

Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) identificou aumento nos registros de violência doméstica contra mulheres em dias de jogos de futebol. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
12 de agosto de 2026 – Os registros de agressão, classificados como lesão corporal dolosa, decorrentes de violência doméstica contra mulheres aumentam 28,9% em dias de jogos de futebol, segundo a segunda edição do estudo Futebol e violência contra a mulher, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (11), durante evento realizado na sede do Grupo Mulheres do Brasil, em São Paulo. A pesquisa também identificou crescimento de 27,4% nos registros de ameaça contra mulheres nos dias em que ocorrem partidas.
Entre as mulheres jovens, de 15 a 29 anos, o impacto é ainda maior. Nessa faixa etária, os registros de ameaças e lesões corporais dolosas aumentam 44,4% em dias de jogos.
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Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram a relação entre registros de ocorrências policiais e os resultados de partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores da América e da Copa Sul-Americana.
O levantamento considerou dados de 2023 a 2025 nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.
De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os resultados reforçam a hipótese de que o calendário do futebol brasileiro funciona como um marcador temporal de risco para a violência doméstica contra mulheres.
“Os dias de jogo são, hoje, fatores de risco comprovados para a violência doméstica contra mulheres. Mais do que um diagnóstico, esse conhecimento deve guiar o planejamento das forças de segurança — reforçando unidades especializadas como as Delegacias da Mulher e as patrulhas de fiscalização das Medidas Protetivas de Urgência — e engajar os clubes como aliados no enfrentamento ao problema”, avalia Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do FBSP.
Segundo Juliana Brandão, os clubes de futebol têm capacidade de influenciar comportamentos e valores para além do ambiente esportivo.
“Em partidas de alta rivalidade, por exemplo, eles têm a oportunidade e a responsabilidade de se converterem em agentes de mudança, mobilizando seus atletas, suas torcidas e o poder de suas marcas para desvincular a paixão pelo futebol da violência contra a mulher”, afirmou a coordenadora.
O estudo defende, dessa forma, que as instituições esportivas também sejam envolvidas nas estratégias de prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres.
O novo levantamento segue a mesma metodologia utilizada na primeira edição da pesquisa, divulgada pelo FBSP em 2022. Naquele estudo, foram analisados dados referentes ao período de 2015 a 2018.
Na ocasião, os registros de ameaça contra mulheres aumentavam 23,7% em dias de jogos, enquanto as lesões corporais dolosas apresentavam crescimento de 20,8%.
Na pesquisa mais recente, os índices subiram para 27,4% nas ameaças e 28,9% nas lesões corporais dolosas. Na comparação entre os levantamentos, isso representa aumento de 3,7 pontos percentuais nos registros de ameaça e de 8,1 pontos percentuais nas agressões físicas.
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