

Banco Central estuda ampliar o alcance internacional do Pix e prepara novas medidas para fortalecer a segurança das transações eletrônicas. | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
11 de agosto de 2026 – O Banco Central (BC) estuda interligar o Pix aos sistemas de pagamentos instantâneos de outros países e também a plataformas multilaterais globais. A iniciativa busca facilitar remessas internacionais e compras no exterior, reduzindo custos e permitindo que os recursos sejam disponibilizados em moeda local em poucos segundos.
Segundo o BC, a proposta contempla tanto acordos bilaterais quanto a participação em hubs multilaterais de pagamentos.
“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos”, informou o Banco Central.
As novidades fazem parte da agenda apresentada no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pela autoridade monetária. O documento também destaca que o BC acompanha experiências já implementadas por empresas brasileiras e estrangeiras envolvendo pagamentos internacionais por meio do Pix.
Outra funcionalidade em estudo é a realização de pagamentos por aproximação mesmo sem conexão com a internet (offline), além da ampliação do uso do Pix Automático como alternativa ao débito automático em conta.
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Outra frente de desenvolvimento prevê a integração do Pix ao mercado de crédito. A proposta é permitir que empresas utilizem seus recebimentos futuros via Pix como garantia para financiamentos.
De acordo com o Banco Central, a medida pode fortalecer a qualidade das garantias oferecidas às instituições financeiras e contribuir para a redução do custo do crédito, principalmente para empresas que concentram grande parte de suas receitas por meio do sistema de pagamentos instantâneos.
O Banco Central também avalia mudanças no campo de mensagens das transferências Pix após identificar o uso inadequado da ferramenta para envio de ofensas, ameaças e intimidações, geralmente em transações de valores muito baixos.
Um grupo de trabalho foi criado para discutir alterações na funcionalidade.
“Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens”, destacou a instituição.
A agenda de segurança do Pix prevê oito novas medidas para tornar o sistema mais seguro. Entre elas está a criação de critérios mínimos para identificar operações suspeitas, reduzindo diferenças entre os procedimentos adotados pelas instituições financeiras.
Segundo o Banco Central, atualmente cada instituição estabelece seus próprios critérios, o que pode permitir que operações de maior risco sejam aprovadas sem análise mais rigorosa.
Outra inovação será um indicador de probabilidade de fraude calculado em tempo real pelo próprio BC por meio de modelos de inteligência artificial (machine learning).
“Será construído com base em modelo de machine learning e deverá ser disponibilizado às instituições participantes para alimentarem os seus sistemas antifraude”, informou o Banco Central.
Também estão previstas a padronização dos alertas de fraude, aprimoramento da troca de informações entre instituições financeiras para bloqueios cautelares e ampliação das medidas preventivas, incluindo restrições ao cadastro de novas chaves Pix por instituições que representem riscos ao sistema.
O Pix também passou a integrar o debate comercial entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano citou o sistema brasileiro como uma das justificativas para a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros, alegando que o mecanismo representaria uma prática desleal no mercado financeiro.
O governo brasileiro rebate a acusação e especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a iniciativa brasileira reduz a dependência de infraestruturas financeiras controladas pelos Estados Unidos, ampliando a autonomia do país nos meios eletrônicos de pagamento.
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