, serviços públicos e articulação regional em ciclo de investimentos na Serra da Ibiapaba | Foto: Acácio Ximenes/Divulgação
25 de agosto de 2026 – Em pouco mais de meia década, Ibiapina, na Serra da Ibiapaba, passou por um ciclo de investimentos que vem modificando sua estrutura urbana, a oferta de serviços públicos e a conexão com os demais municípios da região.
O processo teve início em 2021, durante a administração do prefeito Marcos Antônio da Silva Lima, o Marcão, e ocorre em paralelo a uma estratégia de maior integração entre os municípios serranos.
A articulação envolve prefeitos da Ibiapaba e lideranças políticas regionais, entre elas o ex-prefeito de São Benedito Gadyel Gonçalves e Augusta Brito, que exerceu mandato de senadora e atualmente integra o Governo do Ceará como secretária da Proteção Social.
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Os números mais recentes ajudam a dimensionar a transformação de Ibiapina.
O município tinha 23.965 habitantes no Censo 2022 e chegou à estimativa de 24.689 habitantes em 2025, segundo o IBGE, crescimento de aproximadamente 3% no período.
Em 2023, Ibiapina alcançou PIB de R$ 431,9 milhões, com PIB per capita de R$ 18.022,32.
A economia mantém forte presença agropecuária, característica histórica da região, mas vem sendo acompanhada por expansão de serviços, infraestrutura e investimentos públicos.
Um dos principais sinais dessa mudança está na infraestrutura.
No primeiro ano da gestão Marcão, em 2021, foram registrados investimentos estaduais e municipais em pavimentação.
Um convênio assinado naquele ano previu mais de R$ 1,5 milhão em pavimentação em pedra tosca em diversas localidades de Ibiapina, em parceria com o Governo do Ceará e a Superintendência de Obras Públicas (SOP).
Outro projeto estruturante foi o Contorno de Ibiapina, cuja execução avançou em 2021 e foi posteriormente inaugurada junto a um Centro de Educação Infantil.
A obra vai além da pavimentação convencional, pois contribui para retirar parte do fluxo das áreas urbanas, melhorar a mobilidade e criar condições para novas expansões da cidade.

A agenda de infraestrutura também chegou a equipamentos esportivos e espaços públicos.
O Estádio Municipal Carvalhão entrou em processo de modernização e ampliação, com a proposta de se transformar em uma praça esportiva capaz de receber eventos de maior porte.
Na mobilidade urbana, outro marco foi a construção do Terminal Rodoviário Raimundo Nogueira Aguiar.
O contrato registrado pela Prefeitura prevê investimento de R$ 1,397 milhão, por meio de convênio com o Governo Federal, incluindo também a Praça do CSU.
Em 2026, o município publicou decreto regulamentando a administração do novo terminal, demonstrando que o equipamento passou da fase contratual para a etapa de operação institucional.
O planejamento municipal também revela a dimensão do esforço de investimento.
No Plano de Contratação Anual de 2024, Ibiapina projetou R$ 64,39 milhões em contratações.
Desse total, R$ 9,12 milhões estavam classificados especificamente como obras, além de R$ 1,63 milhão em serviços de engenharia.
O dado não significa que todo esse montante tenha sido efetivamente executado, mas demonstra a dimensão da carteira de projetos e contratações prevista para aquele exercício.
A evolução estrutural de Ibiapina não pode ser analisada isoladamente.
A saúde é um dos exemplos mais claros de como a Serra da Ibiapaba passou a trabalhar com uma lógica regional.
Em janeiro de 2021, Marcão foi eleito por unanimidade presidente do Consórcio Público de Saúde da Serra da Ibiapaba, que reúne os municípios atendidos pela Policlínica e pelo Centro de Especialidades Odontológicas.
Naquele momento, a articulação já reunia prefeitos da região em torno de uma estratégia comum para manutenção e ampliação dos serviços de saúde.
No mesmo período, Marcão e outros prefeitos serranos visitaram as obras da Clínica de Hemodiálise de Tianguá, em uma agenda voltada à ampliação da oferta regional de serviços especializados.
Durante a pandemia, essa lógica de cooperação ficou ainda mais evidente.
Em março de 2021, prefeitos de Tianguá, Viçosa do Ceará, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Carnaubal, Guaraciaba do Norte, Ipu e Croatá deliberaram conjuntamente sobre medidas de isolamento social.
A decisão demonstrou que a circulação de pessoas, pacientes e atividades econômicas entre os municípios exigia respostas coordenadas.
A articulação também produziu resultados concretos na saúde regional.
Em 2021, a região recebeu 11 novos leitos de UTI no Hospital de Tianguá, destinados ao atendimento da população da Ibiapaba.
A Prefeitura de Ibiapina atribuiu a conquista à articulação de lideranças regionais, citando Augusta Brito e Gadyel Gonçalves, além da atuação junto ao Governo do Ceará.
A Serra da Ibiapaba ganhou, nos últimos anos, uma dimensão econômica e política que torna cada vez mais importante a atuação conjunta dos prefeitos.
Segundo o Governo do Ceará, a região de planejamento reúne nove municípios, 363.415 habitantes e 5.720 km², representando 4,13% da população cearense.
Sua densidade demográfica, de 63,53 habitantes por km², é a segunda maior entre as regiões de planejamento do Estado.
A escala regional é relevante porque a economia da Ibiapaba não respeita os limites administrativos dos municípios.
Agricultura, comércio, turismo, saúde, educação, transporte e serviços formam uma rede integrada.
Dados citados pelo Diário do Nordeste, a partir do Centro de Inteligência e Inovação da Agropecuária do Ceará, apontavam, em 2024, cerca de 44 mil atividades econômicas ligadas à produção de lavouras em oito municípios da Serra, incluindo agricultura familiar.
Nesse cenário, Ibiapina ocupa posição estratégica.
Além da produção agrícola, o município integra um corredor econômico e logístico que conecta diferentes áreas da Serra, beneficiando-se de melhorias viárias e da expansão da infraestrutura regional.
A articulação dos prefeitos não se limita à saúde.
A região também desenvolveu mecanismos de cooperação na área ambiental e de saneamento.
O Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Ibiapaba vem coordenando iniciativas relacionadas ao manejo de resíduos sólidos, encerramento dos lixões, reciclagem e sustentabilidade.
Em 2024 e 2025, o consórcio realizou fóruns, seminários e atividades envolvendo municípios, gestores e instituições.
Em janeiro de 2026, promoveu o primeiro seminário regional dedicado ao fim dos lixões.
A experiência representa uma mudança na forma de administração pública regional.
Em vez de cada prefeitura enfrentar isoladamente problemas que ultrapassam os limites municipais, os municípios passam a compartilhar estruturas, planejamento, custos e capacidade de negociação.
Nesse processo, Gadyel Gonçalves tornou-se uma das figuras políticas associadas à articulação regional.
Ex-prefeito de São Benedito, Gadyel ocupou funções na Superintendência de Obras Públicas do Ceará.
Documentos oficiais de 2025 registram sua atuação como superintendente adjunto de Edificações da SOP, posição que o colocou em contato direto com projetos de infraestrutura de diferentes municípios cearenses.
A importância dessa articulação foi destacada pelo próprio Gadyel ao acompanhar projetos na Ibiapaba.
Em declaração registrada durante o acompanhamento de obras da Pefoce em Tianguá, ele afirmou que a união dos prefeitos da região foi fundamental para tirar o projeto do papel, associando a iniciativa ao Governo do Estado e a outras lideranças regionais.
Augusta Brito também possui trajetória diretamente ligada à Ibiapaba.
Antes de chegar ao Senado, foi prefeita de Graça por dois mandatos e secretária de Educação de São Benedito.
Depois, atuou como deputada estadual, senadora e secretária de Articulação Política do Governo do Ceará.
Em 2026, assumiu a Secretaria da Proteção Social do Estado.
Sua atuação aparece em pautas de alcance regional.
Em pronunciamento no Senado, em agosto de 2025, Augusta destacou que Ibiapina, São Benedito, Guaraciaba do Norte e Ubajara estavam entre os municípios cearenses selecionados na primeira fase do programa Minha Casa, Minha Vida.
Além das obras visíveis, indicadores ajudam a construir uma fotografia mais objetiva do município.
O IPECE classificou Ibiapina como o município cearense menos vulnerável no Índice Municipal de Alerta de 2024, com IMA de 0,296, à frente de Fortaleza e Ubajara.
O indicador considera fatores relacionados à situação hídrica, climatologia, agricultura e assistência social.
No Índice Comparativo de Gestão Municipal (ICGM) 2023, também elaborado pelo IPECE, Ibiapina registrou 0,49066, ocupando a 41ª posição entre os municípios cearenses na classificação geral.
O índice considera dimensões como planejamento, recursos financeiros, serviços e transparência.

O caso de Ibiapina ilustra uma transformação que não pode ser explicada apenas pela construção de uma obra específica.
Ao longo dos últimos seis anos, o município combinou pavimentação, mobilidade, equipamentos esportivos, educação, saúde, transporte e planejamento público com uma estratégia de articulação externa para captar investimentos estaduais e federais.
O aspecto mais significativo está na mudança de escala.
A Ibiapaba passou a atuar cada vez mais como uma região integrada, com prefeitos negociando conjuntamente, consórcios compartilhando serviços e lideranças políticas funcionando como pontes entre os municípios e os governos estadual e federal.
Os dados disponíveis não permitem afirmar que todo o crescimento econômico ou populacional de Ibiapina seja resultado direto da atual administração.
Fatores como agricultura, transferências públicas, dinâmica regional e investimentos estaduais e federais também exercem influência.
Mas permitem afirmar que, desde 2021, há uma sequência documentada de investimentos e projetos estruturantes, enquanto a integração entre os nove municípios da Serra da Ibiapaba ganhou novas ferramentas institucionais.
O desafio para os próximos anos será transformar a infraestrutura acumulada em maior produtividade, geração de empregos, atração de empresas, qualificação profissional, turismo sustentável e melhoria permanente dos serviços públicos.
Se a cooperação regional continuar avançando, a Ibiapaba poderá consolidar-se não apenas como uma das áreas agrícolas mais importantes do Ceará, mas também como um dos principais polos de desenvolvimento integrado do interior cearense.
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