

Tribunal sírio condenou à revelia o ex-ditador Bashar al-Assad por crimes contra a humanidade e crimes de guerra relacionados ao conflito no país. | Foto: Joseph Eid/ AFP
11 de agosto de 2026 – Um tribunal da Síria condenou à revelia, nesta terça-feira (11), o ex-ditador Bashar al-Assad e seu irmão mais novo, Maher al-Assad, à pena de morte por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante os 14 anos da guerra civil síria, conflito que deixou cerca de 500 mil mortos.
Os dois não participaram do julgamento porque deixaram o país em dezembro de 2024, quando insurgentes tomaram a capital Damasco e provocaram a queda do regime. Desde então, ambos permanecem na Rússia, que concedeu abrigo ao ex-governante.
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No mesmo processo, o primo materno de Bashar al-Assad, Atef Najib, também foi condenado à pena de morte. Ex-general do Exército sírio, ele foi responsabilizado por liderar uma repressão na província de Daraa, no sul da Síria, considerada um dos fatores que impulsionaram o início da guerra civil.
Najib permaneceu preso durante a leitura da sentença, realizada em um tribunal criminal em Damasco. Diferentemente de Assad e Maher, ele não conseguiu deixar o país após a queda do regime.
O atual presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, já havia solicitado oficialmente ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, a extradição de Bashar al-Assad durante um encontro bilateral realizado em outubro de 2025.
No entanto, o pedido não prosperou. A Rússia, aliada histórica do antigo governo sírio, continua abrigando o ex-ditador, e até o momento não se manifestou oficialmente sobre a decisão judicial.
Nem o governo sírio, nem as autoridades russas, tampouco Bashar al-Assad, haviam comentado publicamente a sentença até a publicação desta reportagem.
Apesar da condenação, ainda não há confirmação de que a pena de morte será efetivamente executada. Como Assad permanece fora da Síria e protegido pela Rússia, especialistas avaliam que a execução da sentença depende de uma eventual extradição ou de mudanças no cenário diplomático.
Também existe a possibilidade de que aliados remanescentes do antigo regime tentem impedir ou reduzir a punição aplicada a Atef Najib.
Bashar al-Assad governou a Síria durante 24 anos. A partir de 2011, seu governo enfrentou uma guerra civil marcada por acusações de assassinatos, prisões arbitrárias, torturas e violações de direitos humanos.
O enfraquecimento do regime ganhou força nos últimos anos, especialmente após a redução do apoio militar russo em razão da guerra na Ucrânia. Entre novembro e dezembro de 2024, uma ofensiva do grupo rebelde HTS resultou na queda definitiva do governo de Assad.
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