

Para Carlos Lima, presidente executivo do IBJR, os dados indicam efeitos das medidas adotadas para combater as plataformas clandestinas. | Foto: Eduardo Tarran/Divulgação
12 de agosto de 2026 – A participação do mercado ilegal no setor de apostas online no Brasil caiu no primeiro semestre de 2026, segundo estudo realizado pela LCA Consultores, com dados da pesquisa do Instituto Locomotiva, a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
O levantamento estima que entre 38% e 44% das apostas online foram realizadas em plataformas clandestinas nos primeiros seis meses do ano. Na pesquisa anterior, divulgada em junho de 2025, a estimativa estava entre 41% e 51%.
A pesquisa do Instituto Locomotiva foi realizada em maio de 2026, em todo o país, com 2.291 jogadores. Os resultados apontam indicadores relacionados ao uso de plataformas que não seguem as exigências do mercado regulamentado.
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Entre os entrevistados, 53% disseram ter feito, nos três meses anteriores à pesquisa, apostas em sites que não exigiam reconhecimento facial. Outros 48% afirmaram ter apostado em plataformas com domínio diferente de .bet.br.
O levantamento também identificou que 37% dos participantes realizaram depósitos em plataformas por meio de cartão de crédito e 23% utilizaram criptoativos, modalidades de pagamento que não são aceitas no mercado regulamentado brasileiro.
Para Carlos Lima, presidente executivo do IBJR, os dados indicam efeitos das medidas adotadas para combater as plataformas clandestinas.
“Os números mostram que a regulamentação e as medidas adotadas pelo Governo Federal no combate às plataformas ilegais começam a produzir resultados concretos. A redução observada é um sinal positivo da consolidação do mercado regulado brasileiro”, afirma.
Segundo Lima, a continuidade da fiscalização e o fortalecimento das ações contra operadores clandestinos são necessários para manter o avanço da regulamentação.
A regulamentação do setor de apostas de quota fixa está em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 2025. As regras determinam que somente operadores licenciados podem atuar legalmente no país.
As empresas autorizadas estão sujeitas a obrigações tributárias, normas operacionais e mecanismos de proteção aos apostadores.
Dados do Ministério da Fazenda citados no estudo apontam que, no primeiro ano do mercado regulado, as casas de apostas contribuíram com R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais para áreas como esporte, turismo, segurança pública e educação.
Cada plataforma também recolheu R$ 30 milhões em outorga. Segundo o estudo “Panorama do mercado de apostas de quota fixa”, as operadoras regulamentadas investiram aproximadamente R$ 7,5 bilhões em capital social, com estimativa de geração de 15,5 mil empregos diretos e indiretos.
Para Eric Brasil, diretor de Regulação e Políticas Públicas da LCA Consultores, a redução estimada da participação do mercado ilegal representa um avanço, mas também reforça a necessidade de continuidade das ações de fiscalização.
“Os resultados da estimativa de participação dos operadores ilegais no consumo de apostas indicam não apenas a queda relativa do tamanho do mercado ilegal, mas também menor incerteza sobre a magnitude desse mercado, sinalizando avanços importantes decorrentes da regulamentação e das medidas de combate às plataformas ilegais”, afirma.
O diretor ressalta ainda a importância de manter as iniciativas de fiscalização contra plataformas não autorizadas.
De acordo com a pesquisa do Instituto Locomotiva, entre os apostadores elegíveis ao mercado ilegal, 51% são mulheres e 49% são homens.
A maior parcela dos entrevistados está na faixa etária entre 18 e 29 anos, que representa 54% do grupo. Em relação à renda, 51% recebem até dois salários mínimos.
Entre aqueles que realizaram alguma das práticas associadas a plataformas informais, 51% afirmaram que utilizam exclusivamente esse tipo de plataforma. Outros 36% disseram que esses sites concentram a maior parte de suas apostas.
Para 8% dos entrevistados, as plataformas ilegais respondem por aproximadamente metade das apostas, enquanto 6% afirmaram que são utilizadas para a menor parte das apostas.
“O estudo revela uma ligeira redução da participação das apostas ilegais, mas ainda em patamares elevados, com metade dos apostadores brasileiros transitando no mercado não licenciado. O dado positivo é que há quase um consenso de que esse problema precisa ser encarado: mesmo quem joga nos sites clandestinos acha que é um dever do País combatê-los com mais força”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
A pesquisa também avaliou a percepção dos apostadores sobre os riscos associados às plataformas não autorizadas.
Do total de entrevistados, 77% concordam total ou parcialmente que as bets ilegais não cumprem regras e normas destinadas à promoção do jogo responsável e, por isso, são mais perigosas para os apostadores.
Outros 13% não concordam nem discordam da afirmação, enquanto 5% discordam parcialmente e outros 5% discordam totalmente.
Para verificar se uma plataforma está autorizada a operar no Brasil, o consumidor deve observar algumas características exigidas pelo mercado regulamentado.
As operadoras autorizadas devem utilizar obrigatoriamente o domínio .bet.br. Sites que não utilizam esse domínio não estão autorizados a operar legalmente em todo o território nacional.
As plataformas regulamentadas também exigem procedimentos de cadastro, incluindo reconhecimento facial, envio de documentos e outras verificações de identidade. O objetivo inclui impedir o acesso de menores de 18 anos.
Além disso, devem disponibilizar ferramentas para estabelecer limites de tempo e perdas financeiras, mecanismos de autoexclusão para jogadores vulneráveis e aceitar somente transações via Pix e débito da conta do titular do cadastro, sem cartões de crédito ou criptomoedas.
O consumidor que ainda tiver dúvidas pode consultar o www.betalert.com.br, plataforma disponibilizada pelo IBJR para verificar se determinada bet está regulamentada pelo Governo Federal.
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